Qualidade da saúde melhora no Brasil, mas futuro preocupa, diz Ipsos
Pesquisa do Ipsos Health Service Report 2025 mostra a satisfação dos entrevistados quanto à qualidade da Saúde, mas apresenta pessimismo quanto às melhorias futuras na assistência médica
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 13/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O mais recente Relatório sobre os Serviços de Saúde 2025, o Ipsos Health Service Report 2025, em sua sétima edição, traz números que indicam que no Brasil houve aumento da percepção sobre a qualidade da saúde, com alta de 15 pontos percentuais, já que, em 2018, 18% dos entrevistados apontaram como boa ou muito boa, percepção que passou para 34% em 2025.
Contudo, ao olhar para o futuro, os números são menos favoráveis, isso porque quando as melhorias futuras na assistência médica é o alvo do questionamento, a variação é negativa, e dos 61% que apostavam no otimismo em 2018, neste ano, o percentual caiu para 57%, e no Brasil o percentual é ainda menor, 43%.
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Já sobre a percepção quanto ao custeio de uma boa assistência à saúde, mais um número que mostra certo pessimismo, já que 80% acreditam que a população brasileira não pode bancar esse tipo de serviço. Assim, a mostra serve de monitor sobre as percepções de 30 países sobre o sistema de saúde e seus desafios, o que inclui o Brasil.
Serviço público
No entanto, ao trazer o enfoque para o serviço público de Saúde, o ABCdoABC ouviu a ex-secretária da Saúde de São Caetano do Sul e atual vice-prefeita, a médica Drª. Regina Maura Zetone (PSD), que reconhece a superioridade do serviço de saúde privado.
“A sensação de quem usa o sistema público é muito pior do que essa que as pessoas acham, revelaram nesta pesquisa. Acho que existe uma sensação de menos cobertura do que a gente vê nessa pesquisa”, lamenta a médica.
A vice-prefeita entende que, apesar de São Caetano ser uma cidade pequena e conseguir reunir os principais serviços com mais qualidade que em outros municípios, em seu ponto de vista, a população segue a mesma tendência da pesquisa.
Percepção de pessimismo
“Eu acho que ainda fica, embora seja mais próxima com essa visão, mas ainda fica um pouco para trás. Eu acho que aqui o otimismo é menor do que os 43%, mesmo em São Caetano”, sugere a doutora.
Com uma carreira consolidada na Saúde, Drª. Regina Maura entende a instantaneidade dos resultados e realização de exames que a população busca e, que muitas vezes, quase sempre, não alcançam, mas pontua algumas melhorias do sistema de Saúde Público.
“A população enxerga o imediatismo, é aquilo que ela está precisando no momento. Então, o Sistema Único de Saúde (SUS) não me atende porque eu precisei fazer um ultrassom e eu demorei três meses, quatro meses. Só que o SUS tem uma evolução que as pessoas não percebem, que é a oferta das novas tecnologias que são inseridas no mercado, que estão sendo colocadas no SUS, por exemplo, as vacinas”, esclareceu a pessedista.
Na mesma pesquisa Ipsos Health Service Report 2025, as vacinas também receberam seus pareceres e, neste quesito, a confiança dos entrevistados apontaram que 70% dos brasileiros entendem que a vacinação contra doenças infecciosas graves deveria ser obrigatória, outros 13% discordam, mas o resultado coloca o Brasil no ‘top five’ – os cinco que mais – concordam com o tema.
De acordo com a doutora, o SUS já incorporou a vacinação contra a bronquiolite para as gestantes do sistema, além da inserção da ACWY, vacina contra meningite, mas reconhece que o sistema ainda fica devendo, porém, apontou o ingresso de medicamentos como essenciais para o tratamento de doenças graves.
“Ainda falta alguma coisa para melhorar a questão da meningite, falta a tipo D. Mas, o avanço de medicamentos modernos contra o câncer, por exemplo, também foram incorporados e fornecidos pelo SUS, que mudam o evoluir das doenças no SUS”, elucidou ela.
No entanto, segundo a vice-prefeita, um dos pontos que podem definir a evolução do paciente ou sua involução precisa de mais atenção e agilidade.
“Tem uma grande falha ainda na questão do diagnóstico, no atraso do diagnóstico. Esse tipo de investimento está faltando para o diagnóstico conseguir ser feito mais precocemente das doenças no geral, especialmente doenças mais raras, doenças mais graves”, pede a política.
Impactos da demora
Drª. Regina Maura explicou que entre um exame e outro, de colesterol ou Papanicolau, a demora na realização de um ultrassom não tem um impacto muito significativo, entretanto, ao falar sobre doenças como câncer, a celeridade e a busca por um diagnóstico rápido e preciso pode ser determinante para um tratamento eficaz e um prolongamento da vida do paciente e, neste quesito, segundo ela, São Caetano não sofre tanto.
“Agora, se demorar para fazer uma biópsia depois de uma mamografia, aí impacta. E às vezes, esses diagnósticos dependem também dos municípios. Então, nesse ponto, São Caetano tem uma vantagem, porque já tem à disposição, até com custeio próprio, o que não seria da obrigação do município, alguns exames, alguns diagnósticos que aceleram para o tratamento ser introduzido mais precocemente em várias doenças. Então, eu acho que o SUS evoluiu muito e em São Caetano consegue ser mais eficaz do que em muitos municípios”, celebra a médica.
Assim, municípios com orçamentos mais vultosos podem se dedicar aos investimentos na Saúde, já cidades menores ficam na dependência de repasses de verbas dos Governos Estadual e Federal, o que torna a autonomia da Saúde mais complicada e dificulta a oferta de serviços.
Por fim, a médica apontou as evoluções do SUS e que ao ser implantado um protocolo, os sistema privado é obrigado a seguir. “Acho que nesses aspectos, disponibilidade de métodos diagnósticos modernos, novos medicamentos, terapias-alvo, as terapias com imunobiológicos que o SUS vem fornecendo, inclusive, para doenças que não são câncer, enfim, os medicamentos para transplantados, toda alta tecnologia que vem sendo fornecida pelo SUS também é percebida pelas pessoas“, percebe ela, que conclui:
“E as pessoas antes não tinham acesso, nem no plano de saúde, o que é também um avanço, porque uma vez que o SUS incorpora no seu sistema, as operadoras de saúde também são obrigadas a fornecer alguns medicamentos que também não forneciam antes”, esclareceu a vice-prefeita de São Caetano do Sul.