Presidente do INSS pede demissão após investigação sobre fraudes em benefícios

Alessandro Stefanutto deixa o cargo em meio a operação da PF e CGU; outros dirigentes também são afastados

Crédito: José Cruz/Agência Brasil

Alvo de uma operação da Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), o então presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, pediu demissão nesta quarta-feira (23). A ação investiga um esquema de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões de segurados.

A ordem para afastamento partiu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi informado dos desdobramentos da investigação pelas chefias da PF e da CGU. Após ser orientado por Lula, o ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, conduziu a saída de Stefanutto, oficializada no fim da tarde.

Palácio do Planalto age para conter desgaste

A decisão ocorre em um momento delicado para o governo, que enfrenta outros desafios políticos, como a sucessão no Ministério das Comunicações e tensões diplomáticas com o Paraguai. O afastamento de Stefanutto é interpretado pelo governo como necessário para preservar a imagem do INSS, órgão que lida com milhões de beneficiários em todo o país.

Apesar de inicialmente ter declarado que não pretendia demitir o presidente do INSS, Carlos Lupi adotou um discurso conciliador. Durante coletiva, elogiou Stefanutto, classificando-o como um servidor exemplar e apontando desconhecimento sobre as acusações. O Planalto, no entanto, avaliou que a permanência do dirigente havia se tornado insustentável.

Governo promete responsabilizar envolvidos e ressarcir vítimas

Além de Stefanutto, outros dirigentes do INSS foram afastados por decisão judicial, incluindo o procurador-geral do instituto, Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, e diretores de áreas ligadas ao atendimento e pagamento de benefícios. A Advocacia-Geral da União (AGU) foi acionada para buscar o ressarcimento de aposentados lesados por descontos irregulares.

Integrantes do governo destacam que as entidades sob investigação foram autorizadas ainda durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e que a atual administração iniciou as apurações. Stefanutto, segundo fontes próximas ao Planalto, teria sido no mínimo omisso, já que havia recebido alertas da CGU sobre as irregularidades.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 23/04/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo