Propriedade Intelectual em 2026: desafios e cuidados essenciais para empresas

Como marcas, patentes e ativos intangíveis se tornam estratégicos diante da inteligência artificial, da digitalização e do aumento das disputas jurídicas

Crédito: (Imagem originalmente de Freepik, editada com inteligência artificial)

À medida que o mundo avança em ritmo acelerado em tecnologia, inovação e globalização, a gestão da Propriedade Intelectual (PI) se torna um elemento central para a competitividade das empresas. Em 2026, o cenário se mostra ainda mais desafiador: inteligência artificial em plena expansão, aceleração das inovações biotecnológicas, novos modelos de negócios digitais, consumidores hiperconectados e um ambiente jurídico cada vez mais rigoroso. Diante disso, marcas, patentes, direitos autorais e segredos industriais assumem papel estratégico que vai muito além da proteção: eles se tornam ferramentas essenciais de diferenciação, segurança jurídica e crescimento sustentável.

Um ambiente mais competitivo — e mais vulnerável

Propriedade Intelectual- Ideias - Inovação - Criatividade
(Imagem: Freepik)

O aumento no número de empreendedores, startups e empresas digitais traz inúmeras oportunidades. Contudo, também amplia conflitos, violações e disputas por direitos de PI.

Em 2026, especialistas apontam que o Brasil deverá enfrentar três grandes desafios:

  • crescimento do uso indevido de marcas em redes sociais e marketplaces;
  • aceleração das infrações em produtos físicos e digitais, incluindo pirataria e falsificação;
  • disputas envolvendo inteligência artificial e originalidade de conteúdo.

Com tecnologias generativas mais avançadas, criar logotipos, slogans, designs e até produtos completos se tornou algo rápido e fácil. Isso, ao mesmo tempo em que democratiza o acesso à criatividade, abre espaço para cópias não intencionais, concorrência desleal e confusão de mercado.

Empresas que não estiverem preparadas para documentar seus processos criativos, comprovar originalidade e monitorar sua presença digital terão dificuldades crescentes para proteger seu patrimônio.

Registro de marca: o primeiro escudo para 2026

O volume de novos pedidos de registro deve continuar crescendo, tanto no Brasil quanto em outros países. Isso significa que a janela de tempo entre criar uma marca e registrá-la deve ser cada vez menor.

Em 2026, será essencial que empresas:

  • registrem rapidamente suas marcas principais e secundárias;
  • protejam variações de logotipos e slogans;
  • considerem o registro de marcas de campanha, de produtos sazonais e de linhas limitadas;
  • monitorem solicitações de concorrentes semelhantes no INPI.

A disputa por nomes fortes será ainda mais acirrada — e quem deixar para depois pode ser surpreendido por um indeferimento ou, pior, precisar abandonar a marca após anos de construção.

Patentes, inovação e inteligência artificial: o novo território de batalha

Propriedade Intelectual- Ideias - Inovação - Criatividade
(Imagem: Freepik)

O Brasil tem caminhado para uma maior valorização de tecnologias próprias, em especial nas áreas de biotecnologia, cosméticos, agronegócio, energia sustentável e sistemas inteligentes.

Os desafios para 2026 incluem:

  • comprovar originalidade de invenções desenvolvidas com apoio de IA;
  • documentar etapas que comprovem que a criação humana foi determinante;
  • proteger processos e métodos tecnológicos de forma mais completa;
  • lidar com disputas envolvendo algoritmos, softwares e modelos de IA.

Empresas que utilizarem IA generativa para desenvolver produtos, fórmulas, designs ou soluções precisam criar políticas internas de documentação e proteção, assegurando que o uso dessas ferramentas não comprometa a patenteabilidade.

A fiscalização será mais dura — especialmente no digital

Comércio eletrônico, marketplaces internacionais e redes sociais continuarão sendo os grandes pontos de atenção. Órgãos de fiscalização estão ampliando parcerias com plataformas digitais e criando mecanismos automatizados para identificar violações.

Para 2026, é essencial que empresas:

  1. façam monitoramento permanente da marca;
  2. atuem rapidamente contra perfis falsos e anúncios indevidos;
  3. protejam seus conteúdos digitais, incluindo vídeos, descrições e identidade visual;
  4. invistam em compliance de PI, reduzindo riscos jurídicos.

O empresário que quiser crescer precisa agir agora

Diante desse cenário, os cuidados essenciais incluem:

  • registrar marcas e patentes com maior antecedência;
  • auditar processos criativos e tecnológicos;
  • revisar contratos com fornecedores, designers, agências e parceiros;
  • proteger inovação, especialmente a digital;
  • monitorar concorrentes e usos indevidos;
  • investir em estratégias de internacionalização da marca quando houver expansão global.

2026 será o ano da proteção estratégica

A Propriedade Intelectual não é mais apenas uma formalidade: é segurança, competitividade e patrimônio. Em um mercado cada vez mais veloz e tecnológico, quem protege seus ativos intangíveis estará um passo à frente.

Luisa Caldas

Luisa Caldas
(Divulgação/ABCdoABC)

Especialista em propriedade intelectual e agente de transformação na valorização do conhecimento. Atualmente, é colunista da editoria Valor Intelectual no portal ABCdoABC. Atua como empresária e palestrante, com 26 anos de experiência na área. É pós-graduada em Propriedade Intelectual pela OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual). Responsável por mais de 10 mil marcas registradas e mais de 2 mil patentes no Brasil e no exterior. Sócia da Uniellas Marcas e Patentes e presidente do Instituto de Tecnologia e Inovação do Grande ABC.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 31/12/2025
  • Fonte: Fever