Privação de sono aumenta pensamentos indesejados

Privação do descanso pode aumentar pensamentos indesejados e riscos à saúde mental

Crédito: Marcello Casal Jr - Agência Brasil

Uma nova pesquisa destaca a relação entre a qualidade do sono e a presença de pensamentos indesejados, sugerindo que a privação de descanso pode contribuir para dificuldades mentais. A análise foi publicada na respeitada revista Scientific American, reconhecida por sua dedicação à divulgação científica.

Imagine reviver um momento embaraçoso repetidamente, como ter derramado vinho em um sofá branco. Por que essas memórias continuam a atormentar? Segundo o estudo, a dificuldade em se livrar dessas imagens está atrelada à má qualidade do sono. Durante períodos de descanso adequado, o cérebro tem uma capacidade melhor de suprimir recordações negativas. Em contrapartida, aqueles que sofrem de insônia enfrentam um aumento na ocorrência de ideias intrusivas, que frequentemente geram desconforto emocional.

A pesquisa realizada pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (PNAS) investigou como a privação de sono influencia o processamento mental. Scott Cairney, professor de psicologia na Universidade de York e autor sênior do estudo, ressaltou que as descobertas podem ajudar a entender o aumento do risco de problemas de saúde mental em indivíduos com privação crônica de sono.

Estudos anteriores já haviam demonstrado que o hipocampo é crucial na recuperação de memórias, enquanto o córtex pré-frontal dorsolateral direito desempenha um papel essencial na supressão desses pensamentos. Os pesquisadores levantaram a hipótese de que a falta de sono compromete essa capacidade de controle.

Para verificar essa teoria, 85 estudantes foram recrutados e instruídos a associar rostos a imagens específicas, incluindo algumas cenas negativas, como acidentes. “O objetivo era criar uma conexão forte entre o rosto e a cena negativa para facilitar o processo de recuperação”, explicou Cairney.

Os participantes foram divididos em dois grupos: um permaneceu acordado durante toda a noite e o outro pôde dormir no laboratório. Este último grupo foi monitorado quanto ao tempo gasto em sono REM e não-REM, sendo o primeiro vital para a saúde mental.

Na manhã seguinte, todos os participantes foram expostos às imagens do treinamento e instruídos a recuperar as memórias associadas enquanto suas atividades cerebrais eram monitoradas por meio de ressonância magnética.

Os resultados confirmaram as suposições dos pesquisadores. Aqueles que não dormiram apresentaram uma atividade reduzida no córtex pré-frontal dorsolateral direito, dificultando o bloqueio de pensamentos intrusivos. Em contrapartida, a atividade do hipocampo foi elevada, provavelmente devido à incapacidade do córtex em realizar as funções necessárias. Isso indica que a privação do sono não resulta apenas em uma diminuição geral da atividade cerebral, mas sim em um comprometimento específico das funções cognitivas.

Entre os participantes que tiveram um sono adequado, os pesquisadores observaram uma correlação positiva entre o tempo gasto em sono REM e a atividade do córtex pré-frontal dorsolateral direito. Cairney comentou que essa descoberta é relevante uma vez que transtornos relacionados a pensamentos intrusivos persistentes, como depressão e estresse pós-traumático, frequentemente estão associados à disfunção do sono REM. Portanto, melhorias nesse estágio do sono podem se tornar uma estratégia terapêutica valiosa para tratar esses distúrbios.

  • Publicado: 01/01/2026
  • Alterado: 01/01/2026
  • Autor: 16/01/2025
  • Fonte: Motisuki PR