Reconhecimento facial chega às assinaturas eletrônicas
Tecnologia reduz tempo de processos em 40% e oferece resposta robusta ao aumento de golpes digitais
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 08/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O cenário de segurança cibernética enfrenta um momento crítico, com o crescimento exponencial de ataques de identidade e o sequestro de contas digitais. Nesse contexto, o reconhecimento facial surge como uma barreira essencial para modernizar as assinaturas eletrônicas. Embora não existam dados globais unificados apenas sobre fraudes em assinaturas, relatórios internacionais confirmam que a violação de identidades é uma ameaça crescente, exigindo das empresas um equilíbrio entre proteção rigorosa e agilidade operacional.
Tradicionalmente, os fluxos de validação dependem de senhas, e-mails ou SMS. Estes métodos, contudo, mostram-se vulneráveis a técnicas de phishing e account takeover. Na outra ponta, o uso de certificados digitais e tokens físicos, apesar de seguros, adiciona camadas de complexidade e custos que podem travar a operação. É nesse vácuo que a biometria ganha destaque como a solução ideal.
Expansão de mercado e adesão setorial
O mercado reflete essa necessidade de inovação. Projeções indicam que o setor de assinaturas digitais deve saltar de US$ 5,2 bilhões em 2024 para US$ 38,16 bilhões até 2030. Esse crescimento é impulsionado pela digitalização corporativa e por normas de compliance cada vez mais estritas.
A implementação do reconhecimento facial tem sido acelerada em setores que lidam com alto volume de documentos, como Construção Civil e áreas Comerciais, além de segmentos regulados como Saúde e Segurança do Trabalho. Bancos, fintechs e telecomunicações também lideram a adoção.
“As soluções biométricas reduzem o número de etapas, eliminam a dependência de dispositivos físicos e tornam o processo mais acessível e inclusivo, permitindo que qualquer pessoa possa realizar uma assinatura com segurança”, afirma Rafael Liberato, Head do Senior Flow, plataforma de hiperautomação da Senior Sistemas.
Como funciona a tecnologia na prática
A solução desenvolvida na plataforma Senior Flow utiliza o reconhecimento facial no ato da assinatura. O processo é desenhado para ser intuitivo: o usuário captura uma selfie, que é processada por um motor biométrico. O sistema gera um código único e compara a imagem com o cadastro prévio.
A validação ocorre quando a similaridade atinge um percentual mínimo, geralmente estabelecido em 85%. Caso a imagem não corresponda, o usuário é orientado a tentar novamente ou o fluxo é direcionado para outro método de autenticação, conforme a política da empresa.
Para garantir a veracidade, a tecnologia emprega Inteligência Artificial e modelos de deep learning. Estes recursos realizam a prova de vida (liveness detection), bloqueando tentativas de fraude com uso de fotos estáticas, vídeos ou máscaras.
Impacto na velocidade e rastreabilidade
Os ganhos operacionais com o uso do reconhecimento facial são expressivos. Entre janeiro e outubro de 2025, a plataforma processou mais de 1,85 milhão de documentos. A eliminação de etapas intermediárias e de hardwares físicos resultou em uma redução de até 40% no tempo de coleta de assinaturas.
Além da agilidade, a ferramenta reforça a segurança jurídica ao registrar evidências robustas durante o processo, incluindo:
- Foto do assinante no momento do ato;
- Geolocalização exata;
- Endereço IP;
- Dados do documento e e-mail.
Privacidade e adequação à LGPD
Por tratar-se de um dado sensível, a coleta biométrica exige conformidade total com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A solução foi construída sob o conceito de Privacy by Design, integrando proteção de dados desde a sua concepção.
O sistema requer o consentimento explícito do usuário antes de ativar o reconhecimento facial, possui políticas claras de retenção de dados e mantém trilhas de auditoria detalhadas para consulta.
“A solução segue em desenvolvimento contínuo, com ampliação de recursos prevista para os próximos ciclos. Com o avanço das fraudes digitais e a necessidade de processos mais rápidos e auditáveis, especialistas avaliam que a autenticação por biometria facial tende a se tornar um dos pilares das assinaturas eletrônicas corporativas nos próximos anos”, finaliza Rafael Liberato.