Governo do Brasil vai construir o primeiro túnel debaixo da água da América Latina
Obra histórica em Santos e Guarujá transforma a mobilidade e projeta o Brasil como referência global em infraestrutura
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 26/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
A Baixada Santista, um dos motores da economia nacional, convive há décadas com um gargalo logístico que marcou gerações: a travessia entre Santos e Guarujá. Dependente quase exclusivamente das balsas, a ligação tornou-se sinônimo de espera, filas e imprevisibilidade. Agora, o Governo do Brasil, comprometido com a modernização da infraestrutura do país, vai construir o primeiro túnel debaixo da água da América Latina, obra inédita no país que promete revolucionar a mobilidade regional e projetar o Brasil em um novo patamar de infraestrutura.
Uma solução aguardada por gerações
O debate sobre alternativas à travessia por balsa não é novo. Já nos anos 1920, engenheiros defendiam a necessidade de uma ligação definitiva entre as duas cidades. Projetos surgiram e foram engavetados, mas a ideia persistiu como um desejo coletivo da população da Baixada Santista. Hoje, com a construção do primeiro túnel debaixo da água da América Latina encerra esse ciclo de espera e inaugura uma fase inédita na mobilidade urbana do país.
Atualmente, cerca de 78 mil pessoas e 14 mil veículos atravessam o canal diariamente por balsas, consolidando a maior travessia do mundo em volume. Embora eficiente, a operação já não acompanha o crescimento da região. As filas que se estendem em horários de pico são apenas um reflexo da saturação de um sistema que se tornou insuficiente para a demanda. Quem decide ir pela estrada, encara um percurso de 40km e cerca de 50 minutos para fazer a travessia entre Santos e Guarujá.
O novo túnel terá 1,5 quilômetro de extensão, sendo 870 metros imersos. O mais incrível, é que essa infraestrutura permitirá reduzir o tempo médio de deslocamento para apenas cinco minutos. Mais do que velocidade, a ligação oferecerá previsibilidade, independência das condições de maré e do tráfego de embarcações. Um passo concreto para melhorar a vida dos moradores, trabalhadores do porto e profissionais de logística.
A espera cotidiana dos moradores
Entre os que convivem diariamente com os impactos da travessia está Júlio César, 29 anos, morador do Guarujá. Ele detalha: “Sempre trabalhei em Santos, sempre houveram mais oportunidades de trabalho lá, então sempre peguei a barca. Em momentos pontuais de neblina, maré baixa ou alta, o tempo de espera da barca do centro sempre me impactaram negativamente, sem contar o fato de você só poder pagar a passagem em dinheiro, que é um grande problema visto que, quase ninguém tem o costume de andar com dinheiro em espécie.”
Ao falar sobre o que mais espera com o túnel, ele acrescenta: “Espero mais mobilidade e mais opções de transporte para poder ir a passeio ou trabalhar em Santos.” Para Júlio, a chegada do primeiro túnel imerso da América Latina trará mais que agilidade: “Será uma melhora de qualidade de vida, melhor qualidade de tempo, não vou precisar me preocupar com essas adversidades climáticas para poder atravessar.”
Outro morador, Caio Cavalcante Taveira, de 24 anos, compartilha experiência semelhante: “Eu utilizo a balsa e, em diversos momentos, enfrento filas e atrasos. Há dias em que a espera pode chegar a 30 ou 40 minutos, devido a fatores que prejudicam a travessia. Com a construção do túnel, haverá uma nova possibilidade para realizar esse trajeto, o que vai facilitar o nosso dia a dia.”
Primeiro túnel debaixo da água da América Latina

Além de mudar a rotina da população, a obra é considerada uma inovação técnica. O urbanista e especialista em mobilidade urbana Luiz Mello explica: “O primeiro túnel imerso da América Latina é considerado na Engenharia Civil como uma obra de arte, em função de sua magnitude e complexidade construtiva. Os desafios em si, por mais que seja uma novidade no Brasil, não trará, em tese, dificuldades construtivas, pois esta técnica é comumente utilizada em outros países. A Holanda é pioneira nesta técnica construtiva, aplicando este método desde 1942.”
O especialista detalha a metodologia utilizada para a construção do primeiro túnel debaixo da água da América Latina: “A técnica construtiva utilizada é conhecida como túnel imerso, diferentemente de se fazer um túnel perfurado, como ocorre na cidade de São Paulo debaixo do rio Pinheiros. Nesse método, os elementos do túnel são pré-fabricados em concreto, em uma área seca, e posteriormente rebocados e afundados até o leito do canal, onde são encaixados e conectados. Toda essa logística operacional requer muito planejamento, lembrando que se trata de um canal que circula navios frequentemente e estamos na região portuária mais movimentada do país.”
