Prisão de Bolsonaro motiva atos na Avenida Paulista
Grupos de esquerda e direita se reuniram nas imediações do Masp para manifestar sobre a detenção do ex-presidente.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 23/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Neste domingo (23), a Avenida Paulista foi palco de manifestações distintas nas proximidades do Museu de Arte de São Paulo (Masp). O motivo central da mobilização foi a prisão de Bolsonaro, ocorrida no dia anterior. Embora o tráfego de veículos estivesse excepcionalmente liberado devido às provas da Fuvest, o ato convocado por organizações de esquerda atraiu a atenção de quem passava pela região.
A dinâmica do protesto ganhou corpo com uma roda de samba, que acabou desacelerando o fluxo de automóveis e forçando desvios. O grupo utilizou um boneco inflável gigante representando o ex-presidente com trajes de presidiário, consolidando a imagem como símbolo do ato a favor da prisão de Bolsonaro.
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Divergências políticas e manifestações opostas
Do outro lado da avenida, membros do partido Novo organizaram um protesto contra o governo Lula. O grupo também fez uso de um boneco inflável, desta vez caracterizando o petista com roupas listradas. Segundo os participantes, a mobilização já estava agendada e não possuía vínculo direto com a recente prisão de Bolsonaro, mantendo o foco na oposição à gestão atual.
Bianca Borges, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e filiada ao PC do B, destacou o papel da entidade na organização do ato de esquerda. Para ela, a medida judicial foi um “desfecho necessário” diante do que classificou como tentativa frustrada de golpe.
Em contrapartida, Catharina Donato, pré-candidata a deputada estadual pelo Novo, criticou a decisão. Aos 34 anos, ela argumentou que a ação do Supremo Tribunal Federal (STF) evidenciou parcialidade e questionou a legitimidade do governo Lula.

O contexto da ordem judicial e a defesa
A prisão de Bolsonaro em caráter preventivo foi efetuada pela Polícia Federal em Brasília, na manhã de sábado (22). A ação faz parte de uma investigação sobre supostas tramas golpistas ligadas ao STF. A decisão do ministro Alexandre de Moraes fundamentou-se em indícios de que o ex-presidente tentou violar a tornozeleira eletrônica e no risco de fuga para a embaixada dos Estados Unidos.
Bolsonaro, que estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto, admitiu em gravação ter utilizado um “ferro quente” no dispositivo de monitoramento. Esse fato, somado ao histórico de fugas de aliados, acelerou a determinação da prisão de Bolsonaro.
A defesa do ex-mandatário, representada pelos advogados Celso Vilardi e Paulo Bueno, emitiu nota contestando a legalidade da medida. Eles afirmaram que o episódio foi baseado em uma “vigília de orações”, direito que consideram constitucional, e informaram que irão recorrer para reverter a prisão de Bolsonaro.