‘Pressão de alguns ministros foi ostensiva’, diz senador que pediu ‘CPI da Toga’
Autor do pedido de criação de CPI para investigar denúncias nos tribunais superiores, o senador Alessandro Vieira disse que houve pressão de ministros do STF para retirada de assinaturas
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 12/02/2019
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Reportagem do Estado mostra que ministros STF atuaram nos bastidores, durante o fim de semana, para que o Senado recuasse da abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o “ativismo judicial” em tribunais superiores. Apelidada de “Lava Toga”, a CPI foi enterrada após três senadores retirarem o apoio.
Alessandro Vieira (PPS-SE) falou ao jornal O Estado de S. Paulo:
Como o sr. recebeu a retirada das assinaturas?
Não conversei com os dois (os senadores Tasso Jereissati e Kátia Abreu) sobre os motivos. Vou conversar. Quem tem de se preocupar com isso são os eleitores deles.
A que o sr. atribui esse recuo?
Recebo com uma certa naturalidade, uma vez que havia uma pressão muito grande contra a concretização da CPI.
O sr. considera que o Supremo é uma caixa-preta?
Alguns setores do STF configuram, sem dúvida, o que se denomina caixa-preta.
Acha que houve pressão do Judiciário pela retirada das assinaturas, com o argumento de que isso poderia abrir uma guerra entre os Poderes?
A pressão de alguns ministros aconteceu e ela foi ostensiva. Houve ameaça de retaliação em relação ao plano econômico, de uma crise institucional.
Os críticos da CPI dizem que seria uma vingança contra o ministro Dias Toffoli por ter derrubado o voto aberto.
Não tem cabimento nenhum essa alegação. Não tenho vinculação com nenhum tipo de grupo político. A proposta é uma demanda da sociedade.
Acredita que a CPI pode abrir uma guerra entre os Poderes?
A democracia foi suficientemente testada. O Brasil passou dessa fase, mas existem pessoas que tentam se aproveitar desse tipo de ameaça para manter seus privilégios.