Essa tecnologia, inédita no Brasil, permitirá que o primeiro túnel debaixo d’água da América Latina seja executado com rapidez e menor impacto inicial no cotidiano urbano. Assim, a obra posiciona o Brasil no cenário internacional de engenharia.
Impactos logísticos e urbanos
Os efeitos da obra do primeiro túnel imerso da América Latina se estendem muito além da travessia. Luiz Mello destaca: “Os impactos são positivos, tanto para uma nova rota na circulação de cargas como de pessoas. Em média circulam 28.000 pessoas diariamente por balsa, que facilitará e reduzirá o tempo de travessia significativamente. A construção vai contemplar acessos de travessia por pedestre, por ciclovias, por VLT e claro, automóveis, representando um grande avanço regional e um crescimento imobiliário ainda maior.”

Ele alerta, porém, para a necessidade de ajustes complementares: “Como envolve uma circulação de pessoas e de carga representativa, mudanças das vias terrestres deverão ser feitas devido ao aumento repentino do fluxo de veículos e pessoas no curto espaço de tempo. Isso significa que, a ciclovia imersa deverá ter integração com as atuais e já com a estimativa de crescimento do fluxo de bicicletas, assim como de pedestres. Cidades litorâneas são exemplos bem-sucedidos da mobilidade ativa, isto é, que utilizam a força física para os deslocamentos.”
No setor portuário, os reflexos do primeiro túnel imerso da América Latina também são claros: “No quesito de transporte de cargas, trará uma nova alternativa, que deverá ser redimensionada as vias públicas para este fim.” O Porto de Santos, o maior da América Latina, ganha assim um aliado estratégico para ampliar sua competitividade e reduzir custos logísticos.
Um modelo para o Brasil
Mais do que uma solução regional, a obra do primeiro túnel debaixo da água da América Latina abre possibilidades para outras partes do país. Luiz Mello observa: “O projeto pode se tornar uma referência e, com a velocidade construtiva projetada, será um grande salto nesta nova modalidade para o país. No Brasil há muitas possibilidades, como ligar a cidade de Florianópolis com o continente, travessia do Rio Negro em Manaus e alternativa da ponte Rio-Niterói, são alguns exemplos que poderão ser feitas.”
Assim, o primeiro túnel debaixo da água da América Latina não é apenas uma conquista local, mas uma vitrine de inovação que pode inspirar soluções de infraestrutura em todo o país.
Agilidade e ganhos ambientais
O especialista também relaciona a obra do primeiro túnel debaixo da água da América Latina a valores essenciais, cada vez mais exigidos em projetos públicos. “Há algo cada vez mais precioso, que se chama tempo. O tempo de deslocamento fará uma grande diferença. Com o entorno planejado e adaptado ao túnel, o tempo por veículo será de apenas 5 minutos. Atualmente, a travessia por balsa pode levar 15 minutos, sem contar o tempo de espera na fila e o período de embarque e desembarque. Pela estrada, o deslocamento de 40 km leva em torno de 50 minutos. O novo túnel vai reduzir as distâncias e ligar Santos e Guarujá em um tempo extremamente curto.”
Ele destaca os ganhos ambientais: “Na parte construtiva do túnel, tende a ser muito mais limpa e sem degradação do meio ambiente no entorno devido ao túnel ser construído em local separado do local que será feita a instalação, quando se refere a parte em módulos por imersão. Do ponto de vista operacional, reduzirá significativamente a travessia por balsas e deixará o canal livre para o transporte de cargas, que dependerá da oferta e demanda local. Com uma ciclovia bem estruturada nas entradas e saídas do túnel, teremos ganhos ambientais significativos com a redução de automóveis na circulação de pessoas entre cidades.”
Um legado para o futuro
Mais do que resolver a ligação entre Santos e Guarujá, o primeiro túnel debaixo da água da América Latina simboliza o compromisso do Governo do Brasil com a modernização da infraestrutura. A obra entrega qualidade de vida, eficiência logística e inovação técnica. Para moradores e trabalhadores, significa menos filas, mais tempo livre e previsibilidade no dia a dia. Para o país, um marco de engenharia que projeta o Brasil no cenário internacional.
Ao transformar um sonho de gerações em realidade, o Governo do Brasil reforça que grandes empreendimentos são possíveis quando há visão de futuro. O túnel Santos-Guarujá será muito mais do que apenas concreto e aço, será parte de uma conquista simbólica, o primeiro túnel imerso da América Latina, um legado que ficará para as próximas gerações como prova da capacidade do país em enfrentar seus maiores desafios com inovação.