Procuradores repudiam fala de Villas Bôas e se dizem preocupados com reação

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) divulgou hoje, 4, em nota, que vê com preocupação as declarações do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas

Procuradores repudiam fala de Villas Bôas e se dizem preocupados com reação

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Villas Bôas afirmou pelo Twitter que o Exército “julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia”. O general afirmou também que o Exército “se mantém atento às suas missões”.

De acordo com a ANPR, as mensagens das Forças Armadas brasileiras podem ser mal compreendidas e instigar manifestações de movimentos políticos de parcela da população. “O Brasil é uma democracia há mais de 30 anos, assim tem de prosseguir, e vai prosseguir. Em estados democráticos de direito, o poder civil dirige os destinos da nação e deve ser livremente exercido, sem interferências, insinuações ou, o que pareça, sequer sugestões impertinentes.

No dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) julga o Habeas Corpus preventivo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a associação lembra que “a Constituição Federal garante ao Ministério Público a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis”.

“Em uma democracia e em um estado de direito não cabe às organizações militares ou a seus integrantes – salvo como cidadãos na sua liberdade de expressão – tentar interferir na agenda política do país ou nas pautas do Poder Judiciário. Ou mesmo parecer que buscam interferir. As respeitáveis instituições militares nacionais respondem ao presidente da República e destinam-se à defesa da pátria e à garantia dos poderes constitucionais, inclusive do Poder Judiciário. Dúvida alguma existe acerca disso”, afirmou.

“A ANPR valoriza e respeita a autonomia dos nossos tribunais, especialmente a do Supremo Tribunal Federal (STF), e entende ser essencial que todos velemos para que as magistraturas brasileiras tenham liberdade de exercerem suas funções constitucionais e, em particular, de julgar quaisquer causas e decidi-las de acordo com as leis do País e suas consciências”, completou.

Os procuradores destacam ainda que a verdadeira força de um País está no respeito às leis, às liberdades públicas, à vontade das maiorias e aos direitos das minorias, e citam uma frase do ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln: “O voto é mais poderoso que um projétil”, concluem.

  • Publicado: 04/04/2018 15:10
  • Alterado: 04/04/2018 15:10
  • Autor: Redação ABCdoABC
  • Fonte: Estadão Conteúdo