PSL de Bolsonaro foi o mais fiel a Temer neste ano
Partido do presidenciável Jair Bolsonaro, o PSL foi a legenda mais fiel ao governo Temer em votações na Câmara dos Deputados ao longo do primeiro semestre deste ano.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 25/07/2018
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Levantamento da consultoria Arko Advice mostra que os parlamentares da sigla – atualmente oito, incluindo Bolsonaro – acompanharam o governo em 67,73% das votações. Em seguida aparece o MDB (64,34%) – partido de Temer, que tem como pré-candidato ao Palácio do Planalto o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles.
O comportamento do PSL contrasta com as críticas que o presidenciável vem fazendo ao atual governo. Foram analisadas 107 votações de interesse do Planalto. O PSDB, do pré-candidato Geraldo Alckmin, aparece como terceiro mais alinhando ao governo com um índice de 63,05% das votações.
Os demais partidos com pré-candidatos na corrida presidencial aparecem com índices menores que 30%. O PDT de Ciro Gomes, por exemplo, acompanhou o governo em apenas 23% das votações, enquanto a Rede, de Marina Silva, em 18,4%, e o PT, em 5,27%.
O PSL votou com o governo, por exemplo, na lei que permitiu a venda direta de petróleo do pré-sal – todos seus oito deputados disseram sim à medida. Votaram contra PSB, PDT e PCdoB, enquanto PT, PSOL e Rede obstruíram a votação.
A proposta aprovada permite a venda direta do petróleo de propriedade da União extraído do pré-sal. Até então, a estatal Pré-Sal Petróleo S/A (PPSA), criada para administrar a produção, era obrigada a contratar empresas especializas para intermediar essa comercialização. O partido também derrubou, junto com o governo, destaques sobre a cessão onerosa da Petrobrás.
Os deputados do PSL também votaram com Temer na abertura de crédito especial de R$ 439,5 milhões a diversos órgãos do Executivo. Nessa matéria, PT, PCdoB, PSOL e Rede obstruíram a votação. Já na aprovação do texto-base do cadastro positivo, apenas três deputados do PSL votaram “sim” com o governo. A matéria passou com 273 deputados favoráveis e 150 contrários. Procurado, o líder do PSL na Câmara, deputado Delegado Francischini (PR), não foi localizado pela reportagem.
De acordo com a consultoria, o índice de fidelidade ao governo na Câmara vem diminuindo desde que Temer assumiu, em maio de 2016. Era de 57,27% e caiu para 47,27% no primeiro semestre deste ano. Para o cientista político da Arko Advice Cristiano Noronha, o dado evidencia o desgaste do governo. “Temer chegou forte, mas há um desgaste em que ele sofreu ao ter de evitar duas denúncias (apresentadas pela Procuradoria-Geral da República). É um governo que tem um índice de popularidade baixo e que não tentará a reeleição”, afirmou.
Orientação
Levantamento feito pelo Estadão/Broadcast também apontou que o PSL foi o que mais liberou seus deputados nos últimos dois meses para que votassem como quisessem em projetos considerados importantes pelo governo, principalmente na área econômica, como a cessão onerosa da Petrobrás, a aprovação de crédito de quase R$ 1 bilhão para ministérios e a privatização de distribuidoras de energia da Eletrobrás no Norte e Nordeste.
Desde abril, quando aumentou sua bancada, as orientações de posicionamento do PSL durante as votações eletrônicas caíram mês a mês – em abril, a sigla orientou 86% das votações eletrônicas: 24 de um total de 28. Em maio, essa participação caiu para 64%, chegando a 52% em junho e 37% em julho. PT, MDB, PSDB e DEM orientaram em 100% das votações. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.