PSDB se reestrutura e aposta em fusão com o Podemos para manter relevância

Fusão com o Podemos e possível federação com o Solidariedade são apostas do PSDB para evitar esvaziamento e tentar se reposicionar como alternativa ao lulismo e ao bolsonarismo.

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Diante da perda de protagonismo no cenário político nacional, o PSDB caminha para uma fusão com o Podemos. A expectativa é de que o anúncio oficial da união entre as duas siglas ocorra em até duas semanas. A proposta inclui ainda uma futura federação com o Solidariedade, em uma tentativa de reposicionar o partido no espectro político, oferecendo uma alternativa à polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A nova formação busca preservar a identidade histórica do PSDB e fortalecer sua base eleitoral com recursos ampliados, evitando ser absorvido por partidos maiores. Segundo líderes tucanos, o projeto visa reerguer o partido que, nos anos 1990, chegou ao auge com 99 deputados federais, sete governadores e 16 senadores, mas que hoje soma apenas 13 deputados e nenhum senador. A fusão deve culminar na criação provisória da sigla #PSDB+Podemos, sob a presidência da deputada Renata Abreu (SP).

Resistências internas e ameaças de debandada

A proposta de união, no entanto, encontra resistência interna. Os governadores Eduardo Leite (RS) e Eduardo Riedel (MS) pressionam por mais estrutura para disputar as eleições e avaliam convites de outras siglas, como o PSD e o Republicanos. Leite já sinalizou que pode seguir o mesmo caminho de Raquel Lyra (PE), ex-tucana agora no PSD. Riedel, por sua vez, considera uma migração para o Republicanos, o que poderia levar consigo parte expressiva da bancada tucana e várias prefeituras.

A direção nacional do PSDB tenta conter o movimento de saída argumentando que a nova formação partidária terá maior acesso ao fundo eleitoral e partidário do que siglas como MDB e PSD. Além disso, acredita-se que uma federação com o Solidariedade poderia resultar em uma base de 33 deputados, sete senadores e três governadores.

Alianças estratégicas e obstáculos regionais

Antes de apostar na união com o Podemos, o PSDB tentou construir alianças com diversas legendas, incluindo MDB, PSD, PDT e Republicanos. Essas articulações, no entanto, esbarraram em divergências regionais e ideológicas. Um exemplo foi a dificuldade de Aécio Neves (PSDB-MG) em se alinhar ao PSD em Minas Gerais, e de Marconi Perillo, presidente nacional do PSDB, em negociar com o MDB em Goiás.

A negociação com o Republicanos também foi considerada promissora, mas esfriou após o partido sinalizar preferência por incorporar o PSDB sem alterar sua estrutura programática. Agora, essa possível aproximação está sendo postergada, podendo voltar à pauta em uma etapa futura, após a fusão com o Podemos ser consolidada.

Segundo lideranças tucanas, o projeto em construção busca representar o eleitorado que não se identifica com os extremos políticos do país. “Estamos construindo um novo caminho para o centro democrático brasileiro”, declarou Aécio Neves, reforçando a intenção de lançar uma candidatura presidencial alternativa em 2026.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 18/04/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo