Premiê polonês defende que país tenha armas nucleares para dissuadir Rússia
O primeiro-ministro polonês Donald Tusk pediu aumento da defesa do país, incluindo armas nucleares, devido à ameaça russa e propôs dobrar o Exército.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 07/03/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Em uma declaração impactante no Parlamento nesta sexta-feira, o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, enfatizou a necessidade urgente do país em aprimorar suas capacidades defensivas frente à crescente ameaça russa na Europa. Tusk argumentou que a Polônia deve considerar o desenvolvimento de armas nucleares e expandir seu Exército regular como parte de uma estratégia mais ampla de segurança.
O premier destacou que as dinâmicas do campo de batalha estão mudando rapidamente, especialmente após os eventos na Ucrânia, onde ficou claro que apenas a aquisição de armamentos convencionais não é suficiente para assegurar a proteção nacional. “Digo isso com total responsabilidade: não basta comprar armas convencionais. O campo de batalha está mudando diante de nossos olhos”, afirmou Tusk. Ele acrescentou que a Polônia deve explorar opções modernas, incluindo armamentos nucleares e não convencionais.
Paralelamente, o governo polonês propõe dobrar a força do Exército, aumentando o efetivo de 230 mil para 500 mil soldados. Para isso, será implementado um serviço militar obrigatório até o final do ano, visando também integrar reservistas nesse aumento.
A recente decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de pressionar a Ucrânia a aceitar um acordo de paz favorável à Rússia gerou inquietação entre os países europeus. Tusk expressou que uma possível derrota ucraniana ou um acordo que comprometa sua soberania colocaria a Polônia em uma situação geopolítica ainda mais complicada.
Na quinta-feira, 6, em Bruxelas, líderes da União Europeia concordaram em destinar € 800 bilhões para investimentos em Defesa nos próximos anos, com um montante inicial de € 150 bilhões direcionados ao apoio à Ucrânia e ao fortalecimento dos arsenais europeus.
Atualmente, aproximadamente 100 bombas atômicas estão posicionadas na Europa sob supervisão dos EUA, em países como Alemanha, Itália e Turquia. Embora Trump não tenha explicitamente mencionado a retirada dessas armas, suas posturas têm gerado preocupação entre os aliados europeus.
Após um tenso encontro com o presidente ucraniano Volodimir Zelenski na Casa Branca, onde ocorreu um desentendimento significativo, o presidente francês Emmanuel Macron sugeriu que a França poderia oferecer proteção nuclear para toda a Europa como forma de dissuasão contra potenciais ameaças russas. Notavelmente, a Polônia se destaca como o primeiro país europeu nas últimas décadas a discutir abertamente o desenvolvimento de suas próprias armas nucleares.
Os países bálticos também manifestaram apoio à proposta francesa, dada sua proximidade geográfica e histórica com a Rússia. Apesar de considerar o desenvolvimento próprio de armas atômicas, Tusk reconheceu a importância da oferta francesa como uma alternativa viável.
A história da Polônia é marcada por invasões russas, sendo a última delas durante a Segunda Guerra Mundial após o pacto entre Hitler e Stalin em 1939. Este passado sombrio alimenta as preocupações atuais da população polonesa sobre os desdobramentos da guerra na Ucrânia e as ambições expansionistas da Rússia na região do Leste Europeu.
“Enfrentamos uma corrida muito séria pela segurança”, declarou Tusk. “Acredito que todos nós passaremos nesse teste.” Atualmente, a Polônia é o país europeu que mais investe em Defesa; neste ano, seu governo destinará 4,7% do PIB para armamentos, alcançando assim o nível mais elevado entre os membros da Otan.