Propriedade intelectual ganha centralidade na economia digital
Empresas que estruturam ativos intangíveis com inteligência reduzem risco, fortalecem operação e ampliam valor de mercado
- Publicado: 25/03/2026 18:31
- Alterado: 25/03/2026 18:31
- Autor: Luisa Caldas
- Fonte: ABCdoABC
Empresas quebram todos os dias, mas poucas fecham as portas por falta de clientes. Em muitos casos, o colapso acontece por algo menos visível, porém igualmente decisivo: a ausência de proteção jurídica estratégica. Na economia digital, o risco empresarial mudou de lugar. Hoje, ele está menos concentrado apenas em vendas ou operação e cada vez mais associado à vulnerabilidade dos ativos intangíveis que sustentam o negócio.
Esse novo tipo de risco aparece de várias formas. Pode estar na perda de uma marca, no bloqueio de um perfil em marketplace, na remoção de uma conta em rede social, em processos por violação, na cópia de produtos, em disputas envolvendo software ou até na invalidação de contratos que pareciam sólidos. Em grande parte dos casos, esses problemas não surgem do acaso. Eles nascem da ausência de uma política clara de propriedade intelectual.
Propriedade intelectual como instrumento de gestão

Empresas maduras não tratam propriedade intelectual apenas como proteção jurídica. Elas utilizam esse recurso como ferramenta de gestão, crescimento e posicionamento estratégico. É por meio dela que se torna possível estruturar expansão, reduzir riscos operacionais, aumentar valuation, facilitar processos de internacionalização, negociar com investidores e blindar operações digitais que hoje são fundamentais para a continuidade do negócio.
Mais do que proteger, a propriedade intelectual permite transformar conhecimento, inovação, tecnologia, marca e operação em ativos organizados, valorizados e negociáveis. Quando bem estruturada, ela deixa de ser um tema restrito ao jurídico e passa a ocupar espaço dentro da estratégia corporativa.
Reativo ou estratégico

A diferença entre empresas frágeis e empresas sólidas muitas vezes está na postura diante do risco. O empreendedor reativo normalmente age apenas quando o problema já aconteceu. Nesse cenário, ele paga mais, perde tempo, perde mercado e muitas vezes acaba aceitando acordos ruins para tentar preservar a operação.
Já o empreendedor estratégico trabalha de outra forma. Ele antecipa riscos, estrutura ativos, cresce com mais segurança e transforma proteção em vantagem competitiva. Isso muda não apenas a forma como a empresa se defende, mas também a forma como ela se posiciona, negocia e se expande.
Crescer exige mais do que vender. Vender bem é importante, mas proteger bem é essencial. Na economia digital, empresas fortes não são apenas lucrativas. São também juridicamente organizadas.
Luisa Caldas

Especialista em propriedade intelectual e agente de transformação na valorização do conhecimento. Atualmente, é colunista da editoria Valor Intelectual no portal ABCdoABC. Atua como empresária e palestrante, com 26 anos de experiência na área. É pós-graduada em Propriedade Intelectual pela OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual). Responsável por mais de 10 mil marcas registradas e mais de 2 mil patentes no Brasil e no exterior. Sócia da Uniellas Marcas e Patentes e presidente do Instituto de Tecnologia e Inovação do Grande ABC.