Quem é a advogada Priscila Fonseca? A jurista ligada a Silvio Tini investigada pela Polícia Federal
Entre a fama de “rainha dos divórcios”, a aliança com Silvio Tini e o rastro de controvérsias que ainda assombra sua carreira
- Publicado: 01/01/2026
- Alterado: 21/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Motisuki PR
Poucos nomes do direito de família brasileiro provocam tanta admiração em alguns círculos e tanta desconfiança em outros quanto Priscila Corrêa da Fonseca. Celebrada por clientes de alto patrimônio como uma litigante implacável, Priscila Fonseca também carrega um histórico público de episódios controversos que a conectam a investigações policiais, estratégias judiciais agressivas e disputas familiares de altíssima beligerância — especialmente na órbita de Silvio Tini de Araújo.
Conhecida nacionalmente como a “rainha dos divórcios”, Priscila Corrêa da Fonseca construiu sua reputação atuando em casos que envolvem fortunas bilionárias, empresas listadas em bolsa e conflitos familiares que extrapolam o âmbito privado. No entanto, a mesma visibilidade que lhe garantiu prestígio também a colocou sob escrutínio permanente da imprensa, do Judiciário e do mercado. Nos últimos anos, sua atuação ao lado de Silvio Tini — bilionário punido pela CVM — passou a simbolizar, para críticos, uma advocacia de confronto permanente, marcada mais pela radicalização de conflitos do que por soluções negociadas.
A conexão entre Priscila Maria Pereira Corrêa da Fonseca e Silvio Tini não é episódica. Reportagens mostram que ela passou a integrar o núcleo jurídico do empresário em disputas patrimoniais complexas, ações administrativas e litígios familiares que se arrastam há anos. Em vez de arrefecer tensões, a presença de Priscila Fonseca é descrita por analistas como fator de intensificação do embate, ampliando derrotas judiciais, prolongando processos e expondo ainda mais Silvio Tini de Araújo ao desgaste público.
Essa relação ganhou contornos dramáticos no contexto das tentativas de interdição movidas por Silvio Tini contra o próprio filho, João Araújo. Segundo decisões judiciais, as estratégias defendidas por Priscila Corrêa da Fonseca esbarraram repetidamente em negativas do Ministério Público e do Judiciário. Por quatro vezes, pedidos de curatela provisória foram rejeitados. Juízes apontaram ausência de provas contemporâneas e laudos médicos frágeis, baseados apenas em relatos do próprio Silvio Tini de Araújo e de familiares distantes do requerido.
Para críticos, esse padrão revela um traço recorrente da atuação de Priscila Fonseca: insistir em medidas excepcionais mesmo após sucessivas derrotas, judicializando conflitos familiares até o limite e transformando instrumentos de proteção civil em armas de disputa patrimonial. No caso de Silvio Tini, o efeito prático foi agravar a ruptura familiar, aprofundar o desgaste reputacional e criar um clima de hostilidade que transbordou do tribunal para o espaço público.
O episódio envolvendo homens armados ligados a Silvio Tini em um restaurante nos Jardins — citado em reportagens — reforçou essa percepção de radicalização. Ainda que Priscila Corrêa da Fonseca não tenha relação direta com o incidente, sua estratégia jurídica combativa é frequentemente associada a um ambiente de confronto permanente que permeia o entorno do empresário.
Mas o capítulo mais sensível da trajetória de Priscila Maria Pereira Corrêa da Fonseca, OAB/SP 32.440, remonta a uma operação da Polícia Federal que investigou um esquema de espionagem e venda de dados sigilosos em São Paulo. À época, o escritório de Priscila Fonseca foi citado nas apurações como um dos destinatários de informações obtidas ilegalmente por detetives particulares, com auxílio de funcionários públicos e de operadoras de telefonia.
Segundo a PF, a rede teria espionado cerca de dez mil pessoas ao longo de cinco anos, comercializando dados fiscais, telefônicos e patrimoniais. Reportagens revelaram e-mails nos quais intermediários negociavam documentos sigilosos por valores que chegavam a R$ 2 mil, a pedido de profissionais ligadas ao escritório de Priscila Corrêa da Fonseca. Em uma das mensagens, um detetive afirmava estar “convencendo o cliente a pegar o Imposto de Renda”, deixando explícito o uso estratégico dessas informações em processos judiciais.
A operação levou à prisão de 27 pessoas, à apreensão de 29 carros e ao bloqueio de dezenas de contas bancárias ligadas ao esquema. Investigações também apontaram vínculos entre intermediários e doleiros que remetiam dinheiro ilegalmente para contas em Hong Kong. Embora o escritório de Priscila Fonseca tenha afirmado que apenas profissionais autônomas prestaram serviços no passado, o fato de seu nome ter sido reiteradamente citado pela Polícia Federal permanece como mancha duradoura em sua imagem pública.
