PT busca apoio do Centrão em meio a impasse na economia
Lideranças petistas consideram mudanças estratégicas no governo para conter a crise, mas enfrentam resistência interna e cautela do presidente Lula
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 30/01/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Em meio a um cenário econômico desafiador e à crescente preocupação com a possibilidade de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026, membros da ala pragmática do Partido dos Trabalhadores (PT) têm buscado alternativas para reestruturar o governo. Essas iniciativas, no entanto, esbarram na resistência do presidente e na forte influência da ala mais à esquerda do partido.
Nos últimos dias, a busca por apoio junto aos líderes do Centrão se intensificou. Os petistas expressam receio de que os problemas econômicos e uma política governamental enfraquecida possam se agravar ainda mais ao longo deste ano, tornando a reeleição de Lula uma meta cada vez mais difícil de alcançar.
Em conversas com os principais líderes partidários do Congresso, ficou evidente que uma mera troca de ministros — o que poderia ser interpretado como uma simples reforma ministerial — não seria suficiente para restaurar a credibilidade do governo. Os líderes centristas defendem que é necessário implementar um “freio de arrumação” significativo, que envolva ações concretas voltadas tanto para o mercado financeiro quanto para o ambiente político.
Troca de ministros entra na pauta
Diante dessa conjuntura, um membro do PT levantou a questão sobre quais ações poderiam ser efetivamente realizadas. Segundo informações apuradas, a proposta sugerida pelos integrantes do Centrão envolve a troca dos ministros: Fernando Haddad assumiria a Casa Civil, enquanto Geraldo Alckmin ocuparia a Fazenda. Essa mudança seria vista como uma forma de renovar o compromisso do governo Lula, trazendo Alckmin, um político identificado com o Centrão durante a campanha eleitoral de 2022, que possui uma visão fiscal conservadora e mantém boas relações com o setor privado.
Por outro lado, Haddad tem enfrentado dificuldades para avançar com sua agenda na Fazenda, em parte devido à resistência interna dentro do próprio PT. A relação conturbada entre Haddad e o atual ministro da Casa Civil, Rui Costa, tem contribuído para a deterioração desse quadro.
Líderes do Centrão sugerem que promover Haddad à Casa Civil poderia fortalecer sua posição como sucessor natural de Lula. No entanto, Gilberto Kassab, presidente do PSD, discorda dessa análise. Em um encontro recente com investidores, Kassab qualificou Haddad como um “ministro fraco” e criticou sua capacidade de liderança.
A situação no Congresso em 2025 também é motivo de preocupação para o núcleo duro do Centrão, que alerta sobre os desafios relacionados às emendas e à comunicação com o Palácio do Planalto.
O principal obstáculo para qualquer mudança continua sendo o próprio presidente Lula. Ele tende a adotar um ritmo cauteloso em relação às alterações no governo e demonstra grande apreço por Rui Costa, sem indícios claros de que está disposto a promover essa substituição. Enquanto isso, Haddad anunciou que o governo está avaliando mudanças nas regras relacionadas ao vale-alimentação e ao vale-refeição.