Prisão Bolsonaro: veja a linha do tempo da investigação
Ex-presidente teve prisão preventiva decretada por Alexandre de Moraes após violações de medidas cautelares e risco de fuga
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 23/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), neste sábado (22), marca um desfecho após 653 dias de investigação iniciada com a Operação Tempus Veritatis, deflagrada pela Polícia Federal em fevereiro de 2024. A ação buscava apurar a existência de uma organização criminosa dedicada à articulação de um golpe de Estado para mantê-lo no poder após as eleições de 2022.
Desde então, Bolsonaro se tornou alvo de uma série de medidas judiciais: teve o passaporte retido, foi impedido de deixar o país, passou a usar tornozeleira eletrônica e acabou em prisão domiciliar em agosto de 2025, após descumprir decisão que o proibira de usar redes sociais, ainda que por meio de terceiros. Ao longo desse período, o ex-presidente oscilou entre ataques à Justiça, pedidos de anistia e discursos afirmando temer morrer na prisão.
Condenação histórica no STF e avanço das investigações
Em setembro de 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão, reconhecendo sua participação central no planejamento e na condução da tentativa de golpe. Outros sete aliados do núcleo principal também foram condenados.
A condenação foi fruto de quase dois anos de apuração, que contou com delações, quebras de sigilo, buscas e apreensões e depoimentos de militares. Entre os elementos que pesaram contra o ex-presidente estão:
- A delação do tenente-coronel Mauro Cid, que afirmou que Bolsonaro não só recebeu como editou uma minuta de golpe.
- Depoimentos de comandantes militares, incluindo o ex-chefe da FAB, que relatou discussões internas sobre a possibilidade de ruptura institucional.
- Episódios de pressão política, como as manifestações na Avenida Paulista pedindo anistia e ataques ao STF.
- Indícios de que Bolsonaro teria avalizado um plano para assassinar autoridades, segundo a PGR — o ex-presidente nega.
Mesmo condenado, Bolsonaro seguia em regime domiciliar enquanto seus recursos eram avaliados. Nesse período, sua defesa passou a alegar problemas de saúde e risco à vida caso a prisão fosse endurecida.
Violação de medidas, risco de fuga e decisão de Moraes levam à prisão preventiva
A gota d’água ocorreu na madrugada de 22 de novembro. Segundo decisão do ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro violou a tornozeleira eletrônica e representava risco concreto de fuga, especialmente após movimentações que indicariam possível ida à embaixada dos Estados Unidos. Além disso, uma vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro, seu filho mais velho, foi citada como fator de preocupação para a ordem pública.
Com base nesses elementos, Moraes determinou a prisão preventiva, justificando que as medidas alternativas já não eram suficientes para garantir o cumprimento da lei e evitar novas tentativas de obstrução de Justiça.
O ex-presidente foi então levado à Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Cronologia marcada por tensões políticas e pressão social
Desde o início do processo, o cenário político nacional foi tensionado por debates sobre anistia, atos públicos, pressões do Congresso e até interferências internacionais — como o tarifaço imposto e depois retirado pelo governo Trump, que chegou a relacionar publicamente o tema ao julgamento de Bolsonaro no STF.
No Congresso, a chamada PEC da Blindagem, que ampliaria foro privilegiado e poderia beneficiar aliados do ex-presidente, chegou a avançar, mas acabou arquivada após forte reação pública.
Paralelamente, manifestações pró-anistia mobilizaram apoiadores, enquanto grupos de esquerda também foram às ruas para contestar iniciativas legislativas consideradas ameaça ao Estado democrático de Direito.
Fim de um ciclo e início de nova fase judicial
A prisão preventiva de Bolsonaro abre uma nova etapa no processo que julgou a tentativa de golpe de 2022, agora em fase de recursos. Até o momento, 24 pessoas já foram condenadas no caso, que engloba desde o núcleo central do comando político até operadores de desinformação e militares envolvidos nas ações.
Com a nova ordem de prisão, o STF sinaliza que não tolerará novas violações ou tentativas de interferência nas investigações. A defesa, por sua vez, afirma que o ex-presidente enfrenta “risco à vida” e pleiteia que ele retorne ao regime domiciliar.
O caso continua entre os mais relevantes da história recente do Supremo e permanece no centro do debate político nacional.