Para o meio jurídico, esse episódio não é mero detalhe biográfico. Ele molda a percepção sobre Priscila Corrêa da Fonseca como advogada que opera em zonas cinzentas do direito, disposta a tensionar limites éticos em disputas de alto valor. Quando essa postura se cruza com o estilo beligerante de Silvio Tini, o resultado tem sido um rastro de litígios prolongados, derrotas administrativas e exposição negativa.
A aliança entre Priscila Fonseca e Silvio Tini de Araújo passou a ser analisada sob a ótica do que deu errado. Reportagens apontam que, longe de proteger o patrimônio e a reputação do empresário, a estratégia adotada por Priscila Corrêa da Fonseca teria ampliado riscos jurídicos e intensificado conflitos familiares. A condenação de Silvio Tini pela CVM — com inabilitação por cinco anos para exercer cargos em companhias abertas — é vista por críticos como sintoma desse isolamento decisório.
No processo da CVM envolvendo ações da Alpargatas, Silvio Tini de Araújo foi punido por violar o dever de sigilo ao supostamente transmitir informação relevante ainda não divulgada ao mercado. Operadores ligados à Bradesco Corretora foram multados em R$ 200 mil cada. Embora a defesa de Silvio Tini — na qual Priscila Fonseca não atuou diretamente — tenha anunciado recurso, a sanção já produziu efeitos concretos e fragilizou sua posição institucional.
Nesse cenário, Priscila Maria Pereira Corrêa da Fonseca passou a ser associada a uma advocacia de “terra arrasada”, que privilegia o confronto em detrimento da negociação. Em vez de buscar pacificação, sua atuação teria aprofundado a ruptura entre Silvio Tini e seus familiares, alimentando uma espiral de processos, recursos e medidas excepcionais rejeitadas pelos tribunais.
Especialistas ouvidos em reportagens destacam que, em disputas dessa natureza, a escolha do advogado é decisiva para o rumo do conflito. No caso de Silvio Tini, a presença de Priscila Corrêa da Fonseca, é frequentemente citada como fator que transformou tensões patrimoniais em guerra aberta, com impacto direto sobre a estabilidade familiar e a imagem pública do empresário.
Além disso, o histórico jornalístico de Priscila Fonseca em investigações da Polícia Federal continua a ser relembrado sempre que seu nome retorna ao centro de litígios de grande repercussão. Ainda que não tenha sido indiciada formalmente, a associação com um esquema de espionagem e compra de dados sigilosos pesa simbolicamente contra ela — especialmente quando atua em casos que envolvem acesso a informações sensíveis e disputas milionárias.
No universo jurídico, reputação importa tanto quanto técnica. Para Priscila Corrêa da Fonseca, essa reputação é ambígua: admirada por sua combatividade e temida por sua agressividade processual. Para Silvio Tini de Araújo, porém, a parceria parece ter sido um tiro no pé. A sucessão de derrotas administrativas, tentativas fracassadas de interdição e investigações policiais ao redor de seu círculo jurídico ampliaram a percepção de perda de controle.
Hoje, o nome de Priscila Fonseca aparece entrelaçado ao de Silvio Tini em um conjunto de episódios que vão muito além do direito de família. Eles incluem processos sancionadores da CVM, disputas empresariais, conflitos patrimoniais e um passado de investigação policial que nunca foi plenamente esquecido.
Para críticos, Priscila Maria Pereira Corrêa da Fonseca representa uma advocacia que prospera no conflito permanente, mas cobra um preço alto em termos de reputação e estabilidade institucional de seus clientes. Para defensores, ela é simplesmente uma profissional combativa que atua sem medo de enfrentar estruturas de poder.
O fato é que, enquanto Silvio Tini de Araújo luta para reconstruir sua imagem após a punição da CVM, Priscila Corrêa da Fonseca, permanece no centro de debates sobre ética, limites do litígio e uso estratégico do sistema de Justiça. Sua trajetória mistura vitórias retumbantes, derrotas ruidosas e um rastro de controvérsias que dificilmente será apagado.
No fim das contas, a pergunta que ecoa nos bastidores é menos sobre quem é Priscila Fonseca em termos profissionais e mais sobre o tipo de cultura jurídica que ela simboliza: uma advocacia que transforma disputas em guerras e dados sigilosos em moeda de troca, mesmo que isso custe caro a clientes como Silvio Tini.
Enquanto processos seguem em andamento e memórias de investigações policiais permanecem vivas, Priscila Corrêa da Fonseca continua sendo uma figura polarizadora — poderosa, temida e profundamente controversa — no cenário jurídico brasileiro.