Projeto Dandara leva Justiça ao quilombo mais antigo do Rio

Projeto Dandara promove diálogo direto entre mulheres quilombolas e o TJRJ para superar barreiras geográficas e sociais no Rio de Janeiro

Crédito: divulgação

Realizado na última sexta-feira (17), o segundo encontro da iniciativa reuniu magistrados e moradoras do quilombo mais antigo do estado para uma roda de escuta e diálogo. O projeto Dandara, desenvolvido pela Coordenadoria Estadual da Mulher (Coem) do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) em parceria com a ACQUILERJ, busca formular políticas públicas que atendam às necessidades reais desses territórios, garantindo que o acesso à Justiça chegue onde a infraestrutura básica ainda é escassa.

Escuta direta e barreiras de acesso

Projeto Dandara
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A roda de conversa, iniciada com uma tradicional apresentação de jongo, revelou os desafios cotidianos das mulheres quilombolas. Relatos como o de Maria Aparecida Fernandes Azedias destacaram que a distância geográfica e o alto custo do transporte (que pode chegar a R$ 300 até o centro de Valença) são os principais entraves para o acesso à saúde e ao Judiciário.

“A Justiça precisa tirar a venda para enxergar o território de frente e reconhecer o quilombo”, afirmou a desembargadora Adriana Ramos de Mello, coordenadora da Coem.

Eixos de atuação do Projeto Dandara

O nome do Projeto Dandara homenageia Dandara dos Palmares, símbolo de resistência negra, e propõe um canal direto de comunicação entre as lideranças femininas e o poder público, sem intermediários. Para garantir mudanças estruturais, a iniciativa foca em cinco eixos principais:

  • Justiça: Ampliação do acesso ao Judiciário dentro dos territórios.
  • Educação: Formação em direitos humanos e equidade racial.
  • Emprego e Renda: Incentivo à autonomia econômica das mulheres.
  • Saúde: Promoção de políticas de cuidado integral.
  • Cultura e Memória: Valorização da identidade e saberes tradicionais.

A ação está alinhada à Política Judiciária Nacional do CNJ e reforça o compromisso do Estado com a reparação histórica, buscando humanizar o atendimento e garantir que os direitos fundamentais das comunidades quilombolas sejam plenamente assegurados.

  • Publicado: 19/04/2026 15:45
  • Alterado: 19/04/2026 15:45
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: PJERJ