Professor da USP é afastado após denúncias de assédio de ex-alunas em Ribeirão Preto
Alunas relatam toques inapropriados e comportamento inadequado
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 10/03/2025
- Autor: Redação
- Fonte: PMSA
O Departamento de Química da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto se vê envolto em uma controvérsia significativa após o afastamento do professor José Maurício Rosolen. Duas ex-alunas do docente, que optaram por permanecer anônimas, relataram experiências de assédio durante o período em que estavam sob sua orientação, entre 2021 e 2024.
Os relatos das vítimas, embora ocorridos em anos distintos, revelam padrões preocupantes no comportamento do professor. Ambas as denunciantes afirmaram ter enfrentado toques inapropriados e convites inadequados, além de sofrerem assédio moral após rejeitarem as investidas de Rosolen.
Após a coleta dessas denúncias, o professor foi temporariamente afastado do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP). Um processo administrativo disciplinar foi instaurado em setembro de 2024, resultando na suspensão de suas atividades por um período de 180 dias.
Outra ex-aluna também fez uma denúncia, mencionando a existência de uma lista com pelo menos 16 mulheres que relataram experiências semelhantes de assédio ao comitê responsável pela apuração dos fatos. Contudo, a denunciante expressou incerteza quanto ao número total de vítimas que foram realmente ouvidas até o momento.
A equipe de reportagem tentou contato com Rosolen para obter um posicionamento sobre as alegações, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.
A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP/SP) informou que não há investigações em andamento pela Polícia Civil relacionadas ao professor e destacou que não foi registrado qualquer boletim de ocorrência contra ele.
Uma das ex-alunas relatou em entrevista que seu primeiro encontro pessoal com o professor ocorreu em maio de 2024. Desde o início, notou comportamentos inadequados, como convites para atividades físicas e eventos sociais, mesmo após suas recusas. Em um episódio específico, ela recorda um convite para uma viagem à Grécia sob a justificativa de um projeto acadêmico. O professor sugeriu dividir um quarto no hotel durante a viagem, o que a deixou extremamente desconfortável.
A ex-aluna também compartilhou detalhes sobre toques inapropriados que ocorreram durante interações no laboratório. Durante uma situação tensa onde precisavam ir a uma oficina juntos, ela percebeu a crescente aproximação física do professor e se sentiu ameaçada e acuada.
A outra denunciante corroborou as experiências relatando que o professor tinha a fama de se comportar de maneira inadequada dentro da instituição. Ela destacou um “acordo tácito” entre os alunos para evitar deixar mulheres sozinhas com ele no laboratório devido à sua conduta suspeita.
Embora tenha enfrentado situações difíceis, ela afirmou que outras colegas passaram por experiências ainda mais graves com o docente.