Prefeitura amplia rede de atenção psicossocial
São Bernardo perto de cumprir exigências da Lei da Reforma Psiquiátrica, encerra convênio com Lacan e trabalha para pôr fim às internações em hospitais psiquiátricos
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 16/08/2023
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A Prefeitura de São Bernardo do Campo está cada vez mais perto de alcançar o que determina a Lei da Reforma Psiquiátrica, em vigor desde 2001 e que prevê a extinção dos manicômios no Brasil e o tratamento dos pacientes em uma rede de atenção psicossocial, estruturada em unidades de serviços comunitários e abertos. O trabalho da Secretaria de Saúde do município para atender o proposto na lei começou a ser pavimentado em 2009, quando foi instalada a primeira Residência Terapêutica para acolhimento de pacientes internados no Hospital Lacan, cujo convênio com a Prefeitura termina neste domingo (27) e não será renovado.
Em 2009, quando a atual administração assumiu a Prefeitura, existiam 199 pacientes internados no Lacan, muitos com mais de 20 anos de hospitalização. Quatro anos depois, mais precisamente em abril de 2013, São Bernardo interrompeu novas internações na unidade, usada inclusive por outras cidades da região que nos últimos meses também decidiram colocar um fim nas hospitalizações.
Até sexta-feira (25), 26 pacientes ainda encontravam-se internados na unidade por ordem judicial. Todos foram avaliados pelas equipes de saúde mental do município — gestor do SUS na cidade — e pelos profissionais do Lacan, e a Justiça foi comunicada de que estão em condições de serem tratados ambulatorialmente nos serviços comunitários de saúde mental de cada município.
O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, avalia que o município organizou rede de atendimento de qualidade e humanizado a esses pacientes, de modo que não precisam ficar afastados do convívio social. “O tratamento dessas pessoas precisa do respaldo da família e de calor humano, portanto, não devem ficar isoladas”, destacou.
REDE DE SAÚDE MENTAL — No intervalo de cinco anos entre 2009 e 2014, a Prefeitura de São Bernardo se aparelhou para cumprir a Lei da Reforma Psiquiátrica, com a implantação de três Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) adulto, para tratamento de pacientes com transtornos mentais graves, com atendimento 24 horas; e um CAPS Infantil, também para tratamento de transtornos mentais, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h.
Ainda neste ano, será inaugurada unidade no Bairro Silvina e, em 2015, outra no Rudge Ramos. Como sistema de retaguarda ao trabalho desenvolvido nessas unidades, a Prefeitura dispõe de seis Residências Terapêuticas, que receberam ex-pacientes do Lacan. Há mais duas unidades a serem implementadas na cidade, pois ainda existem outros 15 pacientes de São Bernardo internados em manicômios no Estado.
A chefe da Divisão de Saúde Mental da Secretaria de Saúde, Stellamaris Pinheiro Nascimento, explica que os usuários permanecem por tempo indeterminado nas residências, pois são pessoas que perderam os vínculos familiares, por exemplo. “Em alguns casos, conseguimos restabelecer esse contato dos pacientes com as famílias”, disse.
A rede de saúde mental do município conta também com outros três CAPS Álcool e Drogas destinados ao atendimento de pessoas em uso abusivo de álcool e outras drogas, sendo uma no Alvarenga e outra no Centro, ambas para adultos, além da unidade inaugurada recentemente no Bairro Assunção para atendimento de crianças e adolescentes.
Neste caso, as Repúblicas Terapêuticas, que são de permanência provisória, dão a retaguarda para o trabalho realizado nos CAPS AD. São duas unidades em funcionamento, uma destinada ao atendimento de adultos e outra para crianças e adolescentes. Há ainda a previsão da implementação de outras três repúblicas. “As repúblicas são espaços destinados a possibilitar que os usuários do sistema de saúde mental reconstruam seus laços com a sociedade e com a família”, explicou Stellamaris.
De acordo com Regina Aparecida de Souza, mãe de um jovem atendido pelo CAPS AD Infantojuvenil, o serviço a ajudou a reestruturar a vida dos filhos e da família. “Quando cheguei na unidade, eu e minha família estávamos no fundo do poço. Fomos acolhidos pela equipe e hoje somos uma única família. Minha filha foi paciente, mas hoje trabalha e tem dois filhos. Meu filho ainda está em tratamento, mas já trabalha e estuda”, disse.