Rafael Marques é eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

O dirigente, que assumiu o Sindicato em 2003 após a ida de Sérgio Nobre para a Direção da CUT, foi escolhido por voto direto pela categoria para conduzir a entidade até 2017

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O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, foi eleito ontem, com 91,7% dos votos, para permanecer à frente da entidade pelos próximos três anos. Além de Marques, que encabeçava a chapa única, foram eleitos os integrantes do Conse¬lho da Direção Executiva e o Conselho Fiscal do Sindicato. Compareceram às urnas 81,7% dos associados com direito a voto. “Essa participação expres¬siva da categoria é a alma des¬te Sindicato. É uma demonstração de apoio que nos motiva muito e que foi constante durante todo o processo”, destacou o presidente.

O processo eleitoral teve início em 9 fevereiro, data de realização da primeira assembleia, e encerrou ontem com um evento em homenagem aos ex-dirigentes da casa. Eles foram recebidos para um almoço oferecido pela direção e receberam uma medalha comemorativa dos 55 anos do Sindicato, que se completam na próxima segunda-feira, dia 12. Estiveram presentes mais de 100 sindicalistas, entre eles os ex-presidentes Jair Meneguelli, Vicentinho, Luiz Marinho, José Lopez Feijóo e Sérgio Nobre e o prefeito de Santo André, Carlos Grana, que foi secretário geral do Sindicato.

“Encerrar as eleições com esse encontro, reunindo aqueles que fizeram a nossa história, é um orgulho para nós. Temos uma referência muito forte nesses companheiros. São dirigentes que, em períodos muitos difíceis, com toda a incerteza que significava fazer militância sindical naquela época, arriscando a própria segurança pessoal, conquistaram tanto pela classe trabalhadora”, destacou Marques.

Jair Meneghelli, hoje presidente do Conselho Nacional do SESI, esteve à frente do Sindicato entre 1981 e 1987, período de transição entre a ditadura e a democracia. “Foram tempos difíceis, mas a luta deixou frutos. Hoje vivemos uma democracia, os sindicatos negociam com as empresas, com as federações, isso é resultado de uma luta anterior”, lembrou o dirigente.

O deputado Vicentinho, que foi presidente de 1987 a 1994, reforçou a importância histórica da entidade: “Foi nesse Sindicato que surgiu a ideia de fundar a Central Única dos Trabalhadores e foi aqui que se construiu o novo Sindicalismo, a partir com a atuação do Lula”.

O prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, ressaltou que a atuação sindical mudou bastante do final da década de 1990, época em que presidiu o Sindicato, para os dias atuais. “O Sindicato está ainda mais representativo. As greves tiveram o papel de conquista do espaço de negociação, de conquista pelo respeito das entidades governamentais, das empresas. É isso que nos dá hoje a possibilidade de fazer menos horas de greve, mas conquistar ainda mais”, ressaltou.

José Lopez Feijóo, hoje assessor especial da Secretaria Geral da Presidência da República, lembrou os tempos difíceis: “Havia crise a todo o momento. Se tinha uma crise em qualquer lugar do mundo, no dia seguinte o Brasil estava em crise. Nossa luta na época era para manter direitos”, relembrou.

Durante o ato, jovens metalúrgicos recém-eleitos para os Comitês em fábricas da base leram coletivamente um texto re¬lembrando a trajetória de luta dos ex-dirigentes e se comprometeram em manter o compromisso com a categoria.

MODELO ELEITORAL – A Eleição Sindical dos Metalúrgicos do ABC é realizada em dois turnos.  No primeiro, que ocorreu em março, os metalúrgicos escolherem por voto direto seus representantes nos CSEs (Comitês Sindicais de Empresa). Foram eleitos 297 trabalhadores, que integrarão 93 comitês. O modelo fortalece a organização sindical no local de trabalho e garante representatividade aos diretores, que só podem integrar a direção após serem eleitos nas empresas onde atuam.

O processo de escolha dos dirigentes começou a se diferenciar dos demais na década de 80, quando o Sindicato passou a eleger as Comissões de Fábrica. A criação dos CSEs foi aprovada no 2º Congresso da entidade, em 1997, e a primeira eleição neste formato foi realizada em 1999. Na época foram eleitos dirigentes em 69 Comitês Sindicais, número que vem crescendo ao longo dos anos.

A nova Diretoria toma posse no dia 19 de julho. Após essa data, na primeira reunião, serão definidos os nomes que ocuparão os outros 10 cargos na Direção Executiva além do presidente.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 09/05/2014
  • Fonte: FERVER