Problemas respiratórios crescem nos grandes centros
Poluição no Brasil atinge níveis superiores ao recomendado pela OMS
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 03/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
As principais capitais brasileiras registraram o aumento de doenças respiratórias no primeiro semestre deste ano, provocado pela circulação de vírus associada aos altos níveis de poluição atmosférica. Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelam que o vírus sincicial respiratório (VSR) correspondeu a 57% dos casos registrados em quatro semanas epidemiológicas do mês de maio, seguido pela influenza A, com 21,8%, e pelo rinovírus, com 20,3%.
O VSR está entre as principais causas de infecções pulmonares graves e hospitalizações em bebês. A gravidade do cenário se reflete também nos óbitos registrados. Dados da Fiocruz mostram que, entre as mortes por SRAG com resultado laboratorial positivo, 46,4% foram causadas por influenza A; 20,4% por Covid-19; e 14,7% por VSR. A mortalidade é mais elevada entre idosos.
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Brasil registra poluição acima do limite da OMS
A qualidade do ar comprometida nas grandes cidades funciona como catalisador para o agravamento de problemas respiratórios. Dados do Ministério da Saúde revelam que a média anual de material particulado fino no Brasil atingiu 9,9 microgramas por metro cúbico em 2023, praticamente o dobro do limite de 5 microgramas estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
A cidade de São Paulo apresentou concentração de poluentes de 36,5 microgramas por metro cúbicos, índice seis vezes superior ao limite recomendado. O resultado reflete nos consultórios: especialistas em otorrino em SP observam a demanda por atendimentos ligados a problemas respiratórios, um fenômeno que se repete em outras cidades brasileiras.
O Rio de Janeiro chegou aos 13,3 microgramas por metro cúbico, e isso se reflete nos consultórios médicos: cresce a busca por otorrino no RJ, especialidade que lida justamente com ouvido, nariz e garganta.
O pediatra e diretor de Defesa Profissional Adjunto da Associação Paulista de Medicina, Marun David Cury, destaca o aumento expressivo de casos na clínica médica. “Na clínica, estamos vendo cada vez mais casos de asma, bronquite, sinusite e tosse. Esse clima de deserto favorece a proliferação de micróbios, bactérias e vírus, o que impacta diretamente na imunidade das pessoas”, afirmou o especialista em entrevista à imprensa.
Entre os riscos de longo prazo, há a possibilidade de desenvolvimento de fibrose pulmonar, condição que pode afetar até mesmo crianças expostas continuamente ao ar poluído. Estudos também apontam prejuízos ao desenvolvimento cognitivo infantil e redução da expectativa de vida nas populações urbanas mais expostas.
Os dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2024, praticamente todo o território nacional respirava ar com níveis de poluição superiores ao recomendado, estabelecendo conexão direta entre qualidade ambiental e saúde respiratória da população urbana.
De acordo com a OMS, 99% da população mundial respira níveis considerados insalubres, capazes de causar impactos cardiovasculares, cerebrovasculares e respiratórios.
Síndrome respiratória aguda cresce em 24 estados brasileiros
O Boletim InfoGripe, divulgado pela Fiocruz em maio, aponta o crescimento da Síndrome Respiratória Aguda Grave em (SRAG) em 24 estados brasileiros, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal. A análise, referente à Semana Epidemiológica 17, demonstrou que o vírus sincicial respiratório mantém níveis de moderado a muito alto de circulação nas regiões Centro-Sul, Norte e Nordeste.
O aumento das hospitalizações por SRAG no Brasil também pode ser associado ao vírus influenza, segundo afirma a pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Processamento Científico da Fiocruz, em entrevista ao jornal O Povo. Entre as capitais, 18 das 27 apresentaram a existência da SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco, com tendência de crescimento de longo prazo.
Anteriormente, o coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes, apontou em fala à Agência Brasil que, além do influenza, o aumento de SRAG no grupo de 5 a 14 anos também pode estar relacionado ao rinovírus e ao Sars-CoV-2. Além disso, a combinação entre queimadas, mudanças climáticas extremas e baixa umidade também gera um ambiente propício para agentes patógenos se proliferarem.
Entre as medidas preventivas essenciais estão o uso de máscaras em locais de aglomeração e a manutenção da etiqueta respiratória ao tossir ou espirrar. Vacinas atualizadas contra influenza e Covid-19 também entram na lista de prioridades. No âmbito urbano, investimentos em transporte público limpo, ampliação de áreas verdes e criação de ciclovias são estratégias fundamentais para mitigar os efeitos da poluição atmosférica.