Quedas de energia paralisam indústrias do ABC mesmo sem chuvas fortes

Empresários de Ribeirão Pires relatam prejuízos, interrupções frequentes de energia e cobram investimentos estruturais da Enel para garantir estabilidade no fornecimento elétrico

Crédito: Queda energia indústria abc

As constantes quedas e oscilações no fornecimento de energia elétrica em Ribeirão Pires têm causado prejuízos expressivos às indústrias instaladas no município, especialmente na região do Jardim Caçula e no entorno do distrito industrial às margens da Rodovia Índio Tibiriçá (SP-031). Empresários relatam que as interrupções ocorrem mesmo sem a incidência de chuvas fortes ou eventos climáticos extremos, evidenciando fragilidades estruturais na rede elétrica operada pela concessionária Enel.

O problema se arrasta há anos, mas se intensificou nos últimos meses, afetando diretamente processos produtivos, prazos de entrega, faturamento e a manutenção de empregos. Máquinas sensíveis, que dependem de fornecimento contínuo de energia, são desligadas repetidas vezes, provocando perdas de matéria-prima, paralisações prolongadas e aumento dos custos operacionais.

Paradas frequentes e impacto direto na produção

Entre os relatos apresentados ao poder público, empresários detalharam a gravidade da situação enfrentada diariamente. Luís Pini, representante industrial, afirmou que há mais de dois anos sua empresa sofre com quedas constantes e baixa tensão na rede elétrica. Segundo ele, somente no último ano foram registradas mais de 120 interrupções no fornecimento de energia, comprometendo seriamente a operação da fábrica.

“Há mais de dois anos que a gente está tendo muitas quedas de energia, baixas tensões. No último ano eu fiz um levantamento e tive mais de 120 paradas de interrupções de energia lá na empresa”, relatou Pini. Ele acrescentou que, em razão das falhas, cerca de 150 funcionários chegam a ser dispensados temporariamente, gerando atrasos na produção e prejuízos financeiros significativos.

Outro agravante apontado é o tempo de resposta da concessionária. Segundo os empresários, mesmo quando a energia é restabelecida, a solução costuma ser temporária. “Às vezes resolve, mas é temporário. Daqui um ou dois dias a gente tem de novo baixa tensão, quedas constantes”, afirmou Pini, destacando que o problema exige investimentos de médio e longo prazo.

Processos industriais comprometidos com quedas rápidas

Na Máximus Embalagens Especiais, o impacto das oscilações elétricas é ainda mais sensível. O representante da empresa, Marcio Grazino, explicou que mesmo quedas de poucos segundos são suficientes para interromper todo o processo industrial. “Com pequena queda de energia, quando ela volta na sequência, já atrapalha todo o processo industrial”, afirmou.

A empresa opera com extrusoras de plástico, máquinas que dependem de aquecimento contínuo e levam tempo para retomar o funcionamento após interrupções. De acordo com Grazino, somente em 2024 foram registradas 126 horas de paradas de máquina por falta de energia. Em 2025, antes mesmo do último episódio climático, já haviam sido contabilizadas 72 horas de interrupção.

“Esse último evento nos deixou praticamente quatro dias inoperantes. A energia vinha e voltava. Era impossível tocar os equipamentos”, relatou. Segundo ele, o histórico de ocorrências aponta para um circuito elétrico comprometido, que não acompanha o crescimento industrial da região.

Geradores aliviam parcialmente, mas elevam custos

Para reduzir os impactos, algumas empresas recorreram ao uso de geradores. No entanto, a solução é limitada e onerosa. Na Máximus Embalagens, o equipamento consegue atender apenas cerca de 30% da capacidade produtiva da fábrica. “O gerador não dá conta. A gente trabalha processos intermediários, mas não consegue concluir o produto final para faturar”, explicou Grazino.

Além disso, os custos com combustível são elevados. Em um único episódio recente, a empresa gastou mais de R$ 2 mil em diesel, sem conseguir gerar faturamento. “São 56 pessoas paradas, sem conseguir faturar. O prejuízo diário é muito grande”, afirmou.

Situação semelhante é enfrentada por outras indústrias da região, que relatam gastos diários superiores a R$ 1,5 mil com geradores, além de restrições de horário devido ao barulho dos equipamentos, especialmente no período noturno.

Prefeitura articula cobrança por investimentos

Diante do cenário, a Prefeitura de Ribeirão Pires tem buscado atuar como mediadora entre os empresários e a concessionária. Em reunião recente com o setor produtivo, o prefeito Guto Volpi destacou que o problema afeta não apenas as indústrias, mas também os moradores da cidade.

“A Enel afeta a indústria e também as residências. Estamos lutando para buscar soluções. Esse é só o começo de uma grande crise de energia e hídrica, que precisa ser enfrentada com responsabilidade e planejamento”, afirmou o prefeito.

Como encaminhamento, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Empreendedorismo iniciou um levantamento detalhado sobre o número de empresas afetadas, faturamento e empregos gerados no distrito industrial. A intenção é utilizar os dados para fortalecer a cobrança por investimentos estruturais junto à concessionária e aos órgãos reguladores.

Empresários se unem por soluções definitivas

Paralelamente às ações do poder público, empresários da região têm se organizado para ganhar força nas reivindicações. Um grupo de indústrias de Ribeirão Pires vem compartilhando relatórios, registros de quedas e dados de prejuízos acumulados ao longo dos últimos anos.

“Não pode ventar e acabar a energia. Não pode garoar e acabar a energia. Qualquer fenômeno, mesmo fraco, derruba o fornecimento”, afirmou Grazino, ao apresentar um relatório com datas, horários e duração das interrupções.

Os empresários defendem que a concessionária já conhece os problemas do circuito, mas tem posterg

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 17/12/2025
  • Fonte: FERVER