Prefeitura de São Caetano do Sul lança oficialmente o Smart Sanca

Em teste há trinta dias, Smart Sanca já ajudou na captura de dez procurados pela Justiça, além da identificação e apreensão de veículo pelo novo sistema de monitoramento, que conta com 510 dispositivos

Crédito: Celso Rodrigues/ABCdoABC

A Prefeitura de São Caetano do Sul lançou, no final da manhã deste sábado (19), o Smart Sanca, sistema de monitoramento que reconhece e identifica um foragido da Justiça, um indivíduo ou veículo em atitude suspeita, ou um automóvel que esteja circulando pela cidade, cujo seu proprietário tenha pendências judiciais, mobilizando as forças de Segurança para abordagem e condução desta pessoa para a delegacia sede do município para as devidas providências.

Integração de dados permite mais agilidade e assertividade

O sistema está integrado com o banco de dados do Estado de São Paulo e nacional, o que garante um reconhecimento abrangente.

O prefeito Tite Campanella (PL) explicou a origem do nome e a receptividade do governo municipal da Capital em liberar o acesso aos processos para que o sistema pudesse ser implementado na cidade.

“O Smart Sanca, a gente fez uma adaptação do nome que é usado em São Paulo, e copiou tudo o que foi feito em São Paulo no Smart Sampa. Tivemos a oportunidade de estar com o prefeito Ricardo Nunes, e com o secretário de Segurança Pública da Capital, o ex-prefeito de São Bernardo, Orlando Morando. E eles abriram as portas para nós, mostraram o mapa do tesouro, como é que a gente faria para ter acesso a essa tecnologia e está aqui. Depois de poucos meses, a gente conseguiu, comemorou o liberal.

Ajuda do secretário e do deputado

Dessa maneira, o governo do Estado liberou, ao município, o acesso ao banco de dados de fotografia e de imagens de pessoas procuradas pela Justiça, assim como às placas de carros, e Tite atribuiu a agilidade da implantação do Smart Sanca à participação do Secretário de Segurança do Estado, Guilherme Derrite, e ao deputado estadual Thiago Auricchio.

Antes de entrar em funcionamento de forma oficial, o Smart Sanca estava em teste e, no período de 30 dias, foram realizadas dez prisões de pessoas procuradas pela Justiça, além da apreensão de veículos que foram identificados pela placa, porém, este item não teve o número divulgado.

Contudo, a preocupação parece sobrepor a realidade, conforme sugere o secretário de Segurança da cidade, Lourival dos Santos Silva, que indica que a tecnologia tem sua participação neste sentimento.

“Durante esses 25 anos, que conseguimos fazer estatística de criminalidade, São Caetano nunca teve um índice tão baixo. O que acontece muito, talvez a sensação de insegurança seja maior do que a insegurança propriamente dita. Isso porque, anteriormente, quando existia um crime qualquer, quem tomava conhecimento era a vítima e as autoridades policiais. Com a potencialização das redes sociais, das mídias, das formas que conseguem atingir o maior número de pessoas, qualquer crime que aconteça, todo mundo fica sabendo e a pessoa acaba ficando com medo, com receio. Mas os índices de criminalidade são baixíssimos, comemora ele.

Com o Smart Sanca em atividade, a cidade passa a monitorar todos os veículos que entram ou saem do seu perímetro e dentro dele, passando a ser vigiada em sua totalidade.

Sobre o aporte, o chefe do Executivo não mensurou valores e indicou que foi muito mais na base do diálogo do que na questão financeira, até porque, mais uma vez reiterou que os cofres municipais passam por dificuldades econômicas.

“Esse não foi um investimento muito caro, foi mais um trabalho de articulação, porque dinheiro não temos mesmo, nesse ano não temos nada. Vai ser um ano muito difícil, que ainda demanda muitos ajustes, mas a gente consegue, com muito trabalho, criatividade e copiando aquilo que já funcionou em outros lugares, a gente consegue fazer esse trabalho que nós vemos aqui”, salientou Tite.

O secretário explicou que, muitas vezes, esses marginais, foragidos do sistema carcerário, se misturam à sociedade e não é possível identificá-los, mas que, agora, com o uso do Smart Sanca a ‘farra’ acabou.

“Esses marginais vão ser reconhecidos através das câmeras de monitoramento da cidade, para tirar esses indivíduos da rua e trazer cada dia mais proteção à nossa cidade, e proteção à população de São Caetano do Sul, celebrou ele.

