Brasil recebe primeiro lote de insulina glargina produzida via PDP
Ministro Alexandre Padilha anuncia início da nacionalização da insulina glargina, que terá produção plena no país após transferência de tecnologia
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 17/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, recebeu nesta segunda-feira (17), em Guarulhos (SP), o primeiro lote de insulina glargina adquirido por meio das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP).
A entrega marca o início do processo de transferência de tecnologia para o laboratório público Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), etapa que permitirá a fabricação nacional do medicamento, considerado estratégico para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo o Ministério da Saúde, serão investidos R$ 131,8 milhões na produção da insulina glargina em 2025. O medicamento será utilizado no tratamento de pessoas com diabetes tipos 1 e 2 e reforçará o abastecimento da rede pública. Padilha destacou que o avanço representa segurança e autonomia ao país:
“O Brasil deve ter a tecnologia para produzir as etapas que temos aqui. Isso é uma segurança, realmente, porque faz com que esse paciente não fique desassistido, medidante crises internacionais” .
A agenda em Guarulhos contou com participação de representantes do Ministério da Saúde, de laboratórios públicos e privados ligados ao projeto e de autoridades locais.
Insulina no SUS: importância para o tratamento do diabetes

A chegada da insulina glargina fortalece o arsenal terapêutico disponível no SUS. O medicamento é um análogo de ação prolongada, indicado para manter níveis basais de insulina durante 24 horas, uma característica fundamental para pessoas com diabetes tipo 1 e muitos pacientes com diabetes tipo 2.
Além da glargina, o Brasil já distribui outras categorias de insulina, como:
Humanas: rápida (regular) e intermediária (NPH);
Análogos ultrarrápidos: lispro, aspártica e glulisina;
Análogos de ação prolongada: detemir e glargina;
Pré-misturadas, voltadas principalmente ao tratamento do diabetes tipo 2.
Cada tipo possui indicações específicas, de acordo com velocidade de absorção, duração de ação e perfil clínico. A ampliação da oferta de insulina glargina permitirá ao SUS acompanhar protocolos internacionais e oferecer terapias mais adequadas a cada paciente.
O ministro lembrou que muitos brasileiros enfrentam dificuldades na adesão: “Tinha muito mais dificuldade de usar os medicamentos, dificuldade de adesão, a resposta também foi difícil”.
Com a nova oferta, o governo espera melhorar o cuidado, sobretudo entre jovens que vivem com diabetes tipo 1: “É um grande avanço para quem sofre com diabetes de jovem”.
Transferência de tecnologia e estruturação da cadeia produtiva

A nacionalização da insulina glargina envolve etapas técnicas e produtivas. A transferência de tecnologia prevê:
- Produção de embalagens;
- Adaptação de linhas industriais;
- Controle de qualidade dos insumos;
- Fabricação do produto final;
- Domínio do processo produtivo do IFA no país.
O modelo das PDPs adota transferência reversa, a empresa detentora da tecnologia repassa seus conhecimentos ao laboratório público até que este atinja total autonomia. A estratégia reduz custos, diminui dependência externa e contribui para o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde.
Padilha também citou que parte das empresas parceiras adaptou suas plantas para novas tecnologias:
“Com a parte das empresas tradicionais, migraram para a sua planta industrial para produzir as chamadas canetas enriquecedoras, que é uma escassez que oferece o Estado” .
O panorama do diabetes no Brasil e a importância da insulina

O diabetes é caracterizado pela produção insuficiente ou pela má utilização da insulina. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, 13 milhões de pessoas vivem com a doença no país, cerca de 6,9% da população.
Existem diferentes tipos da condição:
Diabetes tipo 1: doença autoimune, com maior incidência entre jovens. Requer uso diário de insulina.
Diabetes tipo 2: associado a sobrepeso, sedentarismo e hábitos alimentares inadequados. Representa cerca de 90% dos casos.
Pré-diabetes: estágio reversível, quando há elevação da glicose, mas ainda abaixo do diagnóstico definitivo.
Diabetes gestacional: aparece durante a gravidez e afeta até 4% das gestantes.
LADA: forma autoimune de desenvolvimento lento em adultos.
O controle da doença exige diagnóstico precoce, acompanhamento contínuo e, para muitas pessoas, acesso regular à insulina e a outros medicamentos.
O ministro destacou que garantir o estoque é essencial: “O SUS… conseguiu fazer uma compra internacional que garante o abastecimento… Mas o produzir aqui no Brasil gera uma segurança ainda maior” .
Insulinas e características farmacológicas

Com a incorporação da insulina glargina às PDPs, o SUS passa a investir em um tipo de insulina basal de longa duração, que se diferencia por:
- Ausência de pico de ação;
- Liberação contínua por até 24 horas;
- Menor risco de hipoglicemia noturna;
- Uso em dose única diária.
Já as insulinas regulares, NPH, ultrarrápidas e pré-misturadas permanecem como opções indispensáveis, especialmente conforme o perfil e a necessidade de cada paciente. A diversificação terapêutica é um dos pilares para o controle glicêmico e prevenção de complicações, que incluem doenças cardiovasculares, renais, oculares e neurológicas.
Nacionalização da insulina reforça política de autonomia sanitária

A entrega do primeiro lote de insulina glargina marca o início de uma etapa estrutural para o SUS: assegurar um medicamento essencial com produção nacional e planejamento de longo prazo. A iniciativa integra o esforço do governo federal para ampliar a capacidade produtiva em saúde, reduzir vulnerabilidades e fortalecer laboratórios públicos.
A estratégia também pretende evitar desabastecimentos, comuns em crises internacionais. Como afirmou Padilha: “Produzir aqui no Brasil gera uma segurança ainda maior” .
A partir do primeiro lote entregue nesta segunda-feira, inicia-se o processo completo de nacionalização da insulina glargina, que deverá consolidar o Brasil como produtor autônomo de um medicamento fundamental para milhões de pessoas.