Brasil recebe primeiro lote de insulina glargina produzida via PDP

Ministro Alexandre Padilha anuncia início da nacionalização da insulina glargina, que terá produção plena no país após transferência de tecnologia

Crédito: Suzana Rezende / ABCdoABC

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, recebeu nesta segunda-feira (17), em Guarulhos (SP), o primeiro lote de insulina glargina adquirido por meio das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP).

A entrega marca o início do processo de transferência de tecnologia para o laboratório público Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), etapa que permitirá a fabricação nacional do medicamento, considerado estratégico para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o Ministério da Saúde, serão investidos R$ 131,8 milhões na produção da insulina glargina em 2025. O medicamento será utilizado no tratamento de pessoas com diabetes tipos 1 e 2 e reforçará o abastecimento da rede pública. Padilha destacou que o avanço representa segurança e autonomia ao país:

“O Brasil deve ter a tecnologia para produzir as etapas que temos aqui. Isso é uma segurança, realmente, porque faz com que esse paciente não fique desassistido, medidante crises internacionais” .

A agenda em Guarulhos contou com participação de representantes do Ministério da Saúde, de laboratórios públicos e privados ligados ao projeto e de autoridades locais.

Insulina no SUS: importância para o tratamento do diabetes

Insulina glargina produção nacional
Suzana Rezende / ABCdoABC

A chegada da insulina glargina fortalece o arsenal terapêutico disponível no SUS. O medicamento é um análogo de ação prolongada, indicado para manter níveis basais de insulina durante 24 horas, uma característica fundamental para pessoas com diabetes tipo 1 e muitos pacientes com diabetes tipo 2.

Além da glargina, o Brasil já distribui outras categorias de insulina, como:

Humanas: rápida (regular) e intermediária (NPH);

Análogos ultrarrápidos: lispro, aspártica e glulisina;

Análogos de ação prolongada: detemir e glargina;

Pré-misturadas, voltadas principalmente ao tratamento do diabetes tipo 2.

Cada tipo possui indicações específicas, de acordo com velocidade de absorção, duração de ação e perfil clínico. A ampliação da oferta de insulina glargina permitirá ao SUS acompanhar protocolos internacionais e oferecer terapias mais adequadas a cada paciente.

O ministro lembrou que muitos brasileiros enfrentam dificuldades na adesão: “Tinha muito mais dificuldade de usar os medicamentos, dificuldade de adesão, a resposta também foi difícil”.

Com a nova oferta, o governo espera melhorar o cuidado, sobretudo entre jovens que vivem com diabetes tipo 1: “É um grande avanço para quem sofre com diabetes de jovem”.

Transferência de tecnologia e estruturação da cadeia produtiva

Insulina glargina produção nacional
Suzana Rezende / ABCdoABC

A nacionalização da insulina glargina envolve etapas técnicas e produtivas. A transferência de tecnologia prevê:

  • Produção de embalagens;
  • Adaptação de linhas industriais;
  • Controle de qualidade dos insumos;
  • Fabricação do produto final;
  • Domínio do processo produtivo do IFA no país.

O modelo das PDPs adota transferência reversa, a empresa detentora da tecnologia repassa seus conhecimentos ao laboratório público até que este atinja total autonomia. A estratégia reduz custos, diminui dependência externa e contribui para o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde.

Padilha também citou que parte das empresas parceiras adaptou suas plantas para novas tecnologias:

“Com a parte das empresas tradicionais, migraram para a sua planta industrial para produzir as chamadas canetas enriquecedoras, que é uma escassez que oferece o Estado” .

O panorama do diabetes no Brasil e a importância da insulina

Insulina glargina nacional
Rafael Nascimento/MS

O diabetes é caracterizado pela produção insuficiente ou pela má utilização da insulina. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, 13 milhões de pessoas vivem com a doença no país, cerca de 6,9% da população.

Existem diferentes tipos da condição:

Diabetes tipo 1: doença autoimune, com maior incidência entre jovens. Requer uso diário de insulina.

Diabetes tipo 2: associado a sobrepeso, sedentarismo e hábitos alimentares inadequados. Representa cerca de 90% dos casos.

Pré-diabetes: estágio reversível, quando há elevação da glicose, mas ainda abaixo do diagnóstico definitivo.

Diabetes gestacional: aparece durante a gravidez e afeta até 4% das gestantes.

LADA: forma autoimune de desenvolvimento lento em adultos.

O controle da doença exige diagnóstico precoce, acompanhamento contínuo e, para muitas pessoas, acesso regular à insulina e a outros medicamentos.

O ministro destacou que garantir o estoque é essencial: “O SUS… conseguiu fazer uma compra internacional que garante o abastecimento… Mas o produzir aqui no Brasil gera uma segurança ainda maior” .

Insulinas e características farmacológicas

Insulina glargina produção nacional
Ricardo Stuckert / PR

Com a incorporação da insulina glargina às PDPs, o SUS passa a investir em um tipo de insulina basal de longa duração, que se diferencia por:

  • Ausência de pico de ação;
  • Liberação contínua por até 24 horas;
  • Menor risco de hipoglicemia noturna;
  • Uso em dose única diária.

Já as insulinas regulares, NPH, ultrarrápidas e pré-misturadas permanecem como opções indispensáveis, especialmente conforme o perfil e a necessidade de cada paciente. A diversificação terapêutica é um dos pilares para o controle glicêmico e prevenção de complicações, que incluem doenças cardiovasculares, renais, oculares e neurológicas.

Nacionalização da insulina reforça política de autonomia sanitária

Insulina glargina produção nacional
Suzana Rezende / ABCdoABC

A entrega do primeiro lote de insulina glargina marca o início de uma etapa estrutural para o SUS: assegurar um medicamento essencial com produção nacional e planejamento de longo prazo. A iniciativa integra o esforço do governo federal para ampliar a capacidade produtiva em saúde, reduzir vulnerabilidades e fortalecer laboratórios públicos.

A estratégia também pretende evitar desabastecimentos, comuns em crises internacionais. Como afirmou Padilha: “Produzir aqui no Brasil gera uma segurança ainda maior” .

A partir do primeiro lote entregue nesta segunda-feira, inicia-se o processo completo de nacionalização da insulina glargina, que deverá consolidar o Brasil como produtor autônomo de um medicamento fundamental para milhões de pessoas.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 17/11/2025
  • Fonte: Fever