Ao todo, a cidade conta com 510 câmeras instaladas, que vão atuar no Smart Sanca, além dos dispositivos de monitoramento das escolas, UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e dos condomínios particulares, inclusive, Tite abriu as portas para quem quiser aderir ao sistema de monitoramento.

“Quem tiver no comércio, na indústria, câmera, vai poder colocar aqui junto do Smart Sanca. Vai poder pendurar aqui dentro do nosso sistema também, ampliando bastante esse rol de câmeras. A gente não vai conseguir instalar tanta câmera como gostaria. Então a gente vai ter que ir buscar as câmeras que já estão operando em outros lugares e pendurá-las aqui no nosso sistema para a gente aumentar cada vez mais, convidou o prefeito a quem queira disponibilizar as imagens do seu dispositivo de segurança particular junto ao Smart Sanca.

Vale lembrar que todo o sistema segue a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), e que serão incluídos os dispositivos que atenderem às necessidades do sistema, que é a vigilância da cidade, ou seja, câmeras voltadas para as ruas e não para o interior dos estabelecimentos.

Por fim, o liberal lamentou o paternalismo do código penal brasileiro ao fazer coro ao que chamam de ‘a polícia prende, e a Justiça solta’.

“A polícia prende, faz todo o procedimento correto, leva para a delegacia, o delegado abre o inquérito, mas, infelizmente, em algum momento de todo esse processo, esse meliante, bandido, criminoso é solto por um negócio chamado garantismo penal, que, infelizmente, joga todas as famílias do Brasil numa insegurança muito grande. O que a gente puder trabalhar para combater a criminalidade, não vou poupar esforços, não vou poupar recursos para isso”, garantiu Campanella.

Esse sentimento do prefeito é dividido pelo secretário Lourival, que também não poupa críticas ao arcaico arcabouço penal brasileiro.

“A lei de execução penal promove os benefícios aos presos, que é chamada saída temporária. Esses presos, estatisticamente, por exemplo, em dezembro, que é uma delas, cerca de 30 mil presos saem às ruas beneficiados por essa saída temporária. E 4% desses presos, mais ou menos, não retornam ao presídio. Eles permanecem foragidos nas ruas das cidades. E eles procuram, lógico, os locais com grande desenvolvimento para agirem, tornando-nos vítima desses marginais”, critica Lourival.

O secretário de governo do município, Caio Lessio Previato, foi questionado sobre a garantia do sigilo da origem das informações de câmeras de residências, comércios e indústrias que passem a integrar o Smart Sanca, e Caio garantiu a sua confidencialidade.

“Na verdade, hoje nem o secretário – Lourival – sabe identificar onde é que estão as câmeras posicionadas e quais são as câmeras que integram. O antigo Centro de Gerenciamento hoje, o Smart Sanca, é um equipamento de segurança e é acobertado por todas as regras legais que a gente tem que observar. Então, uma vez integrado um equipamento que detém qualidade, que ele é virado para a rua, que permite que as imagens captadas sejam integradas ao nosso sistema, ele pode vir com extrema segurança que não vai sofrer identificação e isso não será divulgado pela Prefeitura. É uma informação muito bem reservada pelas Forças de Segurança, garantiu Caio.

O ABCdoABC perguntou ao secretário se a implantação do Smart Sanca descarta o aumento do efetivo policial, seja GCM (Guarda Civil Municipal) ou PM (Polícia Militar), no entanto, Silva não entende desta forma.

“Quanto mais policiais nas ruas, melhor. A criminalidade procura ocupar espaços onde não existe agente de segurança pública, enquanto não existe câmera de monitoramento. A nossa intenção é aumentar a quantidade de GCMs aqui na cidade e, lógico, com parceria com o governo do Estado, aumentar também a quantidade de policiais militares na cidade, para trazer cada dia mais segurança aqui em São Caetano do Sul”, propôs Lourival.

Sobre as rondas em escolas, o titular da Pasta disse que a maioria das escolas de São Caetano já possui câmera de monitoramento e que está ligada ao Smart Sanca, e que “são previamente estudadas para que aquela escola, que tenha alguns episódios de violência, a gente também faça com que a presença policial esteja mais frequente, esclareceu o secretário.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 19/07/2025
  • Fonte: FERVER