Prisão de Bolsonaro reacende plano de Tarcísio para eleição de 2026
Cenário muda para Tarcísio de Freitas com avanço da crise e afastamento de Bolsonaro
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 07/08/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
A recente prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL), que gerou críticas até mesmo entre ministros do STF, reacendeu discussões sobre a possível candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) como sucessor do bolsonarismo nas eleições presidenciais de 2026.
Após semanas marcadas por incertezas e um sentimento negativo em relação a sua candidatura, Tarcísio começou a ver novas possibilidades surgirem com a antecipação da prisão do ex-presidente na última segunda-feira (4). Segundo fontes próximas, houve uma pressão renovada para que ele se mantenha como uma opção viável para o futuro da direita no Brasil.
Embora sua postura tenha sido alvo de críticas por parte de diferentes segmentos políticos, devido à sua abordagem sobre tarifas e à falta de manifestação em relação às sanções dos Estados Unidos contra o ministro Alexandre de Moraes, bem como a ausência de apoio explícito aos atos bolsonaristas realizados no domingo (3), aliados acreditavam que sua participação na disputa presidencial poderia ser mais prejudicial do que benéfica.
Com a nova situação política após a prisão de Bolsonaro, interlocutores vislumbram um quadro mais competitivo para Tarcísio. Contudo, a disputa interna entre os filhos do ex-presidente, especialmente Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se coloca como candidato, complica ainda mais o cenário. O senador criticou os governadores de direita pela falta de apoio aos atos bolsonaristas, chamando isso de um “grande erro estratégico”.
Esse clima interno trouxe desânimo ao governador, que evita abordar sua eventual candidatura presidencial com seus aliados e subordinados. A única circunstância sob a qual ele consideraria renunciar à reeleição para o governo paulista seria se Bolsonaro o indicasse formalmente como seu sucessor.
Aliados acreditam que tal gesto poderia ajudar a esclarecer as tensões políticas. Apesar das críticas que enfrenta, Tarcísio mantém comunicação constante com Bolsonaro, realizando encontros periódicos.
De acordo com assessores do ex-presidente, há consciência sobre os desafios eleitorais que seus filhos enfrentariam em uma corrida presidencial. Eles acreditam que Tarcísio possui melhores chances nesse contexto. No entanto, até recentemente, o governador expressava preocupação em concorrer contra Lula, acreditando que perderia essa disputa.
Tarcísio justificava suas apreensões alegando que as tarifas elevadas impostas pelos Estados Unidos prejudicaram seu grupo político e enfatizava o domínio da oposição nas redes sociais. Ele argumentava que Lula, vencedor de múltiplas eleições, não deveria ser subestimado.
Ainda segundo relatos, Tarcísio considera arriscada sua própria reeleição, especialmente diante do protagonismo crescente do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) entre empresários que buscam soluções para a crise atual. Embora minimizasse o papel do vice-presidente nas negociações com o governo dos EUA, o governador reconhecia que ainda havia tempo para mudar o cenário adverso até as eleições programadas para outubro do próximo ano.
Em resposta à crise política, Tarcísio adotou uma postura defensiva: evitou compromissos públicos na capital e passou a primeira semana após a prisão no interior do estado. Além disso, optou por reduzir suas interações nas redes sociais.
No entanto, ao reagir rapidamente à prisão de Bolsonaro com um vídeo forte poucas horas após o ocorrido, Tarcísio conseguiu angariar apoio entre os bolsonaristas.