Protestos no Irã deixa 192 mortos, diz polícia

Confrontos se intensificam no país enquanto o governo promete resposta dura e culpa agentes externos pela crise interna.

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O Irã tornou-se palco de manifestações massivas contra o regime do aiatolá Ali Khamenei nos últimos dias, resultando em um saldo trágico de vítimas. Dados recentes da ONG Iran Human Rights apontam para 192 mortos, embora o bloqueio de internet dificulte a contagem real, sugerindo números ainda mais alarmantes.

A violência policial disparou como resposta direta à insatisfação popular. Ahmad-Reza Radan, chefe da polícia local, confirmou oficialmente que o nível de confronto com os manifestantes subiu degraus perigosos, indicando uma ordem clara para sufocar a dissidência.

Irã intensifica repressão policial nas ruas

Enquanto as ruas queimam, a esfera política tenta controlar a narrativa. Masoud Pezeshkian, presidente do país, adotou um discurso ambíguo: ao mesmo tempo em que pede à população que se afaste de “terroristas”, sinaliza uma suposta abertura ao diálogo.

Contudo, a retórica oficial do Irã rapidamente desviou o foco dos problemas estruturais para inimigos externos. Pezeshkian acusou diretamente Israel e os Estados Unidos de fomentarem o caos para desestabilizar a nação islâmica.

A tensão geopolítica escalou quando a Guarda Revolucionária reafirmou a defesa da segurança nacional como um ponto inegociável. O parlamento iraniano, liderado por Mohammad Bagher Qalibaf, elevou o tom: qualquer agressão ao território resultará em ataques a interesses norte-americanos.

O fator internacional e as sanções

O cenário se complica com a pressão vinda do exterior. Donald Trump, ex-presidente dos EUA, reiterou ameaças de intervenção caso a violência contra civis continue. Em resposta, autoridades de Teerã classificam tais avisos como “delirantes”.

A crise atual supera em complexidade as revoltas de 2022, ocorridas após a morte de Mahsa Amini. O governo lida com múltiplas frentes de batalha:

  • Discurso Linha-Dura: Khamenei chamou manifestantes de “vândalos” na TV estatal.
  • Guerra Híbrida: Ali Larijani, conselheiro do aiatolá, fala em “guerra total” contra sabotadores.
  • Economia: A promessa de resolver questões econômicas colide com novas sanções da ONU.

Diante de um governo que promete não recuar e uma população exausta, a estabilidade da região pende por um fio. Com sanções renovadas ao programa nuclear e isolamento diplomático, o futuro político e social do Irã permanece imprevisível e volátil.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 11/01/2026
  • Fonte: PMM