Quando a insegurança começa a minar uma relação
Não há nada mais tranquilizador do que saber que o(a) parceiro(a) estão apaixonados por nós. Porém, quando isso não se exprime em atos, passamos a imaginar que palavras são apenas palavras
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 25/04/2016
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
A base de uma relação harmoniosa, entre outras coisas, está onde ambos estão seguros do que sentem um pelo outro e, os dois, tem a certeza de que são amados um pelo outro. Porém, quando este amor não se torna tão evidente e brechas são deixadas pelo caminho, surgem inseguranças por parte de quem não se sente amado e isso começa a minar a relação, pois aquele que se sente relegado a um segundo plano começa a desenvolver uma paranoia de que irá perder seu objeto de afeição.
Todo mundo já viu um casal de namorados e o comportamento que eles têm um para com o outro. Eles estão felizes, radiantes, não veem a hora de estar juntos para celebrar o amor. E se isso acontece com jovens e adolescentes, imagine então com pessoas adultas, que não tem os impedimentos familiares e sociais para interditar o romance. É de se imaginar que uma relação deste tipo pegue fogo, que o mundo pareça que vai acabar.
É nesta fantasia, a da realização de um amor ideal, que todos nós embarcamos e, se estamos dentro deste barco, é natural que precisemos que nosso parceiro ou parceira corresponda a esta fantasia amorosa. Porém, um dos parceiros não corresponde a isso, ele ou ela, protela encontros, valoriza outros compromissos e coloca o outro em segundo lugar. Toda aquela ansiedade pelo próximo encontro desmorona as dúvidas quanto ao amor começam a surgir e a fantasia do romance ideal começa a quebrar.
É neste momento que se instala como um muro entre o casal a dúvida quanto ao envolvimento de cada um. Aquele que fantasia amar mais, que se dedica mais passa a ver sua projeção em relação ao amor que o outro deveria retribuir em igual quantidade partida. Surge a insegurança, as dúvidas, a não satisfação e com ela a paranoia de que a relação está prestes a se desfazer. Então aquele que sente protelado começa a fazer “checagens de paixão”. Torna-se, como alguém diria “grudento”, pede constantes provar de dedicação e à medida que não é correspondido como espera, aumenta ainda mais sua paranoia.
Não é a primeira vez que falo que nós fantasiamos o tempo todo. Fantasiamos sobre aquilo o que desejamos e fantasiamos saber o que o outro deseja para si mesmo. O fato é que em nossa fantasia sempre há lugar para a instauração de uma neurose e, no caso específico deste artigo, a Fobia.
Quem não se sente amado tanto quanto gostaria sente medo de perder sente medo de voltar a situação inicial, na qual não era amado ou amada. Operando na fobia paranoica, quem está em falta começa a imaginar o que o parceiro ou a parceira estará fazendo. Geralmente fantasiamos que o outro fará aquilo que na verdade nós somos capazes de fazer.
Se você se torna ciumento e passa a imaginar que a todo momento seu amado ou sua amada podem estar na cama com outro é porque você provavelmente seria capaz e deseja isso. Deslocamos o tempo todo e todo o tempo. Mas enquanto surtados somos incapazes de perceber.
O fato é que como seres humanos comuns, temos a necessidade de obter provas, sempre que possível de que “ainda” somos amados pelo parceiro e pela parceira.
Ouvir um “eu te amo” pelo telefone ou pelo WhatsApp não tem um efeito tão duradouro quanto ouvir estas palavras após um orgasmo, olhando nos olhos de quem se acredita amar. A necessidade que todos nós temos de ter a certeza de que somos amados por alguém é ao mesmo tempo uma benção, mas também pode ser um motivo de constante frustração.
Então, cuidado com os sinais que você anda dando ao seu parceiro ou a sua parceira. Você pode imaginar que ele ou ela está seguro daquilo que você sente, mas a coisa pode estar caminhando numa direção completamente oposta e os resultados podem ser catastróficos. Um cancelamento de encontro, seja por que motivo for, pode alimentar a paranoia e resultados inesperados podem acontecer, como se o paranoico ou a paranoica estivem provando a si mesmos que ainda são amados, recordando fatos antigos ou recentes que assegurem a fantasia que criou.
Se falamos até agora sobre quem vive pedindo provas de amor para aplacar sua insegurança, poderíamos também falar sobre quem está do outro lado e começa a se ver cobrado ou cobrada destas provas de amor.
A tendência é que esta pessoa inicialmente se coloque numa posição de atender à demanda do Outro, mas, passado algum tempo, as cobranças passam a se tornar aborrecidas e a visão de um ser inseguro e paranoico na vida desta pessoa passa a se tornar insuportável.
Portanto, se você está em um relacionamento, trata de amar e dar demonstrações de amor que deixem seu parceiro ou sua parceira satisfeitos. Caso contrário, em vez de um namorado ou namorada você terá ao seu lado um cãozinho faminto, abanando o rabo em busca de um carinho na barriga como prova definitiva do quanto é amado por seu dono.