Produtora do filme ‘Dark Horse’ sofre busca e apreensão da Polícia Civil
Polícia Civil apura desvio milionário em contrato de wi-fi firmado entre o Instituto Conhecer Brasil e o poder público municipal.
- Publicado: 01/06/2026 11:26
- Alterado: 01/06/2026 11:27
- Autor: Thiago Antuens
- Fonte: FolhaPress
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou uma operação nesta segunda-feira (1º) contra a produtora do filme de Bolsonaro, a Go UP Entertainment, e a organização não governamental Instituto Conhecer Brasil (ICB). A ação mira a empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária das instituições, por suspeita de superfaturamento e desvio de recursos públicos. O alvo principal é um acordo de fornecimento de internet gratuita firmado com a Prefeitura de São Paulo.
O contrato sob investigação, gerido pela gestão do prefeito Ricardo Nunes, prevê a instalação de pontos de wi-fi na periferia da capital paulista. O valor original de R$ 108 milhões anuais saltou para R$ 157,1 milhões após a assinatura de aditivos. Investigadores apuram se parte desse montante financiou irregularmente as atividades audiovisuais da empresa investigada.
Suspeitas de desvios na produtora do filme de Bolsonaro

Agentes cumpriram sete mandados de busca e apreensão na casa da empresária, na sede da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e nos escritórios ligados à produtora do filme de Bolsonaro. O inquérito do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania aponta o suposto desvio de pelo menos R$ 26 milhões repassados à ONG sem a devida prestação do serviço.
O acordo previa a entrega de 5.000 pontos de internet até junho de 2025, mas apenas 3.200 foram instalados. A apuração policial identificou o uso de notas fiscais milionárias canceladas no sistema municipal para justificar gastos na prestação de contas da entidade parceira da prefeitura.
Documentos do inquérito revelam a emissão de notas fiscais da ONG para si mesma, somando mais de R$ 1,4 milhão. Um parecer técnico da própria secretaria municipal apontou a irregularidade e exigiu a devolução de recursos, aprovando as contas com ressalvas.
Respostas da prefeitura e da produtora

A prefeitura negou a existência de irregularidades no chamamento público e afirmou colaborar com as autoridades. “Não constatamos nada de irregular no processo, mas estamos à disposição para colaborar, como já vem sendo feito”, declarou Ricardo Nunes à imprensa.
A dona da produtora do filme de Bolsonaro alegou desconhecer as notas canceladas por fornecedores e negou o uso de dinheiro do município na obra cinematográfica. A empresária declarou que os problemas nas notas do próprio instituto foram identificados por ela mesma e estão em fase de regularização documental.
Relações políticas e inquérito no Ministério Público
A empresária possui histórico de prestação de serviços para aliados políticos. Em 2022, uma de suas empresas atuou na campanha do deputado Mário Frias, que posteriormente destinou cerca de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao ICB.
O financiamento da película também é alvo de escrutínio da Polícia Federal, após revelações sobre o repasse de R$ 61 milhões pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A investigação federal analisa a possível confusão patrimonial entre as empresas geridas pela empresária e o destino desses recursos.
O Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito civil paralelo para examinar o termo de colaboração. Os promotores investigam o suposto direcionamento do edital que beneficiou a ONG ligada à produtora do filme de Bolsonaro, entidade que não possuía experiência prévia no setor de telecomunicações.