Quando a conta não fecha, o consumo se adapta
CEO da Vestcasa, Ahmad, analisa que com renda apertada e juros altos, brasileiros mudam hábitos de consumo e buscam alternativas como clubes de compra.
- Publicado: 07/04/2026 15:01
- Alterado: 07/04/2026 15:02
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: Vestcasa
O salário entra, as contas saem, e o mês ainda nem acabou. Essa situação é rotina para milhões de brasileiros. Mesmo com indicadores apontando queda do desemprego e aumento da renda, o dinheiro segue não sendo suficiente até o fim do mês muitos lares, e, com isso, se observa uma mudança na forma como as pessoas compram, planejam e consomem.
A inflação acumulada nos últimos anos elevou o custo de vida, enquanto a renda não acompanhou o mesmo ritmo para grande parte da população. O resultado é um orçamento mais esticado, cheio de escolhas difíceis. Entra mês, sai mês, a pergunta se repete: o que dá para comprar agora e o que vai ter que esperar?
Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que 79,5% das famílias brasileiras estão endividadas em janeiro deste ano, praticamente oito em cada dez lares. E isso inclui dívidas comuns do cotidiano: cartão de crédito, carnê de loja, empréstimos pessoais, cheque especial e financiamentos.
Esse peso fica ainda maior quando se olha para os juros. Com taxas elevadas, parcelar deixou de ser solução automática e passou a exigir cautela. Aquela compra feita “em suaves prestações” hoje pode significar meses ou anos de aperto, principalmente para quem ganha até três salários-mínimos.
Diante disso, o consumidor brasileiro não deixou de consumir, mas passou a fazer isso com mais estratégia. Planejamento virou palavra de ordem. É nesse momento que os modelos de clubes de compra por assinatura, como o Clube Vestcasa, passaram a fazer sentido por oferecer algo essencial: previsibilidade. O desconto não depende da sorte de encontrar a promoção certa ele já faz parte da regra.
O estudo global Consumer Outlook: Guide to 2026, da NIQ (NielsenIQ), confirma essa mudança de comportamento: 44% dos consumidores brasileiros adotam hábitos mais cautelosos ao realizar compras de casa. Já a pesquisa sobre Experiência do Cliente PwC 2025 reforça esse movimento ao revelar que 52% dos consumidores deixaram de comprar de uma marca após uma experiência ruim com seus produtos ou serviços — evidenciando que o valor percebido hoje vai além do preço e está diretamente ligado à entrega consistente de qualidade e confiança.
Na prática, cada gasto precisa fazer sentido, tanto financeiramente quanto na experiência gerada. Isso vale especialmente para produtos de uso recorrente, como itens para casa, limpeza, cama, mesa e banho, que pesam no orçamento mês após mês.
Como resposta ao novo comportamento do consumidor, o Clube Vestcasa surge com uma proposta simples, mas estratégica: ampliar o acesso a produtos de qualidade que, no varejo tradicional, costumam ter preço mais elevado, como vinhos, queijos e itens para casa, e incorporá-los ao dia a dia com condições mais vantajosas.
Mais do que oferecer desconto, o modelo parte de um princípio de que a empresa define como “democratização do acesso”: tornar recorrentes e acessíveis produtos que muitas famílias pagariam muito mais caro em outros mercados.
Com uma assinatura anual de baixo custo (a partir de R$ 70), os sócios têm acesso a preços reduzidos em produtos de uso recorrente, com economias que podem chegar a 70% em relação ao varejo tradicional. Uma vez associado, o cliente pode realizar suas compras nas lojas utilizando cartão de débito, crédito ou dinheiro, conforme as condições de parcelamento disponíveis em cada unidade.
“O brasileiro não deixou de consumir, ele passou a comprar melhor. Hoje, cada compra precisa ter propósito, precisa valer a pena. Quando o orçamento aperta, o consumidor procura previsibilidade. Ele quer saber que está pagando um preço justo hoje e que não vai se arrepender amanhã”, afirma Ahmad, CEO da Vestcasa.
Clube Vestcasa está presente em diversas regiões do país
Hoje, o Clube Vestcasa reúne cerca de 1,5 milhão de sócios, presentes em praticamente todas as regiões onde a empresa atua, com adesão de consumidores das classes A, B, C e D. Em cidades como São Paulo, há registros de sócios em quase todas as ruas, um sinal de que a proposta dialoga com realidades muito diferentes.
Há ainda um efeito menos óbvio, mas cada vez mais presente: parte dos sócios usa o acesso a preços mais baixos como forma de complementar renda. Compram produtos em condições vantajosas e revendem em marketplaces ou no comércio local, criando uma espécie de atacado não alimentar descentralizado.
CEO da Vestcasa destaca sucesso do clube de compras
“Muita gente encontrou no Clube uma forma de fazer o dinheiro render mais, seja economizando dentro de casa, seja gerando renda extra. Isso é reflexo direto do momento econômico: as pessoas estão buscando soluções reais, não promessas”, avalia Ahmad.
A ascensão de clubes de compra como o da Vestcasa não representa uma ruptura com o varejo tradicional, mas uma adaptação a um novo momento. O consumo no Brasil ficou menos aspiracional e mais pragmático. Comprar bem passou a significar comprar com consciência.
Com juros elevados, crédito restrito e inflação ainda presente no cotidiano, a tendência é que o consumidor continue buscando formatos que ofereçam eficiência, transparência e economia real — não como tendência passageira, mas como resposta direta ao cenário econômico.