PP ameaça romper com Tarcísio e lançar candidato em SP

Descontentamento de prefeitos e planos nacionais podem levar o PP a romper com o governador e lançar nome próprio ao Palácio em 2026.

Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil

O governador Tarcísio de Freitas enfrenta um momento delicado em sua base aliada, com o Progressistas (PP) reconsiderando o apoio à sua reeleição. A sigla avalia seriamente lançar uma candidatura própria ao governo de São Paulo em 2026, motivada por um cenário de insatisfação crescente e realinhamento de estratégias nacionais.

A tensão nos bastidores não é apenas especulação. Fontes ligadas à gestão estadual confirmam que o clima entre o partido e o Executivo azedou. Para tentar conter a crise, Tarcísio de Freitas iniciou uma agenda de encontros diretos com prefeitos no Palácio dos Bandeirantes, mas muitos gestores interpretam o movimento apenas como uma medida paliativa para mitigar o desgaste imediato.

Crise de articulação nos municípios

O Progressistas possui uma capilaridade relevante no estado, comandando atualmente 54 prefeituras. No entanto, a relação institucional apresenta falhas que geram reclamações constantes.

As principais queixas das lideranças municipais incluem:

  • Dificuldade de comunicação: Prefeitos relatam falta de acesso direto a secretários e ao próprio governador.
  • Ausência de parlamentares: Há uma percepção de que deputados da base governista não dão a atenção devida às demandas locais do partido.
  • Desconexão política: A cúpula partidária sente um distanciamento entre as decisões do governo e os interesses da legenda.

Nesse contexto, a figura de Tarcísio de Freitas acaba sendo cobrada pela falta de um canal mais efetivo, o que fortalece a ala do PP que defende uma ruptura estratégica.

O futuro de Tarcísio de Freitas e o fator nacional

A movimentação do PP não se restringe apenas às questões paroquiais de São Paulo. O cenário nacional, com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência, força o partido a recalcular sua rota. A legenda entende que precisa de um governador totalmente alinhado ao seu projeto presidencial para sustentar a montagem de chapas fortes para a Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa.

Atualmente, o apoio público demonstrado por Tarcísio de Freitas às pautas prioritárias do Progressistas é considerado insuficiente pela direção.

“Internamente, há a crença de que ter um governador alinhado com o projeto presidencial da legenda facilitaria a montagem e sustentação das chapas.”

A aposta em Guilherme Derrite

Uma peça central nesse xadrez é o ex-secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite. Ele deixou o cargo em novembro para retornar à Câmara dos Deputados, onde relata a PEC da Segurança Pública.

Derrite conta com o aval da família Bolsonaro e migrou do PL de volta para o PP justamente para fortalecer sua construção política rumo ao Senado. Essa articulação coloca ainda mais pressão sobre a atual gestão, uma vez que o Progressistas busca protagonismo.

A estratégia visa garantir relevância no maior colégio eleitoral do país. Resta saber se as negociações de bastidor serão suficientes para manter a aliança ou se Tarcísio de Freitas terá que enfrentar um ex-aliado nas urnas em 2026.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 28/12/2025
  • Fonte: Sorria!,