Produtores rurais elevam produção de macadâmia no interior de São Paulo

CPL reúne 14 municípios e adquiriu equipamentos por meio de recursos de fomento do programa estadual

Crédito: Pamella Souza

“São dez anos aprendendo e crescendo junto com a macadâmia, conta Ellis Fernanda Fassina, de 27 anos, que trabalha com a noz — originária da Austrália e que encontrou no Brasil um terreno fértil para sua produção — em Bocaina, na região de Bauru, no interior paulista. O primeiro emprego da jovem era com barrinhas de cereais, que tinham a oleaginosa como ingrediente, e depois passou a cuidar da seleção das nozes, de forma manual.

O trabalho, quase artesanal, era separar a casca da amêndoa, o que levava um dia inteiro para limpar poucos quilos com qualidade. Essa realidade mudou a partir da chegada da seletora digital óptica, uma das máquinas compradas com o fomento do programa SP Produz, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, que reconheceu a Cadeia Produtiva Local (CPL) da Macadâmia Tropical, gerida pela Associação dos Produtores Rurais do Vale do Rio Jacaré Pepira (Aprojape).

Presidente do Aprojape fala da melhora na produção de macadâmia com a maquina digital

“Com a nova máquina, o que antes rendia de 30 a 50 quilos por dia, agora pode alcançar até 200 quilos por hora, se quisermos. Mudou completamente a nossa capacidade operacional de processamento da macadâmia”, afirma Edinho Montenegro, presidente da Aprojape.

“O serviço ficou mais leve e rápido”, diz Ellis, que hoje atua como gerente de produção e usa as mãos para operar a máquina com inteligência artificial, identificando nuances de tonalidades e defeitos nos frutos secos com precisão. “É gratificante, dá uma sensação boa ver o trabalho render com menor desgaste físico. Me sinto parte de algo que vai para muitas famílias”, afirma.

Outro avanço provocado pelo fomento foi a compra de um container refrigerado. “Antes, precisávamos vender a macadâmia logo após o processamento. Agora, conseguimos ampliar a validade dela em mais de um ano, o que dá mais segurança na conservação e a preserva com qualidade”, cita o presidente da associação.

Estado de São Paulo é o maior produtor nacional de macadâmia

O Estado de São Paulo é o maior produtor nacional de macadâmia, responsável por cerca de 40% do total produzido no Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Nozes e Castanhas (ABNC). A predominância paulista na cultura reforça a importância de políticas públicas como o SP Produz para modernizar e ampliar a capacidade produtiva da cadeia.

A CPL da Macadâmia Tropical recebeu recursos do edital 2024 do SP Produz. “O programa é uma oportunidade de conectar os elos produtivos de um setor, da matéria-prima à comercialização, criando um ambiente de cooperação, inovação e ganho de escala, com benefícios para todos os envolvidos. Qualquer setor que possa ser fomentado, estruturado e apoiado pelo Governo do Estado pode buscar esse reconhecimento como cadeia produtiva local”, afirma Júlia da Motta, subsecretária de Competitividade e Desenvolvimento Econômico e Regional da SDE.

A CPL da Macadâmia Tropical atua prioritariamente em 14 municípios do Vale, localizados nas regiões administrativas de Bauru, Central e Campinas. Com mais de 50 associados, a cadeia traz benefícios a todos os membros, como melhoria da qualidade do produto e a redução de custos com o uso compartilhado de maquinários. 

“A gestão compartilhada dos equipamentos entre os produtores facilita o acesso a tecnologias que, individualmente, seriam difíceis de adquirir, além de promover a troca de conhecimento e a profissionalização da cadeia”, afirma Ellis.

Produtos feitos com a macadâmia

Maquinário digital agiliza a produção de macadâmia - Divulgação
Maquinário digital agiliza a produção de macadâmia – Divulgação

A noz possui alto valor nutricional e versatilidade para se transformar em diversos produtos, como pães, sorvetes e queijos. Na CPL, há produtores que cultivam macadâmia certificada como orgânica, livre de insumos químicos, o que atrai compradores que veem valor para desenvolver seus próprios produtos orgânicos.

É o caso de Toco Cazzoli, chef de cozinha em Jaú, que destaca o uso da noz nos pratos de seu restaurante. “Usamos no pesto de manjericão, pois a quantidade de gordura da castanha ajuda muito na preparação, além da farofa de macadâmia que utilizamos para finalizar entradas, pratos e sobremesas”, conta.

Já Victor José, produtor de queijo autoral feito com massa láctea, fermento kefir e macadâmia de Ribeirão Bonito, compra a oleaginosa da CPL da Macadâmia e destaca que o queijo foi criado para valorizar a produção local. “A ideia do queijo surgiu como uma forma de valorizar o que a gente tem por aqui, unir tradições e ingredientes da nossa própria região”, explica.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 28/07/2025
  • Fonte: Sorria!,