Quintas Musicais comemora 50 anos da Tropicália no Sesc Santo André
Unidade realiza shows com grupos e artistas influenciados pelo movimento tropicalista
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 03/09/2018
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O ano de 1968, mesmo após 50 anos, ainda não terminou. Os acontecimentos do final da década de 1960 revolucionaram mundo, deixando marcas pujantes que iniciaram transformações sociais, culturais e intelectuais que ainda reverberam nos dias de hoje. O Brasil estava sob as garras da ditadura militar, os movimentos artísticos buscavam criticar e discutir a realidade brasileira de maneira subjetiva e indireta, uma alternativa à censura praticada pelo regime. O cenário musical estava dividido: de um lado, a cultura pop com Roberto e Erasmo Carlos cultuavam ídolos internacionais como Beatles e Rolling Stones; do outro, a chamada Música Popular Brasileira emitia os sons da Bossa Nova, com acordes de violão solo e letras poéticas. Neste contexto, alinhando-se à realidade brasileira e atenta às manifestações artísticas, surge uma nova expressão: a Tropicália, movimento que codificou elementos artísticos brasileiro em uma nova identidade musical.
No III Festival da Música Popular Brasileira, em 1967, Gilberto Gil e Caetano Veloso deram vida ao movimento com o lançamento das canções Alegria, alegria e Domingo no Parque. Os dois músicos seriam acompanhados por nomes de peso como Os Mutantes, Tom Zé, Gal Costa, Capinan, Rogério Duprat, entre outros. A Tropicália apresenta uma musicalidade original ao explorar ritmos brasileiros como baião, bolero, marcha, música caipira, pop, rock, e outros estilos, que originaram uma sonoridade antropofágica marcante responsável por imprimir novos olhares à sociedade brasileira.
E para homenagear os 50 anos da Tropicália, o Sesc Santo André realiza em setembro shows com artistas influenciados pelo movimento no projeto Quintas Musicais. Realizado desde 2012, o projeto oferece gratuitamente shows temáticos em todas às quintas-feiras do mês. As apresentações acontecem sempre às 20h e são uma ótima opção de lazer após os compromissos, tarefas e rotina diária, para dar às quintas-feiras o tom de véspera do final de semana. Além de shows gratuitos, a unidade também oferece um cardápio temático especial a cada edição do projeto.
O Quintas Musicais – 50 Anos da Tropicália torna-se ainda mais relevante em um momento de grande discussão sobre o futuro da nação. É neste momento em que a obra tropicalista se mostra mais atual do que nunca, tanto pela inovação sonora quanto pelos temas abordados, misturados em uma atmosfera musical brasileira que permite shows cheios de ritmos e festas, assim como boas doses de reflexão. Confira a programação completa.
Quintas Musicais – 50 Anos de Tropicália
Setembro, às quintas-feiras, às 20h.
Grátis. Livre para todos os públicos.
No Palco da Comedoria.
Dia 6/9
Kelly Silva e Paulo Veríssimo em “O Novo Movimento Tropical”.
O show reúne o cantor, violonista e compositor Paulo Veríssimo e a cantora Kelly Silva (Ministério do Samba) acompanhados de Fabio Martinez (baixo) e Leandro Lisi (bateria), apresentando, além de obras autorais, releituras contemporâneas do repertório tropicalista e da Lira Paulistana.
Entre os autores que norteiam a pesquisa dos músicos estão Itamar Assumpção, Caetano Veloso, Luiz Melodia, Tom Zé, Gilberto Gil e tantos outros. O show apresenta também canções da nova safra de compositores influenciadas pelas melodias inovadoras e letras questionadoras do período, entre eles o próprio Paulo Verissimo, Tito Bahiense e Renan Bragatto.
Dia 13/9
Karina Ninni e Banda Vereda Tropical em “Herança Tropicalista”.
Karina Ninni e banda apresentam repertório dos seus dois discos autorais, destacando músicas com influências tropicalistas, além de várias releituras de clássicos da Tropicália e da Pós-Tropicália.
Karina Ninni e sua banda, comandada pelo contrabaixista e diretor artístico Ivan Paiakandes, transita pela Tropicália a partir de seus maiores expoentes como Gil, Caetano e Mutantes, passando por Tom Zé e Jorge Ben até chegar à vanguarda paulistana como nomes que inclusive Karina Ninni dividiu o palco, como Eduardo Gudin e Carlinhos Vergueiro. Intérprete experiente, a paulistana Karina Ninni Em 1998 foi morar em Belém (PA), onde assimilou uma influência riquíssima em referências. Foi lá que, em 2005, lançou seu primeiro CD, Pelo Retrovisor.
Também integrou por cinco anos o grupo Notícias Dum Brasil, comandado pelo compositor Eduardo Gudin (2009 a 2014), com quem gravou um CD (Notícias Dum Brasil 4) e um DVD (Três Tempos) dividindo o palco com grandes nomes como Paulo Vanzolini, Paulinho da Viola, Carlos Lyra, Carlinhos Vergueiro, Elton Medeiros, Ná Ozzetti entre outros. De volta a São Paulo, apresentou-se em diversos espaços culturais como o Centro Cultural São Paulo, a Casa de Francisca, o Espaço 91, rede SESC entre outros. Em 2015, finalizou seu segundo CD solo, Samba do Bem, onde mistura compositores já consagrados, como Délcio Carvalho, Celso Viáfora, Eduardo Gudin, a novos nomes como Douglas Germano, Leandro Dias e Fernando Cavallieri.
Dia 20/9
Dani Mã em “Relembrando a Tropicália”.
O músico baiano Dani Mã apresenta esse show com repertório autoral e também reverencia os grandes ícones da Tropicália que estão gravados em seu DNA artístico.
Daniel Mã reúne uma carreira de discos e parcerias muito interessantes que somam à sua música. O artista produziu, em 2003, seu primeiro álbum: “Para se molhar”. Já em São Paulo, formou o grupo Na Roda e lançou em 2005, o CD homônimo “Na Roda”. Após projetos diversos sempre visando desconstruir estereótipos, o álbum, excêntrico, de 2016, é um diálogo entre o retrô e o moderno, combinando as sínteses criativas de seu caráter multicultural, de acordo com o artista.
Dia 27/9
Bolero Freak, Tropicália ou Panis et Circenses
A banda executa na íntegra esse que é o primeiro álbum do movimento “Tropicália” e um dos mais importantes da música brasileira. Com canções que ficaram no imaginário nacional – como Baby (Caetano Veloso) e Panis et Circencis (Caetano Veloso, Gilberto Gil) – é um show cheio de referências importantes para quem quer entender a nossa história.
Roteirizado e dirigido pela integrante da banda, a cantora e atriz Renata Versolato, o grupo se atentou em criar um espetáculo cheio de cores, ambiências e inserções de textos, numa grande homenagem aos mestres da nossa música popular brasileira. Composta pelos músicos Daniel Lotoy (voz e teclado), Abner Paul (bateria e percussão), Evandro Ferreira (violão e guitarra) e Renato Leite (baixo).