Presidente do INSS pede demissão após investigação sobre fraudes em benefícios
Alessandro Stefanutto deixa o cargo em meio a operação da PF e CGU; outros dirigentes também são afastados
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 23/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Alvo de uma operação da Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), o então presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, pediu demissão nesta quarta-feira (23). A ação investiga um esquema de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões de segurados.
A ordem para afastamento partiu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi informado dos desdobramentos da investigação pelas chefias da PF e da CGU. Após ser orientado por Lula, o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, conduziu a saída de Stefanutto, oficializada no fim da tarde.
Palácio do Planalto age para conter desgaste
A decisão ocorre em um momento delicado para o governo, que enfrenta outros desafios políticos, como a sucessão no Ministério das Comunicações e tensões diplomáticas com o Paraguai. O afastamento de Stefanutto é interpretado pelo governo como necessário para preservar a imagem do INSS, órgão que lida com milhões de beneficiários em todo o país.
Apesar de inicialmente ter declarado que não pretendia demitir o presidente do INSS, Carlos Lupi adotou um discurso conciliador. Durante coletiva, elogiou Stefanutto, classificando-o como um servidor exemplar e apontando desconhecimento sobre as acusações. O Planalto, no entanto, avaliou que a permanência do dirigente havia se tornado insustentável.
Governo promete responsabilizar envolvidos e ressarcir vítimas
Além de Stefanutto, outros dirigentes do INSS foram afastados por decisão judicial, incluindo o procurador-geral do instituto, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, e diretores de áreas ligadas ao atendimento e pagamento de benefícios. A Advocacia-Geral da União (AGU) foi acionada para buscar o ressarcimento de aposentados lesados por descontos irregulares.
Integrantes do governo destacam que as entidades sob investigação foram autorizadas ainda durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e que a atual administração iniciou as apurações. Stefanutto, segundo fontes próximas ao Planalto, teria sido no mínimo omisso, já que havia recebido alertas da CGU sobre as irregularidades.