Programa federal inicia nova fase para atrair cientistas estrangeiros

Governo prepara etapa do Conhecimento Brasil para captar pesquisadores até 2026

Crédito: Divulgação/Governo de SP

O governo federal está prestes a lançar uma nova fase do programa Conhecimento Brasil, com foco na atração de cientistas tanto brasileiros que residem no exterior quanto estrangeiros. Essa informação foi divulgada por Ricardo Galvão, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em entrevista à Folha.

Diferentemente da fase anterior, que se concentrou em cientistas brasileiros fora do país, esta nova etapa também contemplará doutores que completaram sua formação acadêmica no Brasil, atendendo a críticas recebidas sobre o direcionamento inicial do programa.

“Estamos enfrentando uma demanda crescente, especialmente por parte de pesquisadores dos Estados Unidos. Portanto, vamos criar oportunidades para esses profissionais de alto nível que desejam se estabelecer no Brasil”, declarou Galvão, enfatizando a intenção de atrair especialistas renomados.

Os pesquisadores interessados deverão associar-se a universidades e instituições brasileiras de pesquisa. “Inicialmente, eles devem integrar estruturas já estabelecidas. Embora haja previsão de recursos adicionais, as atividades deverão alinhar-se aos interesses das instituições anfitriãs”, acrescentou o presidente do CNPq.

Galvão mencionou que tem recebido contato de cientistas da área de física, muitos dos quais o abordam não apenas como presidente do CNPq, mas como colega, devido ao seu histórico na área científica, incluindo sua atuação como diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A referência aos Estados Unidos destaca a situação atual da pesquisa científica naquele país, marcada por cortes orçamentários sob a administração de Donald Trump e um cenário incerto para projetos científicos. O presidente do CNPq também indicou que países vizinhos como a Argentina estão enfrentando dificuldades semelhantes em ciência e tecnologia.

Galvão sublinhou que o novo programa visa atrair pesquisadores com destacadas qualificações e experiências. Para ambos os grupos – cientistas estrangeiros e doutores formados no Brasil – serão definidas áreas específicas de pesquisa. Contudo, ele não especificou quais campos seriam priorizados, afirmando que essa decisão ainda está em andamento.

Entre as áreas mencionadas como carentes de investimento no Brasil estão inteligência artificial, engenharia, tecnologia da informação, medicina e mudanças climáticas. “Em um programa especializado, é fundamental definir prioridades”, enfatizou Galvão.

Embora ainda não exista uma data exata para o lançamento desta nova fase do programa Conhecimento Brasil, Galvão garantiu que o edital será divulgado ainda este ano, com previsão para implementação em 2026.

A iniciativa já enfrentou críticas desde seu lançamento inicial. Os especialistas expressaram preocupações sobre a abordagem voltada principalmente para a repatriação de cientistas brasileiros no exterior enquanto os desafios para aqueles que realizam pesquisa no país permanecem inalterados.

Contudo, a inclusão de doutores formados exclusivamente no Brasil é vista como uma resposta às críticas anteriores. Ao ser questionado sobre se essa modificação foi influenciada pelas reclamações recebidas, Galvão afirmou que essa ideia já estava prevista antes do lançamento inicial do programa.

Por outro lado, ele antecipou possíveis objeções à nova fase devido à seleção restrita de áreas de pesquisa. “O desenho da proposta já estava completo. Apenas adiamos o lançamento por conta das críticas iniciais e pela incerteza em relação à eficácia da atração desses profissionais”, comentou Galvão.

Para os pesquisadores que permanecem no Brasil, existem programas existentes de bolsas e pós-doutorados; entretanto, os valores são considerados baixos. O novo programa promete oferecer valores significativamente mais altos, assegurou Galvão.

A fonte dos recursos financeiros para essa nova fase será o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 04/08/2025
  • Fonte: Sorria!,