Projeto endurece punições por descumprir medida protetiva

Projeto de lei endurece punições por descumprimento de medida protetiva, acelera decisões judiciais e prevê tornozeleira eletrônica para agressores

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A escalada dos casos de feminicídio no Brasil motivou a deputada federal Rosana Valle (PL-SP) a apresentar o Projeto de Lei nº 6.400/2025, que busca tornar mais rápida a atuação do Judiciário e das forças policiais na proteção às vítimas. O texto tem como eixo central o descumprimento de medida protetiva, apontado como um dos momentos de maior vulnerabilidade para mulheres em situação de violência doméstica e familiar.

Protocolado na Câmara dos Deputados, em Brasília, nesta segunda-feira (15/12), o projeto propõe alterações na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), com a incorporação de mecanismos que garantam resposta imediata do Estado. Entre as medidas previstas estão o uso de tornozeleira eletrônica para agressores e a fixação de prazos mais curtos para decisões judiciais em casos de reincidência.

Lentidão processual amplia risco às vítimas

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Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam que processos de violência doméstica levam, em média, até 429 dias para começarem a ser julgados no Brasil. Para a autora da proposta, esse intervalo compromete a eficácia das decisões judiciais, especialmente quando há descumprimento de medida protetiva, situação que exige ação rápida para evitar desfechos fatais.

O PL 6.400/2025 estabelece prioridade na tramitação desses casos e fixa prazo máximo de 24 horas para a expedição de mandados de prisão preventiva, quando a prisão em flagrante não for possível.

Monitoramento eletrônico e apreensão de armas

Governo de SP

Nos casos considerados de iminente risco de morte, em que o agressor viola decisão judicial, o projeto determina o uso imediato de tornozeleira eletrônica. A medida, aplicada em situações de descumprimento de medida protetiva, não exclui outras sanções previstas em lei, como a decretação da prisão preventiva.

O texto também prevê a apreensão imediata de armas de fogo sempre que houver indícios de posse ou porte pelo agressor, como forma de reduzir o potencial letal das ocorrências de violência doméstica.

Integração institucional e atualização da lei

Marcos Santos: USP

Além do endurecimento das respostas penais, a proposta amplia a integração entre Judiciário, Ministério Público, Polícia e serviços de atendimento às vítimas, com foco na atuação coordenada nos casos de descumprimento de medida protetiva.

Segundo Rosana Valle, a Lei Maria da Penha representou um marco no enfrentamento à violência contra a mulher, mas precisa ser atualizada para responder ao cenário atual. A deputada cita dados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher 2025, do DataSenado, segundo a qual cerca de 3,7 milhões de brasileiras relataram ter sofrido algum tipo de agressão doméstica ou familiar no último ano.

“O que mata não é a falta de lei. É a falta de rapidez. Toda mulher que denuncia já está em risco. Quando o agressor quebra a medida protetiva, o relógio começa a correr. O Estado não pode ser lento nesta questão”, afirma.

Tramitação

Após o protocolo, o Projeto de Lei nº 6.400/2025 segue para a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, que deverá encaminhá-lo para análise e deliberação das comissões competentes. A proposta pretende reforçar a eficácia das ações do poder público diante do descumprimento de medida protetiva, considerado um dos pontos mais críticos no combate ao feminicídio no país.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 17/12/2025
  • Fonte: Fever