Projeto em SP aposta em atividade física contra dor crônica

Programa desenvolvido em unidades de saúde da capital utiliza exercícios físicos e educação em saúde para reduzir dores persistentes, melhorar a qualidade de vida e diminuir o uso de medicamentos

Crédito: (Imagem: Freepik)

A prática orientada de atividade física tem se consolidado como uma estratégia complementar no tratamento da dor crônica na rede pública de saúde de São Paulo. Um exemplo é o projeto EducaDor, desenvolvido nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) Mitsutani e Arrastão, na zona sul da capital, que oferece acompanhamento a pacientes com dores persistentes por meio de exercícios físicos supervisionados e ações educativas.

A iniciativa é voltada a pessoas que convivem com dor por mais de três meses, condição considerada crônica e que pode comprometer não apenas a mobilidade, mas também a saúde mental, o sono, a autoestima e as relações sociais.

Projeto incentiva movimento para aliviar sintomas

Os encontros do EducaDor acontecem semanalmente no Cecco (Centro de Convivência e Cooperativa) Campo Limpo. Durante aproximadamente uma hora, os participantes realizam sessões de cinesioterapia, modalidade terapêutica baseada no movimento.

As atividades incluem alongamentos, fortalecimento muscular, exercícios de equilíbrio, consciência corporal e orientações para correção da postura. Segundo os profissionais responsáveis pelo projeto, os exercícios são de intensidade leve a moderada e podem ser adaptados conforme a condição clínica de cada participante.

O fisioterapeuta Emerson Roberto Brito, um dos coordenadores da iniciativa, afirma que as queixas mais frequentes entre os pacientes envolvem dores na região lombar, joelhos e ombros. A recomendação é que cada pessoa respeite seus próprios limites durante os exercícios.

Além das atividades físicas, os participantes recebem orientações para repetir os movimentos em casa diariamente e contam com sessões de auriculoterapia, técnica da medicina tradicional chinesa que utiliza pontos específicos da orelha como parte do tratamento. Mensalmente, também são promovidos encontros educativos sobre prevenção de doenças e cuidados com a saúde.

Pacientes relatam melhora e redução no uso de medicamentos

A manicure Maria Hosana Reis Ferreira de Oliveira, de 53 anos, procurou atendimento após sofrer com dores nos ombros e na coluna lombar, que dificultavam tarefas simples do cotidiano e prejudicavam o sono.

Após ser encaminhada ao projeto por uma UBS, ela relata que os sintomas diminuíram significativamente. Segundo a paciente, as dores nos ombros desapareceram após cerca de dois meses de participação, enquanto o desconforto na coluna praticamente deixou de existir, sem necessidade de continuar utilizando medicamentos.

Outro caso é o da aposentada Marli Estefânia Pimenta, de 64 anos, que convivia com dores na coluna cervical e lombar. Após aproximadamente um mês de exercícios, ela percebeu redução da intensidade dos sintomas e afirma que hoje mantém apenas cuidados com postura e levantamento de peso.

Já o aposentado Edson Ramos Silva, de 67 anos, passou a frequentar o grupo após desenvolver dor persistente depois de uma cirurgia na coluna. Segundo ele, a continuidade dos exercícios proporcionou melhora superior a 70% no quadro clínico.

Como a atividade física ajuda no controle da dor

Especialistas explicam que o exercício físico estimula mecanismos naturais do organismo capazes de modular a dor. Durante a prática, o corpo aumenta a produção de substâncias como endorfina, serotonina, dopamina e noradrenalina, neurotransmissores associados ao bem-estar e ao controle da dor.

Outro benefício está na melhora da função das articulações. O movimento favorece a circulação do líquido sinovial, responsável pela lubrificação articular, além de reduzir a rigidez muscular e fortalecer a musculatura que dá sustentação às articulações.

Embora nem todos os casos de dor crônica possam ser completamente eliminados, os profissionais destacam que a prática regular de exercícios pode reduzir a intensidade das dores, diminuir a frequência das crises e ampliar a capacidade funcional dos pacientes.

Rede municipal oferece atendimento especializado

Além do EducaDor, a cidade de São Paulo conta com seis Centros de Referência da Dor, distribuídos pelas diferentes regiões da capital. O acesso ao serviço ocorre por meio da UBS de referência de cada paciente.

Esses centros reúnem equipes multiprofissionais formadas por médicos especialistas, fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, farmacêuticos e assistentes sociais, oferecendo atendimento integrado para pessoas com dor crônica.

Em municípios que não possuem programas semelhantes, a orientação é que os pacientes procurem a Unidade Básica de Saúde mais próxima para obter informações sobre os serviços disponíveis para tratamento da dor persistente.

  • Publicado: 12/07/2026 11:56
  • Alterado: 12/07/2026 11:56
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: FolhaPress