Prospera MEI perdoa dívidas e governo propõe tarifa zero
O pacote federal reestrutura o Simples Nacional com novos tetos de faturamento. Simultaneamente, uma medida constitucional inédita busca bancar o passe livre nos municípios brasileiros
- Publicado: 21/10/2026 13:40
- Alterado: 21/10/2026 13:41
- Autor: Leonardo Nogueira
O programa Prospera MEI altera definitivamente a realidade dos pequenos negócios no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Projeto de Lei Complementar 186/2026 nesta quarta-feira (21). A legislação anistia passivos tributários antigos e atualiza as travas financeiras que limitavam a formalização de quem trabalha por conta própria.
O Executivo também movimentou o tabuleiro da mobilidade urbana. Uma nova Proposta de Emenda à Constituição (PEC) chegou ao Congresso Nacional. O texto governamental vincula parte das emendas parlamentares impositivas ao financiamento direto do transporte público urbano gratuito.
Como o Prospera MEI extingue as dívidas ativas

O perdão governamental abrange valores devidos à União até 13 de outubro de 2026. A regra do Prospera MEI engloba contribuições previdenciárias atrasadas, multas e encargos de cobrança. Os empreendedores não precisam acionar a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. A baixa ocorrerá de forma automática nos sistemas federais a partir de 1º de janeiro de 2027.
A anistia fiscal do Prospera MEI alcança 3,6 milhões de cidadãos, pulverizando cerca de R$ 18,7 bilhões em débitos acumulados. O passivo médio perdoado gira em torno de R$ 3,4 mil por pessoa.
A manutenção da clemência exige contrapartida financeira do cidadão. O titular precisa manter os pagamentos mensais do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) rigorosamente em dia. Esse rigor deve durar seis meses consecutivos após o início da validade da norma.
Novos limites de faturamento e expansão comercial
O teto de arrecadação sofreu seu primeiro reajuste real desde 2018. A receita bruta anual salta dos defasados R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027. No ano seguinte, o sarrafo sobe novamente e fixa o limite em R$ 140 mil. Essa escada financeira permite o crescimento orgânico das microempresas sem a expulsão punitiva do regime tributário simplificado.
A contratação de pessoal também mudou. A legislação autoriza os donos de pequenos negócios a assinarem a carteira de até dois trabalhadores simultâneos. A alteração destrava a operação de milhares de autônomos que atingiram o gargalo produtivo operando sozinhos.
Resumo das alterações aprovadas
- Remissão de débitos: Extinção automática de dívidas federais registradas até outubro de 2026.
- Teto financeiro: Salto progressivo de faturamento para R$ 140 mil até o ano de 2028.
- Força de trabalho: Autorização legal para contratação do segundo funcionário com carteira assinada.
- Licitações públicas: Limite de exclusividade em compras estatais ampliado para R$ 130.984,20.
- Contrata+Brasil: Valor máximo para prestação de serviços ao governo sobe para R$ 25 mil.
Tarifa Zero financiada por emendas impositivas
A mobilidade urbana ganhou uma fonte de custeio independente dos caixas municipais. A PEC apresentada pelo governo exige o repasse de 26,8% das emendas parlamentares individuais e de bancada para bancar a gratuidade nos ônibus. O foco do repasse financeiro é viabilizar o passe livre aos finais de semana e feriados.
O orçamento planejado para 2027 projeta R$ 44,8 bilhões em emendas de execução obrigatória. A fatia destinada exclusivamente ao transporte alcançaria R$ 11,2 bilhões.
A engenharia financeira contorna o risco de descontrole fiscal. A transferência de recursos não cria despesas primárias novas para a máquina pública. O texto apenas redireciona o dinheiro já garantido aos deputados e senadores, blindando simultaneamente as verbas obrigatórias da saúde.
O fim da escala 6×1 aumenta a urgência por opções de lazer acessíveis aos trabalhadores de baixa renda. O barateamento do deslocamento urbano dialoga diretamente com essa nova pressão social. As ações governamentais formam um cinturão de estímulo focado na base da pirâmide. O Prospera MEI injeta fôlego imediato em quem produz, enquanto a tarifa subsidiada destrava o consumo e a circulação de pessoas nas cidades.