Projeto em SP aposta em atividade física contra dor crônica
Programa desenvolvido em unidades de saúde da capital utiliza exercícios físicos e educação em saúde para reduzir dores persistentes, melhorar a qualidade de vida e diminuir o uso de medicamentos
- Publicado: 12/07/2026 11:56
- Alterado: 12/07/2026 11:56
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: FolhaPress
A prática orientada de atividade física tem se consolidado como uma estratégia complementar no tratamento da dor crônica na rede pública de saúde de São Paulo. Um exemplo é o projeto EducaDor, desenvolvido nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) Mitsutani e Arrastão, na zona sul da capital, que oferece acompanhamento a pacientes com dores persistentes por meio de exercícios físicos supervisionados e ações educativas.
A iniciativa é voltada a pessoas que convivem com dor por mais de três meses, condição considerada crônica e que pode comprometer não apenas a mobilidade, mas também a saúde mental, o sono, a autoestima e as relações sociais.
Projeto incentiva movimento para aliviar sintomas
Os encontros do EducaDor acontecem semanalmente no Cecco (Centro de Convivência e Cooperativa) Campo Limpo. Durante aproximadamente uma hora, os participantes realizam sessões de cinesioterapia, modalidade terapêutica baseada no movimento.
As atividades incluem alongamentos, fortalecimento muscular, exercícios de equilíbrio, consciência corporal e orientações para correção da postura. Segundo os profissionais responsáveis pelo projeto, os exercícios são de intensidade leve a moderada e podem ser adaptados conforme a condição clínica de cada participante.
O fisioterapeuta Emerson Roberto Brito, um dos coordenadores da iniciativa, afirma que as queixas mais frequentes entre os pacientes envolvem dores na região lombar, joelhos e ombros. A recomendação é que cada pessoa respeite seus próprios limites durante os exercícios.
Além das atividades físicas, os participantes recebem orientações para repetir os movimentos em casa diariamente e contam com sessões de auriculoterapia, técnica da medicina tradicional chinesa que utiliza pontos específicos da orelha como parte do tratamento. Mensalmente, também são promovidos encontros educativos sobre prevenção de doenças e cuidados com a saúde.
Pacientes relatam melhora e redução no uso de medicamentos
A manicure Maria Hosana Reis Ferreira de Oliveira, de 53 anos, procurou atendimento após sofrer com dores nos ombros e na coluna lombar, que dificultavam tarefas simples do cotidiano e prejudicavam o sono.
Após ser encaminhada ao projeto por uma UBS, ela relata que os sintomas diminuíram significativamente. Segundo a paciente, as dores nos ombros desapareceram após cerca de dois meses de participação, enquanto o desconforto na coluna praticamente deixou de existir, sem necessidade de continuar utilizando medicamentos.
Outro caso é o da aposentada Marli Estefânia Pimenta, de 64 anos, que convivia com dores na coluna cervical e lombar. Após aproximadamente um mês de exercícios, ela percebeu redução da intensidade dos sintomas e afirma que hoje mantém apenas cuidados com postura e levantamento de peso.
Já o aposentado Edson Ramos Silva, de 67 anos, passou a frequentar o grupo após desenvolver dor persistente depois de uma cirurgia na coluna. Segundo ele, a continuidade dos exercícios proporcionou melhora superior a 70% no quadro clínico.
Como a atividade física ajuda no controle da dor
Especialistas explicam que o exercício físico estimula mecanismos naturais do organismo capazes de modular a dor. Durante a prática, o corpo aumenta a produção de substâncias como endorfina, serotonina, dopamina e noradrenalina, neurotransmissores associados ao bem-estar e ao controle da dor.
Outro benefício está na melhora da função das articulações. O movimento favorece a circulação do líquido sinovial, responsável pela lubrificação articular, além de reduzir a rigidez muscular e fortalecer a musculatura que dá sustentação às articulações.
Embora nem todos os casos de dor crônica possam ser completamente eliminados, os profissionais destacam que a prática regular de exercícios pode reduzir a intensidade das dores, diminuir a frequência das crises e ampliar a capacidade funcional dos pacientes.
Rede municipal oferece atendimento especializado
Além do EducaDor, a cidade de São Paulo conta com seis Centros de Referência da Dor, distribuídos pelas diferentes regiões da capital. O acesso ao serviço ocorre por meio da UBS de referência de cada paciente.
Esses centros reúnem equipes multiprofissionais formadas por médicos especialistas, fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, farmacêuticos e assistentes sociais, oferecendo atendimento integrado para pessoas com dor crônica.
Em municípios que não possuem programas semelhantes, a orientação é que os pacientes procurem a Unidade Básica de Saúde mais próxima para obter informações sobre os serviços disponíveis para tratamento da dor persistente.