Protocolo Não se Cale treina profissionais contra o assédio
Iniciativa amplia o Protocolo Não se Cale para academias e centros esportivos, capacitando mais de 230 mil profissionais do setor em São Paulo
- Publicado: 24/03/2026 21:04
- Alterado: 24/03/2026 21:04
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: FSB Comunicação
O Governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Políticas para a Mulher, oficializou uma parceria estratégica com o 4º Conselho Regional de Educação Física (CREF4-SP) para expandir o Protocolo Não se Cale ao setor esportivo. A medida visa capacitar profissionais de educação física, personal trainers e gestores de academias para identificar, acolher e agir de forma técnica em casos de assédio e violência contra a mulher.
A meta da gestão estadual é alcançar os mais de 230 mil profissionais cadastrados no conselho, transformando centros de treinamento em ambientes seguros. Com a expansão, o Protocolo Não se Cale deixa de ser exclusivo de setores como bares e eventos para se tornar uma ferramenta fundamental na rotina de cuidados e bem-estar da população paulista.
Capacitação gratuita e rede de proteção
O treinamento oferecido é totalmente gratuito e realizado na modalidade de Ensino à Distância (EAD). Com carga horária de 15 horas, o curso foi desenvolvido pela Univesp em parceria com a Fundação Procon-SP. O foco central é preparar os colaboradores para agir preventivamente antes mesmo da intervenção policial.
Para a secretária de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni, a preparação técnica é o que garante a eficácia do atendimento:
“O momento pede um reforço dos compromissos já assumidos, como parte da rede de proteção e cuidados com as mulheres. Trabalhamos para que todas possam se sentir protegidas em todos os espaços que frequentam e que, caso sejam vítimas de importunação, assédio e violência, os profissionais estejam preparados e saibam como agir.”
Como funciona o Protocolo Não se Cale na prática
A implementação do Protocolo Não se Cale altera a dinâmica de segurança dos estabelecimentos esportivos. Além do treinamento teórico, os locais devem adotar medidas práticas de auxílio imediato. Caso uma mulher sinalize perigo — seja verbalmente ou pelo sinal universal de socorro (mão aberta com polegar recolhido) — a equipe deve estar pronta para intervir.
O que muda em um estabelecimento com a adesão:
- Acolhimento em local seguro: Condução da vítima a um espaço reservado e seguro, garantindo proteção física e emocional.
- Preservação de provas: Orientação para a manutenção de imagens de câmeras de segurança e registros em livros de ocorrência.
- Oferta de auxílio prevista em lei: Suporte para contato com familiares ou acionamento da rede de proteção (190, DDM Online ou aplicativo SP Mulher Segura).
- Identificação visual obrigatória: Fixação de cartazes informativos em banheiros femininos e áreas de circulação.
Balanço e expansão da iniciativa em 2026
Em março de 2026, o Protocolo Não se Cale atingiu a marca histórica de 100 mil profissionais capacitados no estado, com um total de 147 mil inscritos. O sucesso da metodologia permitiu que a rede, inicialmente voltada ao entretenimento noturno, se estendesse para áreas como farmácias, consultórios odontológicos e, agora, o segmento de educação física.
De acordo com Luiz Orsatti, diretor executivo do Procon-SP, a padronização do socorro é vital para prevenir agressões:
“Cada vez mais as pessoas estão se conscientizando e reconhecendo a importância do Sinal Universal de Socorro. É um gesto curto, com resultado largo na prevenção à segurança das mulheres.”
O movimento faz parte do programa “SP Por Todas”, que centraliza as políticas públicas de autonomia e proteção feminina no estado. Profissionais autônomos e estabelecimentos interessados podem acessar o curso diretamente pelos portais oficiais da Secretaria da Mulher e do Procon-SP.