Protestos contra feminicídio tomam ruas de capitais do país
Atos pedem justiça e fim da violência contra a mulher após alta de casos em diversas regiões
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 07/12/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
Neste domingo (7), uma mobilização nacional organizada pelo movimento Levante Mulheres Vivas tomou as ruas do Brasil contra o feminícidio. Manifestantes se reuniram em pelo menos 20 estados e no Distrito Federal em uma resposta contundente ao crescimento da violência de gênero. O foco central dos atos foi o combate ao feminicídio, crime que tem apresentado índices alarmantes em 2025.
Pela legislação brasileira, esse tipo de crime é caracterizado pelo assassinato de mulheres motivado por sua condição de gênero, envolvendo discriminação, menosprezo ou violência doméstica. A pena prevista para os condenados varia de 20 a 40 anos de reclusão.
Os dados que motivaram os protestos revelam um cenário crítico: somente neste ano, o Brasil já registrou mais de mil casos de feminicídio. O Distrito Federal contabiliza 26 dessas ocorrências. A urgência do tema foi reforçada pelo assassinato recente da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, morta por um soldado dentro de um quartel na última sexta-feira (5).
Mobilização contra feminicídio aem São Paulo e fala de autoridades
Na capital paulista, a concentração ocorreu na Avenida Paulista, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp). O ato destacou a memória de vítimas recentes da região metropolitana, como a farmacêutica Daniele Guedes Antunes, de 38 anos, morta em Santo André, e Milena de Silva Lima, de 27 anos, assassinada em Diadema. Ambas foram vítimas de ex-companheiros.
Durante a manifestação, a deputada federal Erika Hilton discursou, reforçando a necessidade de proteção estatal:
“Todas merecem dignidade, todas merecem proteção. Tomamos a rua para dizer que nenhuma mulher será esquecida.”

O cenário no Rio de Janeiro e outros estados
No Rio de Janeiro, o ato contra o feminicídio reuniu centenas de pessoas em Copacabana. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), o estado já somou 79 casos consumados e 242 tentativas até novembro deste ano. A violência contínua foi exemplificada pelo caso de Aline Nascimento, esfaqueada pelo ex-companheiro em Irajá, mesmo possuindo medida protetiva.
Outras capitais também registraram adesão significativa:
- Distrito Federal: Manifestantes na Torre de TV denunciaram a violência estrutural com cartazes pedindo “pare de nos matar”.
- Santa Catarina: Em Florianópolis, a marcha homenageou a professora Catarina Kasten, vítima de estupro seguido de morte, destacando a escalada da violência no estado.
- Minas Gerais: Em Belo Horizonte, a Praça Raul Soares foi palco de pedidos por justiça e ações efetivas das autoridades.
Medidas protetivas salvam vidas
Especialistas e autoridades reforçam que não é necessário aguardar a agressão física para buscar ajuda. Sinais como controle patrimonial e ciúmes excessivos já são fundamentos legais para solicitar medidas protetivas de urgência.
As denúncias e pedidos de proteção podem ser realizados em qualquer delegacia ou através dos sites de Delegacia Eletrônica de cada estado. Caso a medida seja descumprida, a vítima deve reportar imediatamente às autoridades para garantir sua segurança e a aplicação da lei.