PSDB paulistano expulsa Goldman, Saulo e mais 15 por "traição"

"Não tem ninguém com condição moral no PSDB de me expulsar de lugar nenhum”, reagiu Goldman. Ele foi informado pela Coluna do Estadão da decisão do diretório municipal

Crédito: George Gianni/ PSDB

Em meio a uma profunda crise interna, agravada pelo resultado do primeiro turno das eleições, o diretório municipal do PSDB em São Paulo decidiu nesta segunda-feira, 8, expulsar sumariamente do partido o ex-governador Alberto Goldman, o secretário estadual de Governo, Saulo de Castro, e outros 15 filiados por “infidelidade partidária” nas campanhas de João Doria ao governo paulista e de Geraldo Alckmin a presidente. Cabe recurso ao diretório estadual.

Por unanimidade, 12 membros da executiva municipal tucana, controlada por aliados de Doria, entenderam que Goldman e Saulo de Castro traíram o ex-prefeito da capital na corrida ao Palácio dos Bandeirantes, conforme antecipou a Coluna do Estadão, do jornal O Estado de S. Paulo.

Crítico ferrenho de Doria desde a eleição à Prefeitura, em 2016, Goldman apoiou a candidatura de Paulo Skaf (MDB), que teve 21% dos votos e ficou fora do segundo turno. No debate da TV Globo, na semana passada, o ex-governador e aliado do senador José Serra (PSDB) foi com um adesivo de Skaf colado no peito e sentou-se ao lado dos apoiadores do emedebista.

Já Saulo de Castro, braço direito de Alckmin no governo do Estado, foi expulso por ter levado na noite de Domingo (7) o governador Márcio França (PSB), que disputa com Doria o segundo turno, a uma reunião com o presidenciável tucano. Ele ainda teria usado um broche de França durante todo primeiro turno.

“Foi uma decisão sumária porque nós achamos que o momento é grave e não podemos esperar que tais medidas se repitam no segundo turno”, disse o vereador João Jorge, presidente municipal do PSDB.

Entre os expulsos do partido está Flávio Beal, apoiador de Doria que fomentou o voto “Bolsodoria”, defendendo apoio ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) já no primeiro turno.

Ao ser informado pela reportagem da decisão, Goldman disse que não conseguia conter a gargalhada. “Não tem ninguém com condição moral no PSDB de me expulsar de lugar nenhum”, afirmou. Saulo de Castro não comentou a expulsão.

PSDB NACIONAL DIZ QUE DIRETÓRIO MUNICIPAL NÃO PODE EXPULSAR GOLDMAN E SAULO
A executiva nacional do PSDB emitiu um breve comentário sobre a decisão do diretório municipal do partido em São Paulo de expulsar o ex-governador Alberto Goldman e o secretário Saulo de Castro Abreu do partido. Segundo a nota, o diretório municipal não tem competência para expulsar os dois, uma vez que ambos são membros, respectivamente, dos diretórios nacional e estadual do partido. “A decisão é arbitrária e inócua”, diz a nota, enviada pela assessoria de imprensa do PSDB nacional.

Nesta segunda-feira, 8, o diretório municipal do PSDB, decidiu expulsar o Goldman e Saulo por terem supostamente apoiado adversários de João Doria na disputa pelo governo do Estado. Goldman usou um adesivo de Paulo Skaf (MDB) no debate do primeiro turno da TV Globo, enquanto Saulo foi expulso por ter levado no domingo governador Márcio França (PSB) a uma reunião com Geraldo Alckmin, presidente nacional do partido e candidato ao Planalto.

Além dos dois, outros quinze membros foram expulsos supostamente por terem feito propaganda para Jair Bolsonaro (PSL). Goldman e Saulo são desafetos de Doria. Questionado sobre de que ala do PSDB teria partido a decisão de expulsá-lo, o ex-governador, que soube pela imprensa do caso, reagiu com ironia: “dá para adivinhar, não é?”.

Também foram expulsos os seguintes tucanos todos por traição a João Doria ou a Alckmin ou aos dois no primeiro turno:
Rafael Marucci
Pedro Abreu
Caique Mafra
Rafael Dias
Victor Leite
Rodney Jesus Mendonça
João Marcos Badaró
Ricardo Carvalho
Matheus Gralhos
Felipe Moreira
Sabrina Brunieira
Donozete Beck
Marco Lincon
Flávio Beal
Cristian Hessel

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 09/10/2018
  • Fonte: Sorria!,