Quilombolas enfrentam isolamento e perdas na produção por falta de ponte segura

Comunidades sofrem há três décadas com travessia precária no rio Pardo, entre Paraná e São Paulo

Crédito: Divulgação

As comunidades quilombolas localizadas na divisa entre São Paulo e Paraná enfrentam dificuldades históricas para escoar sua produção agrícola.

Aproximadamente 640 pessoas, distribuídas entre os quilombos Areia Branca, Estreitinho, Córrego do Franco e Três Canais, dependem de uma ponte improvisada de madeira e cabos de aço para atravessar o rio Pardo.

Construída em 1994 e mantida pelos próprios moradores, a estrutura precária compromete tanto a segurança quanto o transporte dos alimentos cultivados de forma sustentável.

Produção sustentável, mas sem saída para o mercado

As famílias produzem toneladas de banana, pupunha, feijão, laranja e outros alimentos sem uso de agrotóxicos, fogo ou desmatamento. Porém, boa parte dessa produção se perde devido à dificuldade de transporte.

O agricultor Valdecir Batista, morador de Areia Branca, relatou que, apenas entre dezembro e maio, cerca de 500 caixas de banana apodreceram por não conseguirem ser levadas ao destino.

“A ponte não suporta peso, temos que atravessar duas caixas por vez, o que exige até 150 viagens para uma única entrega”, explicou.

Acidentes e improvisos marcam a rotina

Além das perdas econômicas, os moradores convivem com riscos à própria vida. A agricultora Suellen Batista ficou paraplégica após cair da cabeceira da passarela há seis anos. “Desde sempre aquela ponte é só decadência. Escorreguei no escuro e caí”, contou.

Diante da precariedade, algumas comunidades recorrem a alternativas improvisadas. Em Estreitinho, por exemplo, produtores usam um bote inflável para atravessar o rio e até uma tirolesa para transportar alimentos.

A situação levou parte dos agricultores a substituir frutas por gado, já que a colheita não resistia ao tempo de espera para comercialização.

Poder público admite limitações

A questão tem sido discutida entre prefeituras e governo estadual, mas até o momento sem solução definitiva. O promotor Olympio de Sá classificou o cenário como “absurdo” e afirmou que o Paraná se comprometeu a construir estradas para atender as comunidades.

O prefeito de Adrianópolis, Vandir Veterinário (PSD), reconheceu a falta de recursos municipais e disse que a Defesa Civil protocolou pedido ao Exército para instalação de uma ponte emergencial. Já o prefeito de Barra do Turvo, Victor Maruyama (Podemos), afirmou que pretende construir uma ponte de alvenaria, mas não apresentou prazo para conclusão da obra.

Enquanto aguardam uma resposta efetiva do poder público, os quilombolas seguem enfrentando isolamento, perdas na produção e riscos constantes no trajeto que deveria ser o elo entre a vida comunitária e o mercado consumidor.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 31/08/2025
  • Fonte: Sorria!,