Protestos no Irã chegam a 500 mortos e ONGs denunciam massacre

Violência escala contra o regime Khamenei. Entidades de direitos humanos alertam para crise humanitária e repressão violenta no país.

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Os últimos dias foram marcados pela intensificação dos protestos no Irã, que se voltam contra o regime do aiatolá Ali Khamenei. Relatos de violência policial extrema e censura digital desenham um cenário de crise, enquanto o governo interrompe o acesso à internet em diversas regiões estratégicas para conter a mobilização popular.

Organizações não governamentais classificam a resposta estatal como um “massacre”. Segundo ativistas locais, o número de óbitos já supera a marca de 500. A organização HRANA, sediada nos Estados Unidos, compilou dados alarmantes sobre o conflito atual:

  • 538 mortes confirmadas no total;
  • 490 manifestantes civis mortos;
  • 48 membros das forças de segurança mortos.

A polícia, sob diretrizes rígidas do regime, confirmou ter escalado suas operações. O bloqueio informacional dificulta a verificação precisa em tempo real, mas testemunhas indicam que agentes de segurança dispararam contra cidadãos em mais de 100 cidades.

A repressão aos protestos no Irã e o cenário prisional

O volume de detidos impressiona observadores internacionais. Estima-se que mais de 10.670 prisões ocorreram durante a nova onda de protestos no Irã. O Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI) emitiu um alerta sobre um “massacre em andamento”, citando relatos de corpos sendo acumulados em hospitais locais sem o devido registro.

Outras entidades internacionais, como uma ONG norueguesa, projetam um cenário ainda mais sombrio. Segundo suas análises, o número real de vítimas fatais pode chegar a duas mil pessoas, dado o nível de violência empregado para dispersar as multidões.

O governo mantém reticência na divulgação de dados oficiais. Ahmad-Reza Radan, chefe da polícia iraniana, limitou-se a confirmar que a intensidade das ações de controle continuará aumentando enquanto a agitação persistir.

Tensão geopolítica e acusações de interferência

Enquanto as ruas queimam, a retórica política inflama as relações exteriores. O presidente Masoud Pezeshkian atribui a instabilidade atual dos protestos no Irã a uma suposta interferência direta dos Estados Unidos e de Israel. Embora tenha feito apelos para que a população se afaste do que chama de “terroristas” e “badernistas”, Pezeshkian tenta manter um canal de diálogo sobre as demandas econômicas.

A resposta de Teerã às pressões externas tornou-se agressiva. O governo ameaçou retaliar qualquer intervenção militar, definindo bases americanas e o território israelense como alvos legítimos. A declaração surge após o ex-presidente Donald Trump sugerir disposição para intervir caso houvesse mortes de manifestantes pacíficos.

A diplomacia americana segue ativa. Recentemente, Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, discutiu a crise com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, classificando a escalada de violência como sem precedentes desde a morte de Mahsa Amini em 2022.

O posicionamento do regime

O Aiatolá Khamenei declarou que não haverá recuo. Para o líder supremo, os participantes dos protestos no Irã são “vândalos e sabotadores” a serviço de inimigos estrangeiros. Ali Larijani, conselheiro de segurança nacional, descreveu a situação como um estado de “plena guerra”, reforçando a narrativa de orquestração externa.

A comunidade internacional observa com cautela, especialmente diante da reimposição de sanções pela ONU ligadas ao programa nuclear. A volatilidade permanece alta e o desfecho da crise é incerto, mas a persistência dos protestos no Irã demonstra um desafio interno significativo à autoridade do regime.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 11/01/2026
  • Fonte: Sorria!,