Preços da carne no Brasil caem 0,77% em março
Saiba os cortes que diminuíram e o impacto das chuvas e do real na produção
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 28/03/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Uma recente análise do mercado alimentício brasileiro indica que o preço da carne apresentou uma redução de 0,77% nos supermercados durante o mês de março, conforme apontado pela prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). Este é um fenômeno notável, visto que a carne não registrava queda nos preços desde agosto de 2024.
Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (27). O IPCA-15 reflete a variação dos preços entre o dia 16 do mês anterior e o dia 15 do mês atual, englobando carnes bovinas, suínas e outras variedades.
Entre os cortes que apresentaram diminuição em seus preços, destacam-se o peito, com uma queda de 3,63%, e o filé mignon, que teve uma redução de 3,10%. Por outro lado, cortes como a picanha experimentaram um aumento de 1,34%.
A trajetória ascendente dos preços da carne teve início em agosto do ano passado, alcançando seu ápice em dezembro e desacelerando a partir de janeiro. Essa elevação foi um dos principais fatores que contribuíram para o aumento geral da inflação dos alimentos no Brasil. Nos últimos 12 meses, os preços das carnes subiram 20,8%, marcando o maior incremento anual desde 2019.
De acordo com André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV – Ibre), dois fatores principais impulsionaram a recente queda nos preços da carne:
- Clima Favorável: A pecuária brasileira depende fortemente das chuvas, que influenciam diretamente a disponibilidade de pasto. Quando há precipitações adequadas, os produtores enfrentam menores custos com ração animal, já que os animais podem se alimentar mais efetivamente do pasto disponível.
- Valorização do Real: A força da moeda brasileira também desempenha um papel significativo na composição dos custos da carne. Como os insumos utilizados na ração (como soja e milho) são cotados em dólar, a valorização do real frente à moeda americana torna esses insumos mais acessíveis. Isso resulta em uma redução nos custos de produção.
Braz ressalta que essa valorização não só torna a carne mais cara para exportação — desestimulando as vendas externas — como também amplia a oferta no mercado interno.
No entanto, as perspectivas para o futuro não são tão otimistas quanto à continuidade dessa tendência de queda nos preços. O especialista da FGV prevê que a redução poderá persistir durante abril e maio; entretanto, com a chegada do inverno em junho e julho, espera-se uma inversão nessa trajetória. “Estamos apenas no início do outono; enquanto as chuvas continuarem, os custos permanecem baixos. No entanto, com a aproximação do frio e a diminuição das chuvas, os custos de produção tendem a aumentar”, explica Braz. “Ainda assim, qualquer alívio nos preços é uma boa notícia para os consumidores”.