Recaídas crescem 20% durante as festas de fim de ano
Relatórios da OMS e especialistas alertam para o aumento do consumo de álcool e os riscos à estabilidade de pacientes em tratamento.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 23/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Recaídas apresentam um crescimento estatístico de até 20% durante o período de festas, conforme indicam levantamentos globais recentes. Esse fenômeno decorre da soma entre expectativas emocionais elevadas e a quebra da rotina habitual de cuidado.
Dados do Vigitel 2023, do Ministério da Saúde, e o Relatório Global sobre Álcool e Saúde 2024 da OMS confirmam essa tendência. Em diversas capitais brasileiras, o consumo abusivo de substâncias dispara entre o Natal e o Réveillon.
O cenário impõe um estado de vigilância para quem busca manter a sobriedade. A psiquiatra Aline Sena da Costa Menêzes, integrante do grupo ViV Saúde Mental e Emocional, explica que a vulnerabilidade aumenta porque o calendário ativa gatilhos emocionais profundos.
Estratégias para evitar recaídas no ambiente festivo
As celebrações de dezembro costumam ampliar a sensação de permissividade social. O indivíduo sente-se autorizado a negligenciar limites, muitas vezes pressionado pelo ambiente. A especialista reforça que pacientes estáveis podem ser surpreendidos por memórias e estímulos que estavam latentes.
“Para quem está em tratamento, um fim de semana prolongado ou um encontro de família pode representar um desafio emocional enorme. Reconhecer isso ajuda a organizar estratégias de proteção antes que os riscos aumentem”, destaca a Dra. Aline.
O Relatório Mundial sobre Drogas 2024, publicado pelo UNODC, aponta que datas festivas intensificam vulnerabilidades. Isso ocorre principalmente no primeiro ano de recuperação, quando os mecanismos de defesa ainda estão em construção.
Vulnerabilidade entre jovens e adolescentes
A exposição precoce ao álcool durante eventos festivos preocupa as autoridades sanitárias. Festas abertas e viagens sem supervisão favorecem o consumo impulsivo. A OMS alerta que episódios de embriaguez na juventude elevam drasticamente as chances de dependência na vida adulta.
Conversas diretas e transparentes reduzem a pressão social sobre esse público. Quando os responsáveis explicam os efeitos biológicos da substância, o jovem sente menos necessidade de beber para pertencer ao grupo.
Sinais de alerta para recaídas e monitoramento familiar
A família desempenha um papel crucial na identificação de comportamentos de risco. É necessário observar mudanças que fogem ao padrão habitual do indivíduo. Fique atento aos seguintes indicadores:
- Isolamento social repentino durante as festas.
- Oscilações bruscas de humor e irritabilidade.
- Consumo de substâncias de forma escondida ou acelerada.
- Perda de controle sobre a quantidade ingerida.
- Episódios frequentes de falha de memória (blackouts).
O planejamento antecipado é a ferramenta mais eficaz para prevenir recaídas durante este mês. Especialistas recomendam que o paciente identifique locais de risco e combine códigos de saída com pessoas de confiança.
Manter o suporte terapêutico em dia e evitar o excesso de obrigações sociais preserva a saúde mental. Ao notar qualquer sinal de fragilidade, a busca por auxílio profissional imediato impede que um deslize momentâneo se torne um retrocesso permanente no tratamento. O acolhimento é o melhor caminho para evitar recaídas.