‘Proteja’ reúne famílias para discutir cuidado e fortalecer vínculos

O projeto desenvolve reuniões semanais e utiliza recursos lúdicos para acessar sentimentos e construir caminhos para uma vida sem violência

Crédito: PMM

Às quartas-feiras pela manhã, até o dia 1º de outubro, cerca de 20 pessoas se encontram no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), na Vila Bocaina, em uma roda de conversa do projeto Proteja, desenvolvido pela Secretaria de Assistência Social da Prefeitura de Mauá.

O objetivo é capacitar agentes multiplicadores nos territórios, transmitindo conhecimentos básicos sobre princípios constitucionais e o sistema de garantia de direitos previstos em leis como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e os direitos humanos. A proposta é abordar os direitos de crianças, adolescentes, idosos e pessoas com deficiência, promovendo o fortalecimento dos vínculos familiares e refletindo sobre o impacto disso na vida de cada pessoa.

“Todos se sentiram confortáveis para falar e dividir os desafios que enfrentam na vida. Pudemos perceber o quanto precisamos avançar para que mais pessoas sejam ouvidas e conheçam seus direitos”, afirmou a secretária de Assistência Social e presidente do Fundo Social de Solidariedade, Fernanda Oliveira.

As atividades começaram com uma dinâmica baseada no jogo de cartas Conta Aí, desenvolvido pela instituição Ficar Bem. O jogo utiliza ilustrações relacionadas à vida familiar e em sociedade, que serviram de inspiração para que cada participante criasse o trecho de uma história abordando os direitos básicos de crianças e adolescentes. Ao final, os trechos foram reunidos em uma narrativa única.

Durante o encontro, reflexões espontâneas surgiram entre os participantes, incluindo discussões sobre o impacto do sistema econômico na vida das famílias. Ao relacionar a importância dos direitos previstos no ECA, Maria (nome fictício) relembrou que, aos oito anos, trabalhava na roça de café, buscava água equilibrando uma lata na cabeça, cuidava de crianças menores e tomava café da manhã com caldo de cana recém-moído.

“Hoje, a criança é um sujeito de direitos: tem direito à saúde, à educação, ao brincar, à dignidade, à convivência e a viver sem violência. Tanto que a expressão ‘menor’ foi abolida, pois ninguém é menor ou maior que o outro, na perspectiva dos direitos”, explicou o assistente social Ketinho Oliveira.

Dona Carmem contou que, aos 12 anos, também cuidava de crianças mais novas.

“Até o dia em que resolvi parar de trabalhar para estudar, mas meus pais não tiveram pulso firme para me manter na escola”, lamentou. O resultado, segundo ela, foi ter se tornado mãe aos 14 anos. Hoje, com pouco mais de 60, já é bisavó.

Dois adolescentes presentes, Fernando (14) e Fábio (15), já conheciam o ECA e manifestaram o desejo de estudar no Senai para buscar profissionalização. A mãe deles, Francine, foi mãe aos 15 anos, e os três demonstraram grande união.

Rodrigo, outro participante, compartilhou lembranças de violências sofridas pela própria mãe.

No encontro anterior, a dinâmica teve o objetivo de ressignificar a temática da violência, transformando-a em conhecimento e espaço de lazer. Também foram apresentados os quatro estilos parentais: permissivo, ausente, autoritário e participativo (ou autoritativo).

A participação nos encontros pode ocorrer por determinação judicial ou por orientação técnica. Todas as famílias atendidas pelos profissionais do CREAS são convidadas a participar do projeto Proteja.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 14/08/2025
  • Fonte: Sorria!,