Prefeitura de SP intensifica campanha de conscientização sobre hepatites B e C

As 479 UBSs e as UBSs/AMAs Integradas estão preparadas para realizar exames de sangue específicos para essas doenças

Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

A Prefeitura de São Paulo, por meio do Programa Municipal de Hepatites Virais (PMHV) da Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa), lançou uma iniciativa para conscientizar a população sobre as hepatites B e C, doenças que podem levar a complicações severas como cirrose e câncer de fígado. Com o objetivo de prevenir e diagnosticar precocemente essas infecções, a gestão municipal destaca a importância da campanha Julho Amarelo.

As 479 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e as UBSs/AMAs Integradas estão equipadas para realizar exames de sangue que identificam a presença dos vírus das hepatites B e C. O diagnóstico precoce é essencial para evitar a progressão dessas condições.

A hepatite B é prevenível por meio de vacinação. Caso uma pessoa seja infectada, o tratamento está disponível na rede pública e deve ser mantido sem interrupções. Em relação à hepatite C, há possibilidades de cura através de terapias oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com um tratamento que dura em média três meses.

Célia Regina Cicolo da Silva, coordenadora do PMHV, ressalta que “a falta de conhecimento sobre essas doenças é um grande desafio na identificação dos portadores crônicos”. Ela enfatiza a necessidade de encontrar pessoas infectadas para tratá-las e destaca que a vacinação é crucial para prevenir novas infecções pelo vírus da hepatite B.

Desde 2021, mais de seis mil pacientes foram encaminhados para tratamento nas unidades de saúde da cidade. No período até 5 de junho de 2025, 1.966 indivíduos iniciaram tratamento para hepatite B, dos quais 749 eram mulheres e 1.157 homens. Para hepatite C, 4.370 pessoas começaram o tratamento, incluindo 1.811 mulheres e 2.559 homens.

Em nível global, cerca de 296 milhões de pessoas vivem com hepatite B crônica, enquanto 58 milhões sofrem com hepatite C crônica, configurando-se como um problema significativo de saúde pública devido ao número elevado de casos.

A baixa taxa de testagem é um dos principais obstáculos para alcançar as metas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) visando à eliminação das hepatites até 2030. Além disso, é fundamental aumentar a cobertura vacinal contra a hepatite B.

No município de São Paulo, nos últimos cinco anos, foram registrados 10.369 novos casos das hepatites B e C. Entre 2021 e 5 de junho de 2025, foram confirmados 5.184 casos de hepatite B e 5.185 casos de hepatite C.

Célia recomenda que todos os indivíduos com 40 anos ou mais, usuários ou ex-usuários de drogas injetáveis, bem como aqueles que receberam transfusões sanguíneas antes de 1993, realizem testes gratuitos em qualquer UBS. Para aqueles que testarem positivo, o tratamento é disponibilizado na rede pública.

Em relação às formas de transmissão, a hepatite B possui alta taxa transmissiva principalmente por via sexual e contato com sangue; sua prevenção efetiva ocorre através da vacinação e do uso de preservativos. A vacina é recomendada para todas as idades.

A hepatite C é predominantemente transmitida pelo contato com sangue contaminado. Embora não haja vacina disponível, os tratamentos têm se mostrado altamente eficazes, alcançando uma taxa de cura superior a 98% entre os pacientes tratados na rede pública paulistana. Historicamente significativa no passado, a transmissão por transfusão sanguínea tornou-se rara devido aos avanços nos métodos de triagem.

A transmissão vertical da hepatite B ocorre principalmente durante o parto; medidas preventivas incluem a administração da primeira dose da vacina ao recém-nascido nas primeiras 24 horas após o nascimento e a aplicação da imunoglobulina específica. Desde 2005, essa vacinação nas primeiras horas de vida é obrigatória no estado paulista e é complementada pela vacina pentavalente aos dois, quatro e seis meses.

Adicionalmente, todas as gestantes são incentivadas a realizar testes para hepatites B e C durante a gravidez como forma preventiva contra a transmissão vertical dessas doenças.

  • Publicado: 11/02/2026
  • Alterado: 11/02/2026
  • Autor: 02/07/2025
  • Fonte: Itaú Cultural