Professores relatam desafios em sala de aula
Apenas 14% dos professores brasileiros se sentem valorizados, revela pesquisa da OCDE, evidenciando desafios disciplinares e condições de trabalho precárias
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 07/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
Uma recente edição da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis), promovida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), revelou que apenas 14% dos docentes no Brasil se sentem valorizados pela sociedade. Este percentual é inferior à média de 22% observada entre os países analisados.
A pesquisa indica que os professores brasileiros dedicam mais de 20% do tempo das aulas a manter a disciplina, superando a média internacional de 16%. Este dado foi divulgado na segunda-feira (6) e destaca um desafio significativo enfrentado por esses educadores.

Mais da metade dos professores brasileiros (acima de 50%) relatou enfrentar problemas relacionados ao “barulho perturbador e desordem” nas salas de aula. Este índice é alarmante, considerando que a média entre os países avaliados pela OCDE é de apenas 20%, ou seja, um em cada cinco professores.
Desde a última edição do Talis em 2018, houve um aumento no tempo despendido com a manutenção da ordem em quase todos os sistemas educacionais. Para comparação, enquanto pouco mais de 33% dos docentes em nações como Chile, Finlândia, Portugal e África do Sul enfrentam dificuldades disciplinares, menos de 5% dos professores na Albânia, Japão e Xangai (China) reportam experiências semelhantes. Além disso, os professores iniciantes no Brasil relataram mais interrupções durante as aulas (66%) em comparação aos docentes experientes (53%).
O levantamento revela que aproximadamente 43% a 44% dos educadores perdem uma quantidade considerável de tempo esperando que os alunos se acalmem, um número que contrasta fortemente com a média da OCDE, que é de 15%. Uma proporção semelhante também se aplica ao tempo perdido devido a interrupções durante as aulas, onde o Brasil apresenta uma taxa de 18%, em comparação com a média internacional.

A pesquisa ainda abordou a satisfação profissional dos professores em diversos aspectos, como suas intenções de carreira e percepção do status da profissão. Apenas 14% afirmaram sentir-se valorizados socialmente, representando um pequeno aumento de três pontos percentuais desde 2018. O sentimento geral na OCDE é mais positivo nesse aspecto.
Outro dado preocupante é que cerca de 18% dos educadores globais relataram experiências de intimidação ou abuso verbal por parte dos alunos. No Brasil, essa estatística é alarmantemente alta, com 47% dos professores indicando tais experiências, enquanto em muitos países analisados essa porcentagem fica abaixo de 25%.
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Adicionalmente, cerca de 72% dos professores brasileiros trabalham em regime de meio período, sendo uma das maiores proporções entre os países participantes do estudo. Caetano Siqueira, coordenador de políticas docentes do Movimento Profissão Docente, ressalta que “garantir jornadas de 40 horas, preferencialmente com dedicação exclusiva a uma escola, aumenta a motivação dos professores e melhora o vínculo com os alunos”.
Siqueira enfatiza ainda que jornadas que permitam plena dedicação à profissão e melhores remunerações são essenciais para valorizar a carreira docente e proporcionar condições adequadas de trabalho. O estudo também aponta que mais da metade dos educadores relataram dificuldades em participar de formações continuadas devido à incompatibilidade com seus horários.
A Talis avalia desde 2008 o ambiente educativo e as condições laborais de docentes e diretores escolares. Entre os aspectos examinados estão formação inicial e continuada, práticas pedagógicas, clima escolar e satisfação profissional.
A quarta edição da pesquisa foi realizada em 2024 com cerca de 280 mil professores e diretores distribuídos em 17 mil escolas do ensino fundamental II em 55 sistemas educacionais. No Brasil, o estudo é conduzido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), tendo coletado dados entre junho e julho do ano anterior.