Paulistanos pretendem gastar R$ 500 no Natal
Pesquisa aponta cautela: consumidores de SP priorizam vestuário e filhos, mas evitam comprometer o 13º salário com as compras de fim de ano.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 22/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Definir quais presentes de Natal comprar sem estourar o orçamento é o principal desafio dos consumidores de São Paulo neste fim de ano. Um novo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) revela que a maioria dos paulistanos pretende adquirir cerca de quatro itens, respeitando um limite financeiro próximo a R$ 500.
Os dados indicam que 54% dos entrevistados planejam levar para casa até três lembranças diferentes. A média geral aponta para 4,4 produtos por consumidor. Embora o volume de itens mostre intenção de compra, o valor monetário reflete prudência.
A meta de gastos estipulada pelo público gira em torno de R$ 507. O montante representa uma queda em relação a 2024, quando o ticket médio planejado era de R$ 532. Mesmo com o orçamento mais enxuto, a disposição para ir às lojas aumentou: 66% dos paulistanos vão às compras nos próximos dias, contra 62% no ano anterior.
Contexto econômico e o uso do 13º salário
O cenário macroeconômico explica esse comportamento ambíguo. Por um lado, o mercado de trabalho aquecido — com desemprego em apenas 5,4% segundo o IBGE — e a elevação da renda impulsionam o desejo de consumir. Por outro, os juros elevados e as incertezas fiscais para 2026 forçam o consumidor a pisar no freio.
Essa cautela impacta diretamente a forma como as famílias financiam seus presentes de Natal. A pesquisa derruba o mito de que o benefício trabalhista de fim de ano é inteiramente destinado ao varejo.
- 52,3% afirmam que não usarão o 13º salário para compras natalinas.
- 27,6% dizem que, se utilizarem, gastarão no máximo 20% do benefício.
A prioridade mudou. O paulistano prefere quitar dívidas ou poupar recursos a gastar desenfreadamente. O levantamento mostra um ambiente polarizado: enquanto 35% desejam elevar os gastos em comparação a 2024, uma parcela ligeiramente maior (35,6%) foca no corte de custos.
O que lidera a lista de presentes de Natal
A assertividade na escolha do item é crucial para quem deseja agradar gastando pouco. A preferência de quem compra está alinhada com o desejo de quem ganha. O setor de vestuário e calçados domina a intenção de compra, sendo a escolha de 65,7% dos consumidores.
Na sequência, a hierarquia de quem recebe os mimos dita as categorias secundárias. Como os filhos são a prioridade para 35% dos entrevistados (seguidos por mães e namorados), o ranking de produtos fica assim:
- Roupas e Calçados: 65,7%
- Brinquedos: 31,3%
- Perfumes e Cosméticos: 25,7%
Essa lista de desejos para os presentes de Natal coincide com a expectativa de quem recebe. Cerca de 24% das pessoas esperam ganhar itens de moda, enquanto 12% preferem perfumes e 11% gostariam de produtos relacionados a viagens.
Black Friday não antecipou o Natal
Outro dado relevante trazido pela FecomercioSP desmistifica a antecipação de compras. O varejo tradicional de dezembro mantém sua força, pois a maioria do público ignorou a Black Friday como momento para garantir as lembranças de fim de ano.
Em 2025, 74,3% dos entrevistados não realizaram compras na última sexta-feira de novembro. Entre a minoria que comprou, apenas um terço aproveitou as ofertas para adiantar os presentes de natal. Isso reforça que o brasileiro mantém o hábito cultural de deixar a busca pelos itens para as semanas finais do ano.
Para o varejo, o cenário projeta um crescimento modesto. As vendas do quarto trimestre devem subir 2%, e o setor deve fechar 2025 com alta acumulada de 5% — um desempenho razoável, porém inferior aos 9,3% registrados no ano anterior. A busca pelos presentes de Natal acontecerá, mas será marcada pela racionalidade financeira.