Propriedade Intelectual em 2026: desafios e cuidados essenciais para empresas
Como marcas, patentes e ativos intangíveis se tornam estratégicos diante da inteligência artificial, da digitalização e do aumento das disputas jurídicas
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 31/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
À medida que o mundo avança em ritmo acelerado em tecnologia, inovação e globalização, a gestão da Propriedade Intelectual (PI) se torna um elemento central para a competitividade das empresas. Em 2026, o cenário se mostra ainda mais desafiador: inteligência artificial em plena expansão, aceleração das inovações biotecnológicas, novos modelos de negócios digitais, consumidores hiperconectados e um ambiente jurídico cada vez mais rigoroso. Diante disso, marcas, patentes, direitos autorais e segredos industriais assumem papel estratégico que vai muito além da proteção: eles se tornam ferramentas essenciais de diferenciação, segurança jurídica e crescimento sustentável.
Um ambiente mais competitivo — e mais vulnerável

O aumento no número de empreendedores, startups e empresas digitais traz inúmeras oportunidades. Contudo, também amplia conflitos, violações e disputas por direitos de PI.
Em 2026, especialistas apontam que o Brasil deverá enfrentar três grandes desafios:
- crescimento do uso indevido de marcas em redes sociais e marketplaces;
- aceleração das infrações em produtos físicos e digitais, incluindo pirataria e falsificação;
- disputas envolvendo inteligência artificial e originalidade de conteúdo.
Com tecnologias generativas mais avançadas, criar logotipos, slogans, designs e até produtos completos se tornou algo rápido e fácil. Isso, ao mesmo tempo em que democratiza o acesso à criatividade, abre espaço para cópias não intencionais, concorrência desleal e confusão de mercado.
Empresas que não estiverem preparadas para documentar seus processos criativos, comprovar originalidade e monitorar sua presença digital terão dificuldades crescentes para proteger seu patrimônio.
Registro de marca: o primeiro escudo para 2026
O volume de novos pedidos de registro deve continuar crescendo, tanto no Brasil quanto em outros países. Isso significa que a janela de tempo entre criar uma marca e registrá-la deve ser cada vez menor.
Em 2026, será essencial que empresas:
- registrem rapidamente suas marcas principais e secundárias;
- protejam variações de logotipos e slogans;
- considerem o registro de marcas de campanha, de produtos sazonais e de linhas limitadas;
- monitorem solicitações de concorrentes semelhantes no INPI.
A disputa por nomes fortes será ainda mais acirrada — e quem deixar para depois pode ser surpreendido por um indeferimento ou, pior, precisar abandonar a marca após anos de construção.
Patentes, inovação e inteligência artificial: o novo território de batalha

O Brasil tem caminhado para uma maior valorização de tecnologias próprias, em especial nas áreas de biotecnologia, cosméticos, agronegócio, energia sustentável e sistemas inteligentes.
Os desafios para 2026 incluem:
- comprovar originalidade de invenções desenvolvidas com apoio de IA;
- documentar etapas que comprovem que a criação humana foi determinante;
- proteger processos e métodos tecnológicos de forma mais completa;
- lidar com disputas envolvendo algoritmos, softwares e modelos de IA.
Empresas que utilizarem IA generativa para desenvolver produtos, fórmulas, designs ou soluções precisam criar políticas internas de documentação e proteção, assegurando que o uso dessas ferramentas não comprometa a patenteabilidade.
A fiscalização será mais dura — especialmente no digital
Comércio eletrônico, marketplaces internacionais e redes sociais continuarão sendo os grandes pontos de atenção. Órgãos de fiscalização estão ampliando parcerias com plataformas digitais e criando mecanismos automatizados para identificar violações.
Para 2026, é essencial que empresas:
- façam monitoramento permanente da marca;
- atuem rapidamente contra perfis falsos e anúncios indevidos;
- protejam seus conteúdos digitais, incluindo vídeos, descrições e identidade visual;
- invistam em compliance de PI, reduzindo riscos jurídicos.
O empresário que quiser crescer precisa agir agora
Diante desse cenário, os cuidados essenciais incluem:
- registrar marcas e patentes com maior antecedência;
- auditar processos criativos e tecnológicos;
- revisar contratos com fornecedores, designers, agências e parceiros;
- proteger inovação, especialmente a digital;
- monitorar concorrentes e usos indevidos;
- investir em estratégias de internacionalização da marca quando houver expansão global.
2026 será o ano da proteção estratégica
A Propriedade Intelectual não é mais apenas uma formalidade: é segurança, competitividade e patrimônio. Em um mercado cada vez mais veloz e tecnológico, quem protege seus ativos intangíveis estará um passo à frente.
Luisa Caldas

Especialista em propriedade intelectual e agente de transformação na valorização do conhecimento. Atualmente, é colunista da editoria Valor Intelectual no portal ABCdoABC. Atua como empresária e palestrante, com 26 anos de experiência na área. É pós-graduada em Propriedade Intelectual pela OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual). Responsável por mais de 10 mil marcas registradas e mais de 2 mil patentes no Brasil e no exterior. Sócia da Uniellas Marcas e Patentes e presidente do Instituto de Tecnologia e Inovação do Grande ABC.