Prefeito de São Bernardo cobra Tarcísio repasses para custeio na saúde
Marcelo Lima afirma que município vive "dificuldade na saúde pública" e pede ao governador recursos superiores aos de 2024 para as sete cidades do ABC
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 31/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (30) para apresentar as comemorações dos 472 anos de São Bernardo do Campo, o prefeito Marcelo Lima (PODE) fez uma cobrança pública ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) por maior aporte de recursos estaduais para o custeio da saúde pública na região do Grande ABC.
Durante o evento, respondendo a questionamentos do portal ABCdoABC sobre a saúde financeira da cidade e se havia orçamento suficiente para cobrir todos os gastos da administração municipal, Lima não poupou palavras ao destacar a realidade enfrentada pelo município: “Hoje nós vivemos dificuldade na saúde”.
O prefeito reconheceu os investimentos já realizados pelo governo estadual em anos anteriores, mas enfatizou que são insuficientes diante do crescimento das demandas.
Marcelo Lima foi enfático ao solicitar ampliação dos recursos para 2025. “Espero que o Governador entenda a importância que São Bernardo e o ABC Paulista tem para o Estado de São Paulo e venha nos apoiar com mais do que ele já entregou para o custeio da saúde das cidades no ano passado”.
Segundo dados apurados pela reportagem, o Governo do Estado, em 2024, repassou apenas R$ 6.9 milhões para o custeio da saúde de São Bernardo do Campo, sem contar o custeio do SUS, que segue regras próprias com critérios da Tabela SUS Paulista (programa do Governo de São Paulo que complementa em até cinco vezes os valores pagos pelo Ministério da Saúde a procedimentos do SUS em todo território estadual). Para custear as operaçoes do Hospital de Clínicas de São Bernardo, foram destinados mais R$ 150 milhões.
Nota oficial da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo
A reportagem do ABCdoABC questionou o Palácio dos Bandeirantes sobre o total de recursos reservados para custeio da Saúde nas sete cidades do ABC, o quanto desse montante já foi destinado para a região e se há programação para liberação do restante represados. Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo (SES-SP) pontuou:
“Impulsionado pelo projeto de regionalização da Saúde, o IGM SUS Paulista tem fortalecido o financiamento da atenção primária nas cidades paulistas, incluindo os municípios do Grande ABC, que juntos já receberam R$ 441,6 milhões por meio do programa. Os repasses estaduais, que anteriormente eram de R$ 4 per capita, passaram a variar entre R$ 15 e R$ 40, oferecendo maior suporte financeiro às prefeituras para estruturação dos serviços e atendimento das demandas locais“.
A nota também esclarece que “por meio da Tabela SUS Paulista, a Pasta já repassou cerca de R$ 31,7 milhões entre janeiro de 2024 e maio deste ano para 23 instituições filantrópicas do Grande ABC“.
Por fim, a nota também destaca que “mais de 41,3 mil cirurgias eletivas de média e alta complexidade foram realizadas, em 2024, na região, um crescimento de 37,7% em relação a 2022, quando foram registrados aproximadamente 30 mil procedimentos“.
O Governo do Estado de São Paulo não esclareceu se há data definida para pagamento de recursos represados, objeto de cobrança do prefeito são-bernardense.
Pedido público oficial
Lima transformou a coletiva em um canal direto de comunicação com o Palácio dos Bandeirantes. “Fica o meu registro público aqui, meu pedido ao Governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que possa não deixar São Bernardo com menos recurso que ele já entregou. Sempre pensando que São Bernardo cresce a cada dia que passa e que necessita do apoio do governo.”

O prefeito, que também preside o Consórcio Intermunicipal do ABC, estendeu a reivindicação para toda a região. “Não só eu, mas as sete cidades esperam um grande aporte do Governo do Estado para a nossa região”.
Situação crítica dos repasses
Lima revelou que os repasses estaduais para 2025 estão muito aquém do necessário. “O ABC necessita ser reconhecido pelo Governo. Até agora não recebemos nem 10% do que foi enviado ano passado”, declarou, evidenciando a urgência da situação financeira dos municípios da região.
O prefeito terá uma agenda com o secretário de Estado de Saúde, Eleuses Paiva, no próximo dia 05 de agosto, onde espera pacificar a ordem de repasses à região.