Presença de facções e milícias atinge 28,5 milhões de brasileiros
Pesquisa Datafolha mostra avanço do crime organizado no país e alerta para falência do controle estatal em diversas regiões
- Publicado: 01/01/2026
- Alterado: 16/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Motisuki PR
A influência do crime organizado no Brasil atingiu um nível alarmante, consolidando-se como um problema de segurança pública que extrapola as estatísticas de violência. Uma nova pesquisa Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (16) a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela que a presença explícita de facções criminosas e milícias na vizinhança aumentou drasticamente no último ano.
O levantamento, que ouviu 2.007 pessoas com mais de 16 anos em 130 municípios de todas as regiões do país, de 2 a 6 de junho, aponta que 19% da população brasileira convive atualmente com o crime organizado em seus bairros.
O dado é preocupante porque representa um salto de cinco pontos percentuais em relação ao ano anterior. Em 2024, o percentual de brasileiros que afirmavam ter grupos criminosos atuando de forma explícita no local onde moram era de 14%. O crescimento acende um alerta vermelho sobre a expansão e o enraizamento dessas organizações nas comunidades.
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28,5 Milhões de Pessoas Impactadas por Milícias e Facções
Ao aplicar o novo percentual sobre a população, o estudo conclui que a presença de facções e milícias impacta a rotina e a segurança de pelo menos 28,5 milhões de pessoas no Brasil.
O Datafolha revela, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, que o crime organizado no Brasil não é mais um fenômeno restrito a grandes centros ou regiões periféricas específicas. A crescente sensação de insegurança e a necessidade de conviver com regras paralelas impostas por esses grupos se tornam uma realidade para quase um quinto dos brasileiros.

A pesquisa atesta a falência dos mecanismos de controle estatal em diversas localidades, onde facções criminosas e milícias se estabelecem para impor suas atividades. A expansão desses grupos é um indicador direto da complexidade do desafio de segurança, exigindo das autoridades uma abordagem multifacetada que vá além do combate ostensivo.
Os dados serão cruciais para orientar a formulação de políticas públicas que visem desmantelar a infraestrutura do crime organizado no Brasil e restaurar a ordem e a segurança para a população diretamente afetada.