Protesto na Favela do Moinho paralisa trens da CPTM em São Paulo
Moradores questionam alternativas habitacionais oferecidas pelo governo e exigem permanência no centro
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 13/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Moradores da Favela do Moinho, a última comunidade remanescente no centro de São Paulo, organizaram um protesto que resultou na interrupção da circulação de trens em pelo menos três linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
O impacto foi sentido nas linhas 7-Rubi, 8-Diamante e 10-Turquesa, além do Expresso Aeroporto. As operações foram afetadas e só retornaram à normalidade depois de um período de paralisação.
Moradores exigem permanência no centro
A administração estadual afirma estar disponibilizando uma variedade de opções habitacionais para as mais de 800 famílias residentes na favela, incluindo “auxílio-moradia enquanto as novas moradias não são concluídas”. No entanto, muitos moradores consideram essas alternativas insuficientes, especialmente aqueles que desejam permanecer no centro da cidade, onde têm suas raízes e empregos.

De acordo com reportagens do Estadão, alguns moradores relataram que estão sendo “forçados a aceitar as propostas por temor de ficarem sem moradia”. A CPTM confirmou que houve uma paralisação nos trens entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Luz devido ao protesto nas proximidades da linha férrea da comunidade.
“Os trens da Linha 7-Rubi estão operando entre Jundiaí e Palmeiras-Barra Funda; enquanto isso, os serviços da Linha 10-Turquesa estão ativos entre Rio Grande da Serra e Luz”, declarou a CPTM em comunicado oficial.
A companhia também orientou os passageiros a utilizarem as Linhas 1-Azul e 3-Vermelha do Metrô como alternativas viáveis durante o transtorno. A ViaMobilidade informou que a operação dos trens foi suspensa entre Júlio Prestes e Palmeiras-Barra Funda, na Linha 8-Diamante, acrescentando que os usuários estavam sendo informados sobre as opções disponíveis por meio de “anúncios sonoros”.
Demolições e reassentamentos seguem em andamento
As concessionárias mencionaram que suas equipes estão monitorando a situação em tempo real, em colaboração com as autoridades locais, e trabalhando para restabelecer os serviços o mais rápido possível. A segurança dos passageiros e a continuidade das operações são prioridades para a ViaMobilidade.
Conforme divulgado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SDUH), as demolições iniciaram-se com seis casas consideradas inseguras devido à precariedade estrutural, ação realizada por várias entidades governamentais, incluindo a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e a Defesa Civil.
Até o momento, a secretaria informa que já foram relocadas 168 famílias da Favela do Moinho desde o início das operações. No total, 752 famílias aceitaram participar do processo de reassentamento, representando 88% do total. Dentre essas, 599 estão habilitadas para assinar contratos e receber chaves assim que as novas unidades habitacionais estiverem disponíveis.
Até agora, 548 famílias escolheram seus novos imóveis ou optaram por um “auxílio-moradia” para encontrar residências no mercado privado. A previsão é que os trabalhos continuem com novas transferências agendadas.
Em relação à desocupação das moradias abandonadas por aqueles que aceitaram as alternativas oferecidas pelo governo estadual e municipal, a SDUH recomenda que essa ação seja conduzida “com cautela para evitar danos às estruturas vizinhas” e minimizar o impacto nas atividades diárias da comunidade. O governo paulista enfatiza a necessidade de desocupar essas moradias para prevenir novas ocupações que poderiam aumentar os riscos à saúde e segurança pública.